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Durante
esta semana vimos acompanhando pronunciamentos de deputados e
senadores a respeito de drogas. O tema é abordado no Brasil
inteiro, já que vivemos a Semana de combate ao uso indevido
de drogas, onde são realizados eventos e demonstrações de
enfrentamento do problema, até com incineração de drogas
apreendidas. Além da divulgação de estatísticas e
materiais que mostram quão assustadora é a droga.
É
preciso que os brasileiros despertem para este problema, que
é maior do que muita gente pensa. Por um lado, o tráfico de
drogas precisa ser combatido com seriedade decorrente de uma
decisão de governo, através de uma ação transversal. O que
é feito normalmente é muito pouco, diante do volume de tráfico
e uso indevido constatado a olhos vistos.
Por
outro lado, vimos parlamentares bastante qualificados
mostrando que a droga mais perigosa finda sendo o álcool,
cuja venda é permitida e o consumo completamente desregrado.
É através dele que a sociedade está indo para o fundo do poço,
sem perceber que reduziram o lazer, bem tão importante do ser
humano, ao costume nocivo da bebedeira.
No
âmbito das bebidas alcoólicas, temos pelo menos duas observações
muito sérias a fazer, uma demonstrando a força das indústrias
de bebidas sobre o poder legislativo brasileiro e outra
demonstrando a falta de controle das autoridades sobre os
preceitos legais.
Se
por um lado os legisladores foram capazes de fazer uma lei
onde estabeleceram uma verdadeira revolução na química por
decreto, ao afirmar que para efeito de propaganda cerveja não
é bebida alcoólica - uma aberração a qual ninguém até
hoje teve coragem de enfrentar no Congresso Nacional para
propor as mudanças necessárias - por outro lado as leis que
tratam do assunto não são cumpridas.
Aliás,
não é preciso ir longe, pois há dois anos o próprio
Presidente da República baixou norma para garantir a
propaganda de cigarro no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.
Já
foi bastante mostrado para o Brasil inteiro que todos os
impostos arrecadados com a indústria e comércio de bebidas
alcoólicas em nosso país correspondem a praticamente metade
do que é gasto para reparar os estragos provocados pelo uso
de bebidas: hospitais, previdência, polícia de trânsito,
bombeiros, etc.
Mas
não esquecemos do controle da lei. Aquela mesma lei que
considera cerveja como bebida não alcoólica, diz que
propaganda de cachaça, uísque, vodca, conhaque, licor e
outras bebidas destiladas não pode ser veiculada antes das 21
horas em rádio e televisão. O que vemos, porém?
Se
ligamos o rádio no domingo à tarde para acompanhar o
futebol, lá está o locutor fazendo a propaganda proibida de
cachaça e outras bebidas. Se ouvimos outros programas,
principalmente aqueles dirigidos aos jovens, lá está o
locutor mandando tomar a cachaça que patrocina o horário da
tarde.
Mais
triste, lamentável e chocante é a legislação que pretende
proteger a infância e a juventude sendo infringida
explicitamente em qualquer lugar: nos bares, clubes, botecos,
restaurantes, boates, hotéis e casas de show. É proibido
vender bebida alcoólica a menores de 18 anos. Mas vendem.
Os
menores bebem, embriagam-se, destroem-se e engrossam as
fileiras do contingente de dependentes do álcool. Todos os
dias em todas as ruas de todas as cidades. Por isso uma semana
de combate ao uso indevido de drogas é muito pouco. Quase
nada.
É preciso mais combate, mais ação, mais organização,
mais trabalho por parte de todos aqueles que têm obrigação
de travar essa luta. Com certeza a sociedade, que se
entusiasma com a campanha de uma semana de queima de drogas ilícitas,
tem todo vigor para transformar-se num grande voluntariado no
combate ao uso indevido de drogas.
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