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Ela
tem tantos batentes,
Pelos
quais vamos subindo,
Avançando
e seguindo,
Continuando
em frente;
Mesmo
se desiludindo,
Todos
continuam indo,
Lá
ninguém é diferente.
A
subida continua,
Por
toda aquela escada,
Que
é uma grande parada,
Maior
do que muita rua;
Perigosa,
engraçada,
Não
se compara a nada,
Parece
que se flutua.
Nessa
seqüência subida,
Com
pássaros e jardins,
Quem
sabe até querubins,
Tudo
de bom dessa vida,
Finda
chegando ao fim,
Pois
a escada é assim,
Nunca
garante guarida.
Aí
vem uma surpresa,
Bem
lá no fim da escada,
Uma
parede fechada,
Lisa,
que é uma beleza;
Não
tem por onde seguir,
Pode
chorar, pode rir,
É
coisa da natureza.
Não
se entende por quê
Se
fez uma escada dessa,
Que
tem batentes à beça,
Quem
poderia dizer?
Alguém
pregou uma peça,
É
isso que interessa
A
gente compreender.
Não
se quer descer de volta;
Ninguém
gosta de perder,
Mas
não há o que fazer,
Nem
precisa de escolta;
O
jeito é se render,
Começar
logo a descer,
E
ver se ninguém lhe nota.
Cada
batente é uma lágrima,
É
também, uma saudade,
Pois
é fim indesejado,
De
deixar a cara pálida
Uma
grande decepção,
Mas
por resignação,
Uma
experiência válida.
Resistindo
e não descendo,
Tem
de se abrir uma porta,
Até
com a mão, não importa,
Todo
mundo compreende;
Seria
uma resposta,
Como
todo amante gosta,
E
o problema resolvendo.
Com
sacrifício e fé,
Com
muita perseverança,
Inocência
de criança,
Amor
de homem e mulher,
Alcançará
a bonança,
Pois
o amor só avança
Do
jeito que a gente quer.
Não
acredito que o amor
Nos
leve a nada ruim;
Então,
fazendo por mim,
A
parede derrubou;
Vejam
só qual foi o fim
Que
encontrei bem assim,
Quando
tudo terminou.
Depois
da parede, estava
Tudo
que a gente procura:
Sem
choro nem amargura,
Vejam
só quem lá morava;
Quanto
mais tal aventura
Parecia
uma loucura,
muito
mais apreciava.
Vou
lhe dizer a verdade
De
quem estava ali;
Só
acredito porque vi,
Creia-me,
por caridade;
Quando
rompi a parede,
Cansado
e com tanta sede,
Vi
logo a felicidade.
O
pior é que ela disse
Que
tinha ido pra lá
Sempre
me vendo chegar,
Parecendo
uma tolice;
Mas
disse, pra terminar,
Que
não iria chegar,
Se
pra lá eu não subisse.
FIM
(2003)
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