Na
minha mente eu tinha
muita
interrogação:
aquela
situação
seria
uma pegadinha?
Não
era, era bem real;
uma
coisa colossal,
estava
tudo na linha.
Mas
eu fui me
aproximando,
cada
vez me convencendo
daquilo
que estava vendo,
do
que ele estava mostrando;
era
algo misterioso,
que
me deixou curioso,
fiquei
impressionado.
Prá
encurtar a história
vou
lhe dizer o que vi
e
o que logo senti
vivendo
aquela hora:
era
um espelho estranho,
que
mesmo a gente vestido
deixava
nu sem demora.
A
gente estava com roupa
e
aparecia despido;
fiquei
todo inibido
mas
o espelho não poupa:
apresenta
a nudez,
foi
isso que ele fez,
a
mim ele não deu sopa.
Quando
parei em sua frente
e
o espelho contemplei,
confesso
que me assutei
embananou
minha mente;
pois
eu nunca imaginei
encontrar
em minha vida
imagem
tão diferente.
A
primeira reação
que
tive ao ver a imagem,
foi
procurar a coragem
de
enfrentar a situação;
mas
fiquei estupefato
que
não consegui sequer
mexer
com nenhuma mão.
Que
estaria acontecendo?
Perguntava
a mim mesmo;
eu
indagava a esmo,
se
todos estavam vendo;
pois
me senti sem poderes
para
mudar o ambiente
e
o que estava a contecendo.
Sentado
lá no seu canto
aquele
padre me olhava;
sorria
e sem palavras
me
confundia um tanto;
e
tudo que eu almejava
naquela
estranha hora
era
cobrir-me com um manto.
Depois,
uma multidão
pelo
espelho passou
e
cada um que olhou
vestiu-se
só com a mão;
todo
mundo bem confuso
entrava
em parafuso
na
estranha situação.
Subitamente
o problema
findou
sendo resolvido;
senti
que tinha partido
sem
nenhum estratagema.
Se
ali estava despido,
apareci
bem vestido:
acordei,
saí de cena.
(2001)