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A
volta do homem
que
foi dado como
morto
por 15 anos
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Severino Rio Grande
Nesta
vida aventureira
Muita
história já contei
Não
digo tudo que sei
Para
não fazer besteira
Agora
me deparei
Com
esta que contarei
Até
no meio da feira.
É
a história de Otacílio,
Que
tem 71 anos,
E
um dia teve planos
Nem
precisou de auxílio
Prá
viver meio profano
Curtindo
algum desengano
Sem
ter mulher e nem filho.
Natural
de Mata Grande
Era
bem relacionado
No
Sítio Serra Sobrado
Mexia
até com flandre
Noventa
e um é chegado
Ele
era muito danado
Provocou
um susto grande.
Um
dia ganhou o mundo
Sem
sapato e sem meia
Foi
prá Delmiro Gouveia
Num
alvoroço profundo
Não
foi parar na cadeia
Mas
a coisa ficou feia
E
sumiu em um segundo.
Ele
foi e não voltou
Era
tudo que sabiam
Familiares
sentiam
Diziam
“oh! Que horror!”
Os
seus dois irmãos queriam
Sem
saber por onde iam
Mostrar
que lhe tinham amor.
Mas
o tempo foi passando
Esvaiu-se
a esperança
Adulto,
jovem, criança,
Tudo
ia se conformando
Não
existia vingança
Nem
quebra de aliança,
Otacílio
ia andando.
Ninguém
sabia de nada
Queriam
a conclusão
Se
ele não volta, então,
Deve
ser fava contada
Morreu
num aluvião
Ou
nalguma confusão
Qualquer
coisa era esperada.
Foi
um tempo de tristeza
Naquela
honrada família
Onde
cada dia brilha
O
melhor da natureza
Até
a mente fervilha
Pois
nada mais descobria
Sentiam
até na mesa.
Os
anos foram passando
Vez
por outra se lembravam
Alguém
sempre perguntava
Mas
iam desconversando
Quinze
anos completavam
Cada
vez mais se chocavam
Iam
se desenganando.
Nem
mais tavam esperando
Quando
eis que de repente
Um
contato diferente
Na
família ia chegando
Seu
irmão tão paciente
Ficou
logo sorridente
Com
o que foram lhe contando.
Disseram
de um Otacílio
Um
homem localizado
Distante,
em outro estado,
Seus
olhos ganharam brilho
Aquilo
que era narrado
Parecia
amilagrado
Soava
como estribilho.
Do
Rio Grande do Norte
Vinha
aquela tal notícia
Um
delegado de polícia
Foi
quem mudou sua sorte
Parece
até fictícia
Ou
uma coisa de malícia
A
emoção foi bem forte.
Sargento
Jota Pereira
Era
esse delegado
Um
homem bem dedicado
É
assim a vida inteira
Pois
ele tinha achado
O
homem desabrigado
Não
era prá brincadeira.
O
homem foi abordado
Levado
para o distrito
Não
tentou nenhum conflito
Ali
ficando guardado
Num
aposento restrito
Não
lhe mandavam palmito
Mas
era alimentado.
O
tempo foi se passando
Todo
mundo já sabia
Sobre
o homem que vivia
O
delegado guardando
Porém
em um certo dia
Quem
o fato conferia
Era
o Anaximandro.
Jornalista
de Upanema
Ele
foi saber de perto
Prá
contar o caso certo
E
evitar qualquer problema
Com
o coração aberto
Ele
foi bastante esperto
Prá
não criar um dilema.
Pesquisou
na internet
O
que Otacílio falava
Até
e-mail mandava
Para
não ficar inerte
Pois
um deles já chegava
A
alguém que se importava
Até
com quem pinta o sete.
Na
internet ele achou
Sáite
sobre Mata Grande
A
notícia se expande
Alguém
se interessou.
Na
hora um homem responde
Dizendo
logo por aonde
Seu
Otacílio morou.
No
caso Walter Medeiros
Que
já morou na cidade
Tem
amigos de verdade
Pelo
município inteiro
Pediu
solidariedade
E
com força de vontade
Germano
foi o primeiro.
No
dia da eleição
Todo
mundo veio à praça
Parece
até uma graça
Para
aquele nosso irmão
No
meio daquela massa
Onde
todo mundo passa
Encontrou
a solução.
A
família se animou
Com
aquela novidade
Que
circulou na cidade
E
todo mundo gostou
Com
grande ansiedade
Só
queriam, na verdade,
Saber
o que se passou.
Todo
mundo se mexia
Prá
resolver o problema
Mata
Grande, Upanema,
Cada
noite, cada dia,
Preocupação
suprema
Era
coisa prá cinema
A
comoção que se via.
Criando
um bom esquema,
Jorge
Oliveira, ligou
Para
o Fernando Lou
Discutindo
o problema
Naquela
hora acertou
E
Mata Grande pagou
A
viagem a Upanema.
Um
sobrinho de Otacílio
Nome
Cícero Ferreira
Não
tava prá brincadeira
Era
como um delírio.
Com
a mala fez carreira
E
num dia sem bobeira
Mostrou
que é um bom filho.
Chegando
à delegacia
Encontrou
o delegado
Seu
tio já acordado
Mesmo
amanhecendo o dia
Ficou
bem emocionado
O
momento era chegado
De
voltar para a família.
Depois
assinou um termo
Que
registrava o fato
Mostrando
que melhor trato
Ele
não teria a esmo
E
seguiram prá viagem
Comprando
nova passagem
Pois
não estava enfermo.
De
Upanema a Natal
Foi
uma tranqüilidade
Viram
a bela cidade
E
foram a outra capital
Prá
Recife, na verdade,
Mas
numa variedade
Quase
acontece um mal.
Sem
querer reembarcar
Otacílio
insistiu
Até
que o carro saiu
E
teve que apelar
Mas
um passe conseguiu
E
em duas horas partiu
Para
os seus reencontrar.
Na
chegada à sua terra
Todo
mundo esperava
A
gente comemorava
Bem
lá no meio da serra
Não
tinha para quê farra
Mas
foi um agarra-agarra
E
quase e história encerra.
Para
falar no paradeiro
Tudo
que aconteceu
Seu
sobrinho percebeu
Que
ele era um romeiro
E
acha que se perdeu
Numa
viagem que se deu
No
rumo de Juazeiro.
Mais
o tempo explicará
Esta
história passada
Depois
não faltará nada
Para
a gente indagar
Mas
nesta hora chegada
Demos
por comemorada
A
forma dele voltar.
Pois
de tudo o que interessa
É
que está resolvido
Mesmo
de jeito sofrido
Teve
até quem fez promessa
Prá
ver o homem trazido
De
onde havia sumido
E
tava longe à beça.
Aqui
termino esse verso
Feliz
por participar
Desse
fato exemplar
Muita
oração eu peço
Prá
Otacílio conquistar
No
mundo melhor lugar
Assim
distância não meço.
Agradeço
a quem leu
Também
a quem escutar
Peço
para propagar
O
fato que aconteceu
Pois
toda volta ao lar
É
algo de admirar
Tem
todo apoio meu.
FIM
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