ALCOOLISMO

Walter Medeiros

walterm.nat@terra.com.br 

 

DROGA PERIGOSA

 

Walter Medeiros

 

Durante esta semana vimos acompanhando pronunciamentos de deputados e senadores a respeito de drogas. O tema é abordado no Brasil inteiro, já que vivemos a Semana de combate ao uso indevido de drogas, onde são realizados eventos e demonstrações de enfrentamento do problema, até com incineração de drogas apreendidas. Além da divulgação de estatísticas e materiais que mostram quão assustadora é a droga.

É preciso que os brasileiros despertem para este problema, que é maior do que muita gente pensa. Por um lado, o tráfico de drogas precisa ser combatido com seriedade decorrente de uma decisão de governo, através de uma ação transversal. O que é feito normalmente é muito pouco, diante do volume de tráfico e uso indevido constatado a olhos vistos.

Por outro lado, vimos parlamentares bastante qualificados mostrando que a droga mais perigosa finda sendo o álcool, cuja venda é permitida e o consumo completamente desregrado. É através dele que a sociedade está indo para o fundo do poço, sem perceber que reduziram o lazer, bem tão importante do ser humano, ao costume nocivo da bebedeira.

No âmbito das bebidas alcoólicas, temos pelo menos duas observações muito sérias a fazer, uma demonstrando a força das indústrias de bebidas sobre o poder legislativo brasileiro e outra demonstrando a falta de controle das autoridades sobre os preceitos legais.

Se por um lado os legisladores foram capazes de fazer uma lei onde estabeleceram uma verdadeira revolução na química por decreto, ao afirmar que para efeito de propaganda cerveja não é bebida alcoólica - uma aberração a qual ninguém até hoje teve coragem de enfrentar no Congresso Nacional para propor as mudanças necessárias - por outro lado as leis que tratam do assunto não são cumpridas.

Aliás, não é preciso ir longe, pois há dois anos o próprio Presidente da República baixou norma para garantir a propaganda de cigarro no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.

Já foi bastante mostrado para o Brasil inteiro que todos os impostos arrecadados com a indústria e comércio de bebidas alcoólicas em nosso país correspondem a praticamente metade do que é gasto para reparar os estragos provocados pelo uso de bebidas: hospitais, previdência, polícia de trânsito, bombeiros, etc.

Mas não esquecemos do controle da lei. Aquela mesma lei que considera cerveja como bebida não alcoólica, diz que propaganda de cachaça, uísque, vodca, conhaque, licor e outras bebidas destiladas não pode ser veiculada antes das 21 horas em rádio e televisão. O que vemos, porém?

Se ligamos o rádio no domingo à tarde para acompanhar o futebol, lá está o locutor fazendo a propaganda proibida de cachaça e outras bebidas. Se ouvimos outros programas, principalmente aqueles dirigidos aos jovens, lá está o locutor mandando tomar a cachaça que patrocina o horário da tarde.

Mais triste, lamentável e chocante é a legislação que pretende proteger a infância e a juventude sendo infringida explicitamente em qualquer lugar: nos bares, clubes, botecos, restaurantes, boates, hotéis e casas de show. É proibido vender bebida alcoólica a menores de 18 anos. Mas vendem.

Os menores bebem, embriagam-se, destroem-se e engrossam as fileiras do contingente de dependentes do álcool. Todos os dias em todas as ruas de todas as cidades. Por isso uma semana de combate ao uso indevido de drogas é muito pouco. Quase nada.

É preciso mais combate, mais ação, mais organização, mais trabalho por parte de todos aqueles que têm obrigação de travar essa luta. Com certeza a sociedade, que se entusiasma com a campanha de uma semana de queima de drogas ilícitas, tem todo vigor para transformar-se num grande voluntariado no combate ao uso indevido de drogas.

 

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