Era
um ambiente lindo
cheio
de companheirismo
eu
via com realismo
gente
entrando e saindo
pelo
quartel espalhado
só
se via os soldados
a
sua missão cumprindo.
Que
saudade da alvorada
que
era tocada por Braga
a
memória não apaga
a
melodia animada
todos
correndo pro rancho
sem
fazer nenhum remancho
que
comida reforçada...
Depois
ia prá parada
desfilar
ao som da banda
pois
seu toque é quem manda
na
tropa ali perfilada
e
o Coronel D´Aguiar
cumprimentava
com o olhar
toda
aquela recrutada.
Depois
Capitão Munhoz
dava
suas instruções
sobre
Constituições
empostando
sua voz
e
na Sargenteação
era
uma satisfação
juntávamos
todos nós
De
tarde, o Boletim
com
ânsia era esperado
nele
vinha o resultado
prá
quem foi bom ou foi ruim
se
alguém era injustiçado
tinha
o Sargento Rinaldo
que
corrigia, enfim.
Quando
estava de serviço
tinha
novas instruções
nas
guaritas, emoções,
todos
já sabiam disso.
no
quarto de hora, então,
esperava
a rendição
sem
o menor sacrifício.
E
no toque de silêncio
um
sentimento profundo
das
coisas puras do mundo
inda
hoje nele penso
Depois
o oficial
dava
a senha normal
com
um termo não extenso.
Teve
marchas e manobras
em
Punaú, Conceição,
nada
era feito em vão,
nem
desperdiçava sobras
assim
rodei o sertão
com
muita animação
junto
com pessoas nobres.
Nessa
feliz convivência
tinha
o cabo Emiliano
parecia
um franciscano
com
aquela paciência
para
não brincar com fogo
dizia
- isso não é jogo
era
muita consciência.
Sargento
Robson, amigo,
tinha
vindo de Olinda
sua
amizade não finda
isso
com razão eu digo
pois
depois o encontrei
e
não me decepcionei
se
puder inda lhe ligo.
O
gaucho Wanderley
era
um cara legal
e
tinha um oficial
cujo
nome ainda sei
era
o tenente Pinheiro
que
passou o ano inteiro
botando
tudo na lei
Muitos
outros encontramos
naquela
vida diária
eu
ganhei até medalha
inda
hoje não sei como
tinha
muita gente boa
mas
eu, num tirinho à toa,
findei
ganhando a fama.
Vez
por outra eu meu dia
eu
canto os nossos hinos,
pois
era nossos destinos
“Abram
alas” – assim dizia
“que
vai passando” – e cultua
no
quartel ou lá na rua
“a
Segunda Bateria”.
Também
o hino da arma
às
vezes fico a cantar
lembrando
o som a rufar
algo
em mim me acalma
“Poderosa
Artilharia”
era
assim que se dizia
com
toda força da alma.
Aí
lembro os companheiros
Severo
e Lucimar
Nascimento,
Edgar
Bezerril,
Lima e Pinheiro
Airton,
Campos, Trajano,
Gilberto
e Luciano,
me
lembro desde o primeiro.
Marcos
Sardinha, Matias,
Alexandre
e Batista
Neto,
Araújo, Romildo,
Aguiar
Freitas, Josias,
Alves
e Márcio Leitão,
Gurgel,
Francisco, sei não,
Foram
muitas alegrias.
Hoje
já faz trinta anos,
não
andamos mais de Reo
nem
de Dodge, Coronel,
agora
somos paizanos.
Mas
a lembrança feliz
liga
como uma raiz
a
um tempo tão bacana.
Despeço-me
emocionado
pois
revivi na lembrança
um
tempo de esperança
onde
fui um bom soldado
onde
estará todo mundo?
que
sentimento profundo
pois
tudo agora é passado...
(2002)