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OPINIÃO
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ÍNDICE
Celular
no trânsito
Banalização
da Carta Magna
Triste
Submissão
Bang-Bang e
violência
Arraes ta
aí
Droga
perigosa
Chuvas
deixam moradores de Capim Macio quase ilhados
O
remédio não era o álcool
Alcoolismo,
uma Doença Social
Bebida
alcoólica patrocina Pan-Americano
OMS
recomenda controle sobre o álcool
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Celular no
trânsito
--- Walter Medeiros
No carro ao lado, parado no sinal, o “Olá, como vai…” de
Paulinho da Viola dá lugar a um contato mais distante, pois o homem
ao volante fala ao celular, com jeito de quem está resolvendo negócios,
tanto pelo carro de luxo que ostenta como pela própria
aparência. Cena comum no nosso trânsito contraditório, no
dia em que se lê numa coluna de jornal uma nota sobre os guardas de
trânsito que foram vistos circulando sem usar os cintos de segurança.
Seria redundante tentar explicar a qualquer pessoa como ocorre
o uso de celular no trânsito; cada um certamente já viu e vê
diariamente estas cenas. Mas a mulher está acostumada a falar sobre o
assunto, pois no seu dia-a-dia ministra um curso sobre cidadania e
sempre afirma que é ilegal, irregular, absurdo qualquer pessoa
dirigir usando o telefone. Trata-se de uma infração de trânsito que
precisaria ser fiscalizada de forma completa, com a efetiva aplicação
de multas.
Naquelas aulas que ministra, a mulher explica os riscos a que
ficam expostas as pessoas quando dirigem próximo de motoristas
inescrupulosos que fazem uso do celular no trânsito. Mostra exemplos
de acidentes que ocorreram por conta desse mau uso do telefone e
conseqüente comportamento errado à direção.
Está acostumada com a resposta positiva de boa parte dos
alunos, que têm sempre uma série de exemplos para oferecer e
enriquecer a sua abordagem. Além dos comentários sobre a fiscalização
do trânsito, que começou a ser reforçada a partir do novo Código,
do qual resultou a municipalização de certos serviços. Mas esta
fiscalização finda sendo sempre insuficiente, o que gera uma certa
injustiça social.
A mulher mostra que o Código Nacional de Trânsito foi um dos
bons instrumentos que surgiram para assegurar as práticas da
cidadania, juntamente com o Código de Defesa do Consumidor, Estatuto
da Criança e do Adolescente e outros. Mas lembra que pela campanha
publicitária a impressão era de que ele viesse a ser mais
respeitado. Isto porque parece que o uso do cinco de segurança foi
dos poucos artigos que se transformaram quase em unanimidade (apesar
daqueles guardas e alguns outros infratores que não usam).
Ao ver aquele homem no sinal falando ao celular, ele fica
revoltada e comenta sobre sua situação. Logo ela, que sempre
combateu o uso de celular no trânsito, explicando tudo aquilo a
respeito, acabara de receber uma multa por uso de celular na direção.
A única vez em sua vida que resolveu tirar o celular da bolsa para
atender a uma urgência, pois a filha estava no hospital e
aguardava notícias; mesmo assim pegou o aparelho apenas para dizer
que estava estacionando para atender; pois nesse exato momento,
apareceu, não sabe de onde, numa calçada do bairro do Alecrim, um
guarda que não quis saber de nada e aplicou-lhe a multa.
No dia seguinte, lá estava ela explicando por que seus alunos
não deviam usar celular no trânsito, pois aquele equipamento tira a
atenção da pessoa ao volante e a distração pode resultar em graves
acidentes. Claro que ela não fez referência à multa, não porque
aquele fato a desqualificasse para o ofício de instrutora, mas porque
ela não tinha outros exemplos de multa para mostrar. Nem mesmo o
daquele homem tão bem parecido, que telefonava tão tranqüilamente
nas barbas de um guarda qualquer, que não se animou para multá-lo.
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Banalização
da Carta Magna
Walter Medeiros*
O mundo tem visto a repetição cotidiana de imagens que
antigamente a ficção seria acusada de imaginar demais, caso as
produzisse em películas cinematográficas. A aventura destruidora e
mortal do presidente Bush no Iraque, com mortes aos milhares, depois
da aventura louca no Afeganistão, em busca de Osama Bin Laden, que até
hoje não encontrou. Aqueles campos de prisioneiros criados pelos
americanos em Guantânamo, que vez por outra vêm à tona, mostrando
imagens horrorosas, que só lembram os campos nazistas, e tantas
outras situações fartamente “ilustram” os telejornais através
dos relatos sobre a vida, o poder e a morte dos traficantes de drogas
e outros.
Os produtores do Fantástico, por exemplo, parece que perderam
a noção do próprio nome do programa e transformaram a chamada
revista eletrônica do domingo em mais um programa de reportagem
policial; não bastasse o Linha Direta, que presta seus serviços e
desserviços também toda semana. Desta forma vai se consolidando na
sociedade a cultura do fato policial em primeiro lugar, invertendo
completamente a ordem de interesse que qualquer sociedade saudável
tem, de deixar para o vulgo as páginas ensangüentadas dos jornais caça-níqueis.
Pois esta banalização da violência vai mais longe e começa
a contaminar os ambientes onde se podia esperar que não ocorresse, em
vista de certos mantos protetores que encontramos nos regimentos e
regulamentos internos das casas legislativas. E chega pelas vozes de
advogados que, a título de discutirem questões ligadas ao cotidiano
dos processos administrativos e judiciais, extrapolam no linguajar, de
forma completamente diferente daqueles tempos em que se usava o latim
no âmbito jurídico e a linguagem chula era rechaçada, para manter
elevado o nível das discussões.
O fato que motiva estas considerações se deu no dia
28.03.2006 durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do
Senado Federal. Tratavam sobre as vantagens ou desvantagens de
implantar a chamada Super-Receita e para tanto vieram representantes
de diversos setores do serviço público federal e entidades
representativas de categorias profissionais envolvidas na questão. Os
argumentos até que eram fortes e pertinentes, mas de uma hora para
outra começaram a achar que havia um desamparo de certos setores que,
devido à legislação vigente, teriam desvantagens ou desequilíbrio
ante as regalias estatais.
Meses atrás escrevi artigo sobre violência, onde enumerava as
formas como a sociedade recebe ou é invadida pela mídia,
principalmente, com termos incitantes, muitas vezes utilizados até
inadvertidamente e sem nenhuma intenção de cultuá-los. No futebol,
tudo é “gang”, “máfia”, “tiro de longe”, “vamos
agredir mais”, “vamos combater”, etc. Fato que se repete em
programas, novelas e telejornais. Da mesma forma que nas escolas as
crianças e jovens usam termos que nem no chamado baixo meretrício
usavam antigamente.
Mas o que chocou naquela discussão entabulada no Senado
Federal, com transmissão ao vivo para todo o Brasil, foi a explicação
que altos funcionários (altos pelo menos no status) da Receita
Federal, que condenavam o poder de certo colegiado de decidir contra o
contribuinte sem opção de recurso. Aquele que teria um leque imenso
de palavras a utilizar para representar sua indignação foi tão
longe e, o pior, sem qualquer estranheza dos presentes, para definir
em três palavras o que achava do cerceamento dos direitos dos
contribuintes: “estupraram a Constituição”.
A afirmação, esdrúxula - por mais metafórica que tenha sido
- constitui um desrespeito àquele documento que veio trazer um novo
ordenamento jurídico para o Brasil, no rumo da legalidade e da
legitimidade. Diz a doutrina e a lei, sobre o estupro: “crime contra
os costumes consistente em constranger mulher, mediante violência ou
grave ameaça, a manter conjunção carnal.”. Aceitar com
naturalidade aquelas palavras, seria o mesmo que considerar normal as
ocorrências costumeiras nos presídios, onde os presos que declaram
com ar de sabedoria o Artigo do Código Penal onde estão enquadrados,
cometem mais crimes ao alegarem que fazem justiça com as próprias mãos,
para punir os estupradores que chegam com o fim de cumprir suas sentenças.
(*) Jornalista (walterm.nat@terra.com.br )
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Triste Submissão
--- Walter Medeiros
Os brasileiros tiveram na terça-feira (25) uma mostra de
injustiça explícita, autoritarismo, abuso de poder e
insensibilidade. Através da decisão do Presidente do Senado Federal,
Senador Renan Calheiros (PMDB/AL), que comunicou a exclusão do
Senador João Capiberibe (PSB/AP) da relação dos Senadores e
anunciou a posse do seu substituto.
Logo que iniciou a abordagem do assunto, o Senador Renan
Calheiros dava sinais de que estava decidido a enfrentar quaisquer
argumentos para fazer o que anunciava. Ele repetia a cada momento que
tinha de “cumprir uma decisão judicial”, como que exercitando a máxima
popular da água mole em pedra dura.
Não adiantaram os argumentos de todos os senadores, de todos
os partidos, de todas as tendências, que apresentaram várias formas
de oferecer ao Senador Capiberibe nada mais do que a Constituição
Federal garantia: o direito a ampla defesa. O Senador Renan Calheiros
dizia, com a férrea decisão de fazer valer aquela vontade que não
se sabe de onde vinha, que ia “cumprir a decisão judicial”. Mesmo
que aquela decisão significasse o desequilíbrio entre os Poderes da
República.
O Presidente do Senado não levou em conta que a decisão do
Supremo Tribunal Federal não havia sido publicada. Não levou em
conta que o Senado podia ouvir a Comissão de Constituição e Justiça,
preferindo ouvir o Advogado da Casa. Não levou em conta, enfim, os
apelos por direito de defesa.
O Presidente do Senado preferiu submeter o Parlamento
brasileiro a outro Poder, sem nem mesmo analisar a ordem que recebera.
Completou a submissão, vez que a submissão ao Poder Executivo já
era completa. Os senadores lembraram que o próprio signatário do
documento que o Presidente leu era aquele Ministro que maculou a
Constituição e confessou depois que incluíra sorrateiramente um
artigo não autorizado.
Naquele plenário estavam senadores que lutaram contra a
ditadura militar, que travaram todas as lutas para termos o Brasil
livre que temos hoje. Mas lamentavelmente vimos ao centro da mesa um
Presidente que assumia, pelo menos naquele episódio, uma postura
submissa e reles.
Utilizando-se da única justificativa de “cumprir a ordem
judicial”, o Presidente atropelou todas as alternativas sugeridas e
junto com elas o Regimento do Senado e a Constituição Federal. Mais
grave ainda, em nenhum momento ele fez qualquer alegação em defesa
da Casa; ao contrário, tomava o partido do Ministro que assinava a
ordem, alegando sucessivamente que o Senador Capiberibe teria
apresentado recursos procrastinatórios.
Quem apresenta recursos procrastinatórios pode ter dois
motivos: ganhar tempo injustamente ou ganhar tempo para buscar a justiça.
O Senador Capiberibe buscava justiça, mas o Presidente Renan não lhe
deu sequer o direito da dúvida: os argumentos do Tribunal passaram a
ser os seus argumentos.
O Senador Capiberibe foi cassado com base num processo de
provas contraditórias. Não lhe deram o direito à ampla defesa. Nem
a Justiça tratou do caso com isenção. As cenas vistas ontem no plenário
do Senado Federal foram das mais tristes. Havia uma pressa de afastar
o Senador Capiberibe.
O
Presidente do Senado, Senador Renan Calheiros, perdeu uma grande
oportunidade de entrar para a história como aquele que teria
garantido o direito de defesa aos Senadores. Mas preferiu fazer da
Presidência do Senado um cargo subordinado ao Presidente do Supremo
Tribunal Federal e com sua submissão tornou todo o Senado submisso.
Foi um fim triste e sombrio para uma sessão daquele casa de momentos
tão memoráveis.
(26.10.2005)
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Bang Bang e
violência
--- Walter Medeiros
A banalização que
se vem estabelecendo há muitos anos, em detrimento de práticas éticas
e morais, fazendo muita gente lembrar Rui Barbosa - que previa o dia
em que o brasileiro sentiria vergonha de ser honesto –
aprofunda-se cada vez mais. Não precisa ir longe para ver o nível
de perversão e permissividade: em qualquer banca de revista
encontra-se a deformação explícita do caráter nacional; e ao
voltar para casa, encontramos algo mais chocante, através da
programação da TV.
O Brasil luta contra a violência – embora os poderes públicos
não venham fazendo o que precisaria ser feito. Tenta-se combater o
crime organizado, mas o combate ao tráfico de drogas, à pirataria
e à corrupção de menores só aparece em relatórios ínfimos, de
resultados irrisórios. Ao mesmo tempo em que se vê aproximar o dia
do referendo, quando os brasileiros deverão dizer se querem ou não
a proibição do fabrico e venda de armas no país.
Não tenho tanta idade, mas nos anos 60 assistia belos filmes
de bang bang no Cinema São Pedro, na Amaro Barreto; no São
Luiz, na Presidente Bandeira; no Rex; Nordeste; Rio Grande e Cine
Poti, na Deodoro. Em Nova Cruz, passei algumas férias e lembro de
um seriado de Durango Kid que a meninada toda ia assistir. Era,
naquele tempo, a expressão do fim de uma época onde o cinema
mostrava o chamado velho Oeste.
Aqueles tiroteios, aquelas mortes indispensáveis em cada película
chocava a todos, que consideravam um tempo de barbaridades. Anos
depois, entretanto, passamos a assistir cenas só comparáveis àqueles
tempos que alguns autores chamavam de “sem lei”. Alusão
importante a isto veio mesmo através do lema do filme Pixote, que
era “a lei do mais fraco”. A banalização da vida levou a violência
no Brasil a níveis inacreditáveis para quem viveu aquelas épocas
pacatas.
Chegamos ao ponto de inverter a lógica do cárcere, pois
segundo o arquiteto Ronald de Góis (pelo menos foi dele que ouvi a
citação pela primeira vez), o cidadão, que devia ter a liberdade
enquanto os bandidos deviam ficar presos, findam transformando essa
realidade, pois ficam detrás das grades nas próprias casas.
Enquanto o povo brasileiro prepara-se para seu pronunciamento
a respeito das armas, a Rede Globo de Televisão anuncia algo que
deverá será mais um desserviço à nação brasileira: uma novela
chamada Bang Bang, que por mais que seja uma comédia,
conforme podemos depreender, será, com certeza, mais um estímulo
à violência.
Mesmo que se trate de uma obra de arte, a veiculação dessa
novela neste momento parece uma demonstração de insensibilidade da
emissora. Pois não acreditamos que uma novela chamada Bang Bang
não seja o ambiente para exibição de armas, violência, morte,
perversidade, sadismo, impunidade e deformação do caráter. Para o
momento em que vivemos, onde necessitamos defender a paz, só
podemos achar que é um tiro que sai pela culatra. Ou, como se diz
na área de saúde mental, um tiro no pé.
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Arraes
ta aí.
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Walter Medeiros
No
dia 15 de setembro de 1979 eu estava voltando de Brasília para
Natal num avião da Vasp. Era um vôo que havia começado em Porto
Alegre e já tinha feito uma escala em São Paulo. Paramos ainda em
Ilhéus, Salvador e Recife, antes de chegarmos a Natal. O avião era
uma grande festa até Recife, pois parecia mais um vôo fretado. De
Recife para Natal foi um silêncio imenso. A grande maioria dos
passageiros desembarcou em Recife, porque todos tinham um grande
compromisso no dia seguinte: receber Miguel Arraes de volta do exílio.
O avião
estava repleto de símbolos que anunciavam aquela novidade –
Arraes ta aí. A partir do jornalista Fernando Moraes, que até
aquela época era mais conhecido pelo seu famoso livro A Ilha, um
repórter brasileiro no país de Fidel Castro. Muitos outros
jornalistas, políticos e artistas povoavam aquela aeronave, na qual
já demonstravam a maior intimidade com a tripulação, chamando a
todos pelos nomes. Lembro-me bem da aeromoça Érica, que nos servia
bebida naqueles copos de vidro que as empresas aéreas não usam
mais em qualquer vôo.
A
sensação que se tinha era de que toda aquela gente queria demarcar
os novos espaços de conquistas políticas, pois vínhamos da aprovação
da Lei da Anistia - o instrumento legal que estava possibilitando o
retorno do ex-governador pernambucano. Tratava-se do coroamento de
uma luta travada no país inteiro pela anistia ampla, geral e
irrestrita, cujo resultado sinalizava que a ditadura militar estava
prestes a encerrar seu período. Cada momento tinha um sabor de
liberdade que precisava ser bem aproveitado, para assegurar novos
avanços.
Arraes
chegou no dia 16 de setembro de 1979, dia histórico que mudou a
vida de Recife e de Pernambuco. Gente do Brasil inteiro fez aquele
dia de democracia e da liberdade, festejando o nascimento de uma
nova era. Cada colega jornalista procurava documentar da melhor
forma possível os detalhes daquele rosto e daquela voz inconfundíveis,
que foram enviados para o exílio por defender dias melhores para o
nosso povo e para a nossa Pátria.
Dali
seguiram-se as novas batalhas: a luta pelas diretas-já e o
movimento pela Constituinte, que resultaram na eleição de Tancredo
Neves, mesmo no Colégio Eleitoral, mas que deu origem à Nova República
e na Constituição de 1988, a qual Ulisses Guimarães chamou de
Constituição Cidadã. E os novos embates que foram travados,
capazes de assegurar até a legalização do Partido Comunista,
antes na clandestinidade.
Miguel
Arraes teve uma importância imensa na luta contra o regime militar.
Se ele não fizesse parte daquela cena política, talvez o Brasil
tivesse sido redemocratizado, porém com certeza esse processo seria
mais demorado e a ditadura teria perdurado por mais tempo. Sentimos
uma tristeza agora, pela sua passagem. Mas ao mesmo tempo bate em nós
um sentimento maior, que é a gratidão pelo que ele fez por todos
os brasileiros. Viva Arraes!
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Droga perigosa
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. Walter Medeiros |
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Durante
esta semana vimos acompanhando pronunciamentos de deputados e
senadores a respeito de drogas. O tema é abordado no Brasil
inteiro, já que vivemos a Semana de combate ao uso indevido de
drogas, onde são realizados eventos e demonstrações de
enfrentamento do problema, até com incineração de drogas
apreendidas. Além da divulgação de estatísticas e materiais que
mostram quão assustadora é a droga.
É
preciso que os brasileiros despertem para este problema, que é
maior do que muita gente pensa. Por um lado, o tráfico de drogas
precisa ser combatido com seriedade decorrente de uma decisão de
governo, através de uma ação transversal. O que é feito
normalmente é muito pouco, diante do volume de tráfico e uso
indevido constatado a olhos vistos.
Por
outro lado, vimos parlamentares bastante qualificados mostrando que
a droga mais perigosa finda sendo o álcool, cuja venda é permitida
e o consumo completamente desregrado. É através dele que a
sociedade está indo para o fundo do poço, sem perceber que
reduziram o lazer, bem tão importante do ser humano, ao costume
nocivo da bebedeira.
No
âmbito das bebidas alcoólicas, temos pelo menos duas observações
muito sérias a fazer, uma demonstrando a força das indústrias de
bebidas sobre o poder legislativo brasileiro e outra demonstrando a
falta de controle das autoridades sobre os preceitos legais.
Se
por um lado os legisladores foram capazes de fazer uma lei onde
estabeleceram uma verdadeira revolução na química por decreto, ao
afirmar que para efeito de propaganda cerveja não é bebida alcoólica
- uma aberração a qual ninguém até hoje teve coragem de
enfrentar no Congresso Nacional para propor as mudanças necessárias
- por outro lado as leis que tratam do assunto não são cumpridas.
Aliás,
não é preciso ir longe, pois há dois anos o próprio Presidente
da República baixou norma para garantir a propaganda de cigarro no
Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.
Já
foi bastante mostrado para o Brasil inteiro que todos os impostos
arrecadados com a indústria e comércio de bebidas alcoólicas em
nosso país correspondem a praticamente metade do que é gasto para
reparar os estragos provocados pelo uso de bebidas: hospitais,
previdência, polícia de trânsito, bombeiros, etc.
Mas
não esquecemos do controle da lei. Aquela mesma lei que considera
cerveja como bebida não alcoólica, diz que propaganda de cachaça,
uísque, vodca, conhaque, licor e outras bebidas destiladas não
pode ser veiculada antes das 21 horas em rádio e televisão. O que
vemos, porém?
Se
ligamos o rádio no domingo à tarde para acompanhar o futebol, lá
está o locutor fazendo a propaganda proibida de cachaça e outras
bebidas. Se ouvimos outros programas, principalmente aqueles
dirigidos aos jovens, lá está o locutor mandando tomar a cachaça
que patrocina o horário da tarde.
Mais
triste, lamentável e chocante é a legislação que pretende
proteger a infância e a juventude sendo infringida explicitamente
em qualquer lugar: nos bares, clubes, botecos, restaurantes, boates,
hotéis e casas de show. É proibido vender bebida alcoólica a
menores de 18 anos. Mas vendem.
Os
menores bebem, embriagam-se, destroem-se e engrossam as fileiras do
contingente de dependentes do álcool. Todos os dias em todas as
ruas de todas as cidades. Por isso uma semana de combate ao uso
indevido de drogas é muito pouco. Quase nada.
É preciso mais combate, mais ação, mais organização,
mais trabalho por parte de todos aqueles que têm obrigação de
travar essa luta. Com certeza a sociedade, que se entusiasma com a
campanha de uma semana de queima de drogas ilícitas, tem todo vigor
para transformar-se num grande voluntariado no combate ao uso
indevido de drogas. CHAMADAS MENU
RNSITES
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CHUVAS:
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Rua Industrial João Mota |
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BAIRRO DE CAPIM MACIO
FICA QUASE ILHADO |
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Os
moradores de Capim Macio estão cada vez com mais dificuldade
de transitar em dias de chuva, devido aos inúmeros
alagamentos. Quem mora entre as ruas Américo Soares Wanderley
e Antônio Farache só não fica completamente ilhado porque
tem a alternativa de seguir pela Airton Sena, e enfrenta
engarrafamentos a partir da Clínica Santa Maria.
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Rua
Neusa Farache |
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A saída pelas ruas Walter Fernandes e
Neusa Farache torna-se impossível, pois com qualquer chuva
forte formam-se lagoas nas imediações da Farmácia Pague
Menos e no CDF, respectivamente. |
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As pessoas que insistem em sair pela Av.
Engº Roberto Freire, encontram outro inconveniente: com a
colocação do sinal da UNP quem sai pela rua Antônio Farache
tem de seguir até o Praia Shopping e voltar, aumentando o
percurso em mais de 4 quilômetros. |

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Rua Walter
Fernandes |
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O gasto de combustível desnecessário
irrita os motoristas, que não entendem a lógica das repartições
de trânsito, que não enxergam a necessidade de retorno entre
a UNP e o Praia Shopping para os veículos que entram na Engº
Roberto Freire no sentido Viaduto – Ponta Negra e querem
retornar pelo lado do calçadão.
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RNSITES
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FALE
CONOSCO
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