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ARTIGOS |
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Dr. Alberto Duringer - Médico * |
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Sintomas de recaída |
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A recaída em alcoolismo acontece no rumo inverso do adoecimento, de forma que primeiro o alcoólico perde espiritualidade, depois equilíbrio emocional e por fim vai ao primeiro gole. T.T.Gorski e M.Miller, no seu livro Conselling for Relapse Prevention, listam uma série de sintomas, relatados por alguns milhares de alcoólatras, observados antes do primeiro gole e que vão dos mais leves aos mais perturbadores. É provável que nenhuma recaída apresente todos os sintomas, mas a presença de muitos, numa sucessão de gravidade, é freqüente: 1.
Medo do sentir-se bem – O alcoólico simplesmente não está
acostumado a ver as coisas correndo bem.
Pensamentos do tipo “Minha vida está tão boa, o que será que
vem por aí?” ou então “Eu não mereço”. 2.
Negação do stress e da ansiedade – Sentir-se ansioso
diante de mudanças é normal. Só que o alcoólico, campeão em negação,
agora nega o medo que está sentindo, dizendo que sua vida está
cor-de-rosa, não tem mais problema algum (o único era a bebida) e que
por isso não é preciso mudar mais nada. 3.
Compromisso inflexível com a abstinência -
“Só eu sei a desgraça que o álcool foi na minha vida,
por isso eu tenho absoluta certeza que nunca mais vou beber!”. 4.
Compulsão em impor sobriedade aos outros – Ele
simplesmente não consegue entender que outros bêbedos possam não quer
parar de beber e ingressar no AA. 5.
Atitude defensiva em falar sobre si mesmo ou sobre sua recuperação
– Os depoimentos são no plural “nós alcoólatras somos assim” ou
sobre os outros “eu sabia que Fulano ia se dar mal”. Ele só não
consegue falar dele mesmo. 6.
Comportamento rígido e repetitivo -
Depoimentos sempre iguais, nada se modifica. 7.
Comportamento impulsivo – Emoção supera a razão. 8.
Tendência ao isolamento. 9. Visão em túnel (segmentar) de aspectos de sua vida – Só enxerga
alguns aspectos de sua vida, como um motorista que entra em um túnel
escuro e só vê o ponto de claridade da saída. Depoimentos enfatizando
sempre a mesma coisa. 10.
Depressão leve – Falta de atenção, afetos pequenos,
excesso de sono. 11.
Perda de planejamento construtivo – Metas fantasiosas,
excesso de atenção a detalhes sem importância. 12.
Planos começam a não dar certo. 13.
Pensamento sonhador – Síndrome do “se”: “Ah, se eu não
tivesse feito aquilo”, “Ah, se eu ganhar na loteria”. 14.
Sensação de que nada dá certo na vida – Nem pode, se
todos os planos são fantasias. 15.
Desejo imaturo de ser feliz – Sem saber dizer o que é
felicidade para ele, sem definir o que é que o faria feliz e também
sem fazer o seu lado para atingir a “felicidade”. 16.
Períodos de confusão mental. 17.
Irritação com as pessoas e atitude de confronto com o AA
– Baixa tolerância com companheiros que fazem depoimentos que não
lhe agradam, com coordenadores que não o chamam e com pessoas que não
agem de acordo com sua vontade. 18.
Irritabilidade fácil – Inclusive passa a ter medo de suas
reações de raiva. 19.
Hábitos alimentares irregulares. 20.
Indiferença frente à vida – Dificuldade de entrar em ação. 21.
Irregularidade de sono – insônia uma noite, exaustão e
muito sono no dia seguinte. 22.
Perda de estrutura de 24 horas -
Um dia sobrecarregado, outro sem ter o que fazer. 23.
Períodos de depressão profunda – isolamento,
irritabilidade, raivas, medos, pensamentos de “ninguém se importa
comigo”. 24.
Ida irregular ao AA – Começa a questionar o AA (manipulação).
Primeiros pensamentos de “será que eu sou mesmo alcoólatra?” 25.
Atitude de “estou pouco ligando para o que acontece”,
acompanhada de autopiedade. 26.
Rejeição de ajuda - Com
atitude muda, silenciosa, ou então com raiva. 27.
Insatisfação com a vida, sensação de vida ingerenciável –
Pensamentos de “se eu estivesse bebendo, as coisas não poderiam estar
pior.” 28.
Intensa sensação de desamparo e impotência. 29.
Intensa autopiedade – síndrome do “coitadinho de mim”. 30.
Vontade de voltar a beber socialmente (na busca de alívio). 31.
Mentiras conscientes – Julga só ter como opções a
loucura, o suicídio ou voltar a beber. 32.
Perda completa da autoconfiança – Sente-se incapaz de sair
da armadilha que ele mesmo criou. 33.
Raivas irracionais (do mundo, da vida, de algumas pessoas, de si
mesmo). 34.
Abandono de tratamento e recuperação – Desaparece também
do AA. 35.
Sente esmagadora solidão, frustração, raiva e ansiedade. 36.
Volta a beber (com intenção de manter a bebida sob controle). 37.
Perda do controle sobre a bebida.
* Conselheiro no
Conselho Estadual de Entorpecentes - Ex-Diretor do Hospital Central da
Polícia Militar (RJ) |
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