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Padre
Sabino Gentilli morre na sua terra CORDEL
sobre a vida do Padre Sabino
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O
Padre Sabino Gentilli, do clero da Arquidiocese de Natal,
faleceu na noite do sábado, 08.07.2006, na Itália.
Residente em Natal há mais de 30 anos, Pe. Sabino tornou-se
conhecido nas terras potiguares por seus trabalhos sociais,
especialmente na Comunidade de Mãe Luíza e no SOS Criança, em
Natal.
Sabino
Gentilli nasceu em 13 de julho de 1945, em Castel di Tora, na Itália,
onde também foi ordenado sacerdote em 30 de junho de 1973. Em
Natal, exercia, também, a função de vigário paroquial de
Nossa Senhora de Lourdes, dedicando-se especialmente à Capela de São
Francisco e ao Centro Pastoral de Mãe Luíza.
VIAGEM
Ele viajara
à Itália na metade do mês de junho, a fim de visitar familiares.
No dia 24, na companhia do Arcebispo de Natal, Dom Matias Patrício
de Macedo, esteve na Alemanha, onde participou da assinatura do
termo de criação da Fundação Gerecht. Na ocasião, ele informou
à assessoria de imprensa da Arquidiocese de Natal que a entidade
Gerecht iria possibilitar a continuidade e desenvolvimento de
atividades sociais e pastorais da Comunidade Mãe Luíza,
acompanhadas por ele há mais de 20 anos.
No
dia primeiro de julho, Dom Matias retornou a Natal e o Pe. Sabino
foi visitar familiares na Itália. Seu sepultamento ocorrerá na terça-feira
(11), na Itália. Da Arquidiocese de Natal irá uma representação,
formada por algumas pessoas que trabalhavam com ele em Mãe Luíza,
e pelo pároco da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, Pe. Charles
Dickson Macena.
AMIGO
O
Cientista Social e Professor Universitário Carlos Nascimento falou
sobre o Padre Sabino, afirmando que lamentava a morte do seu querido
amigo: “Convivi intensamente com Sabino - ele permitia que eu o
chamasse assim - nos meus áureos tempos de Pastoral de Juventude.
Desde os anos 70 do século passado ele adotou Natal como a cidade
que deveria cumprir sua missão evangelizadora e assistencial.”
Segundo
Carlos, tratava-se de um “Homem de ilibada condição moral e de
um devotamento altruístico desinteressado em prol dos mais
humildes, que procurou de todas as formas submeter sua vida pessoal
em favor de seu semelhante.”. Acrescenta que “Com ele ampliei minha opção de vida simples, sem ambição
e solidária. Nos momentos difíceis de minha vida sempre o
procurava em sua casa lá em Mãe Luiza. Lá, ele sempre sinalizava
com uma luz no fim do túnel, e saia de sua casa mais otimista.” E
assevera: “Neste momento difícil, fica uma sensação de perda
irreparával, só comparável com a morte de meu pai e minha mãe.” |
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O destino
do Padre que foi guiado pela Mão de Deus
--- Severino Rio
Grande
A Mão de Deus tem
poder,
Ninguém queira
duvidar,
Nunca precisa provar,
Pois qualquer um pode
ver.
Agora eu vou narrar
Coisa de admirar;
É verdade, pode crer.
Em um momento divino,
Do século que passou,
A humanidade ganhou
Em Toro um belo
menino.
Que vigário se tornou
Um cristão cheio de
amor
Cumprindo honroso
destino.
Ele tinha uma missão,
E da Itália partiu;
Mudou-se para o Brasil
Para fazer pregação.
Muita gente ele uniu,
A todo povo serviu
Com muita dedicação.
Era um homem admirável,
Que se doava inteiro;
Não fazia por
dinheiro,
Socorria o miserável;
Mulher, homem,
escoteiro,
Natalense ou
estrangeiro
Ele sempre amparava.
Viveu uma bela vida,
De luta e dignidade;
Amado em toda a cidade
Estava sempre na lida.
Defendeu a liberdade,
Fazendo a caridade
Em nossa Nação
sofrida.
Tinha o mais alto
astral,
Estava sempre de bem;
Nunca fez qualquer
desdém
Na Itália ou em
Natal.
Quando dizia amém,
Todos sentiam além
Do que seria normal.
Sempre clamou por
justiça,
Em muitas ocasiões;
Criticava os vilões
Nas conversas e na
Missa.
Mostrava as emoções
Durante os seus sermões;
Era um homem sem
preguiça.
Na sua comunidade
Tratava todos igual;
Combatia todo mal,
Primava pela verdade.
Nunca quis ser
maioral;
Mostrava seu natural,
Mas era celebridade.
Mãe Luiza, sua
Igreja,
Chora pela sua ida;
Comunidade sofrida,
Mas a ninguém
apedreja,
Mudou muito a sua vida
Com pessoa tão
querida
Onde quer que agora
esteja.
Vigilante, sapateiro,
Encanador, jornalista,
Empregado ou bolsista,
Professor, juiz,
padeiro,
Choram de doer a
vista,
Não esconde nem
despista
A morte do
companheiro.
Como fez o seu pastor
Na Galiléia, em andanças,
Ela amou as crianças
E aos idosos honrou;
Não fez a maior bonança,
Mas uma grande esperança
No mundo ele plantou.
No Espaço Solidário
Que criou em Mãe
Luiza
Sempre passará a
brisa
Para os seus legatários;
Ali ele se eterniza,
Pois vestia a camisa
De feitos igualitários.
A síntese de uma vida
De glória com seus
irmãos
Veio pelas suas mãos
E precisa ser
cumprida.
Agora os guardiões
Levarão suas lições
Com emoção bem
sentida.
Em busca da segurança
Ele foi ao seminário
E desfiou um rosário
Mostrando a liderança;
Um completo inventário
Mostrou para um diário
Para o bem das crianças.
Prá escola funcionar,
Prá ter policiamento,
Dizia seu pensamento:
Tinham que participar
Bodegueiro e sargento,
Todo mundo a contento
Tinha que colaborar.
Criticava quem vendia
Cachaça para criança,
Defendia uma aliança
Que já se fortalecia;
Pela arte, pela dança,
Por gestos de confiança
Trabalhava todo dia.
O amigo viajou
E nunca mais vai
voltar;
Têm de se conformar
E fazer grande louvor.
Sempre irão lhe amar
E lá onde ele está
Será novo protetor.
Existe uma certeza
Nesse momento de dor.
Coisa que ele falou
Tinha uma grande
tristeza:
Pelo que presenciou
No bairro que tanto
amou
Que atendia com
presteza.
Lamentava a violência,
Mesmo assim
aconselhava
Para quem lhe
perguntava
Com a sua consciência.
A quem reivindicava
Sua razão não tirava
Mas pedia paciência.
Sua fala era uma arte
Naquele som
estrangeiro
Era como um brasileiro
Levando um estandarte
Dizia como um roteiro
Que para cobrar,
primeiro
Fizessem a sua parte.
Ele sempre viverá
Na memória de Natal
A TV, rádio e jornal
Nunca se esquecerá
Deste dia tão fatal
Triste, fora do
normal,
Para lhe homenagear.
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