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O alcoolismo - doença reconhecida pela
Organização Mundial de Saúde (OMS), desde 1967 -
afeta seguramente dez por cento da população do mundo,
sem poupar sexo, idade, condição sócio-econômica
e/ou etnia. Os efeitos desse problema vai bem mais longe
do que se pode imaginar, dando margem a uma séria de
indagações e reflexões.
Por
exemplo: o que têm a ver a família, os amigos, os
vizinhos, os colegas de trabalho? Qual o grau de
comprometimento, além do sentimento de solidariedade,
pelo fato de serem ‘humanos’ e sentirem pesar pela
dor do outro? Como e por quê adoecem junto com o
alcoólico?! Em
que nível, quando e como adoece? Onde está o
‘contágio’?
Estando
o alcoólatra inserido numa família, sofrendo as
conseqüências que o mal lhe causa, com uma doença
física, psíquica, emocional, espiritual e social, é
impossível que as pessoas do seu convívio permaneçam
ilesas na relação.
O contágio do alcoolismo se dá, assim, em
nível emocional e psicológico, a princípio, podendo
ir às conseqüências físicas mais sérias, como
hipertensão, síndrome de pânico, entre outras.
DEPENDÊNCIA
O adoecer da família vai acontecendo à medida
que evolui e se instala a dependência
propriamente dita, do alcoólatra. É um processo
paralelo. É
o ambiente familiar - onde o bebedor, o cônjuge, e os
filhos convivem e deveriam partilhar em conjunto de
todos os acontecimentos (fáceis e difíceis, alegres e
tristes, da rotina do dia-a-dia, do crescimento da
família, dos filhos)
- que mais sofre as conseqüências, a
desagregação e o adoecer.
O
espaço doméstico passa a ter em comum as dores
(físicas e emocionais), a angústia, o medo, a raiva, o
ressentimento e os dissabores. Do odor ( mau cheiro) do
álcool ao nervosismo dos que se encontram em casa, no
lar e não sabem em que condições chegará o familiar
alcoólatra; às promessas não cumpridas, os sonhos
desfeitos, as noites insones, a ausência total, tudo é
sofrimento, é decepção, é a verdadeira
‘dor da alma’ .
Daí,
os efeitos do álcool no alcoólatra, no que diz
respeito aos distúrbios físicos, psicológicos e
sociais, serem ‘socializados’ com os que com ele
convivem. Assim como as seqüelas no comportamento, ao
longo da vida... Mudança de personalidade, alteração
de humor, angústia, depressão...
Levando-nos a concluir que, sendo o alcoólatra
um dependente químico do álcool, seus familiares, as
pessoas de sua convivência, são co-dependentes, por
tudo que adquiriam ao longo do processo. O
relacionamento tende a se transformar num dilema, num
tumulto.
TRATAMENTO
Considerando
o alcoólatra como portador de uma doença, assim como
os seus familiares pessoas que adoeceram em
conseqüência da convivência, entendemos que todos
precisam de tratamento e cuidados especiais para levarem
uma vida saudável.
Como
em qualquer outro diagnóstico, o doente só se trata se
admitir que é doente e se quiser se tratar.
É a ‘rendição’ à doença e a
‘aceitação’ do tratamento.
Não é diferente com o portador do alcoolismo e
seus co-dependentes.
Tanto
para os alcoólatras como para os familiares,
em muitos casos,
não basta a
consulta com o médico, o tratamento medicamentoso. É
preciso algo mais. Nesse momento entra a grande
contribuição de Alcoólicos Anônimos - para os
alcoólatras - e de Al-Anon para familiares e amigos.
“Os
Grupos Familiares Al-Anon são uma associação de
parentes e amigos de alcoólicos que compartilham sua
experiência, força e esperança, a fim de solucionar
os problemas que têm em comum.”
Nesses grupos de ajuda mútua, só existe um propósito:
‘ prestar ajuda a familiares e amigos de
alcoólicos’. São grupos abertos, democráticos, onde
o que conta é a disposição para mudança interior;
mudança de atitude para uma recuperação
satisfatória.
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(*)
Graça Bezerra é Assistente Social
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