Poemas de CORDEL

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Poemas de Cordel de autoria de Walter Medeiros - Natal - Rio Grande do Norte

 

18. A surpresa na escada do amor   

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Quero contar pra vocês,

Com a maior precisão,

Qual foi a minha impressão,

Quando pensei certa vez

Sobre a maior emoção

Que temos no coração,

Sem contar nem até três.

 

Pois o amor, quando chega,

Vem logo arrepiando,

Deixa a gente se enganando,

E mole feito manteiga,

Quem ama, se abestalhando,

Pensa que está ganhando,

É a pessoa mais meiga.

 

Ele vai levando a gente,

Com tantos sonhos que traz,

A fazer tudo demais,

Deixa até impaciente.

É como ficar sem paz

Ser notícia nos jornais,

Junta tudo que se sente.

 

Eu comparo o amor,

A uma grande escada,

Comprida e enviesada,

Onde a pessoa entrou;

E que depois de entrar

Nunca pensa em voltar,

Por mais que vá sentir dor.  

 

1. A mulher que dançava até com um doido batendo na lata

2. Versos sofridos para um açude triste 

3. A despedida de Teodorico, o filho mais velho de Zaqueu

4. O tremelique do cabra que buliu com uma moça

5. Rimas para palavras e palavrões  

6. Para os encantados de Hiroshima, pela paz  

7. A violência pegou Tadeu além da imaginação  

8. Pombal - O Marquês que mandava e desmandava

9. A peleja do Cordel da Feira com a Internet 

10. Embolada no mundo de Shakespeare

11. Pequeno folheto para o Sertão da minha infância

12. O Canto da Aurora através dos tempos dos deuses e dos homens 

13. Noite de raposas e manhã de carcarás 

14. A história do espelho que mostrava as pessoas nuas

15. Memórias de um recruta do II / 7º RO 105mm

16. Noite de raposas e manhã de carcarás 

17. O cordel do alcoólatra que decidiu se tratar

18. A história do Hospital que resolveu fazer Humanização

19. A surpresa da escada do amor

20. A luta do povo brasileiro pela Assembléia Constituinte

21. George W. Bush e a maior mentira da história

22. Rixa de Bush com Saddan pode levar à 3ª Guerra 

23. A impressionante história do Marquês de Clement, em Paris

24. Verso do Governo Lula e os seus treze males

 

Ela tem tantos batentes,

Pelos quais vamos subindo,

Avançando e seguindo,

Continuando em frente;

Mesmo se desiludindo,

Todos continuam indo,

Lá ninguém é diferente.

 

A subida continua,

Por toda aquela escada,

Que é uma grande parada,

Maior do que muita rua;

Perigosa, engraçada,

Não se compara a nada,

Parece que se flutua.

 

Nessa seqüência subida,

Com pássaros e jardins,

Quem sabe até querubins,

Tudo de bom dessa vida,

Finda chegando ao fim,

Pois a escada é assim,

Nunca garante guarida.

 

Aí vem uma surpresa,

Bem lá no fim da escada,

Uma parede fechada,

Lisa, que é uma beleza;

Não tem por onde seguir,

Pode chorar, pode rir,

É coisa da natureza.

 

Não se entende por quê

Se fez uma escada dessa,

Que tem batentes à beça,

Quem poderia dizer?

Alguém pregou uma peça,

É isso que interessa

A gente compreender.

 

Não se quer descer de volta;

Ninguém gosta de perder,

Mas não há o que fazer,

Nem precisa de escolta;

O jeito é se render,

Começar logo a descer,

E ver se ninguém lhe nota.

 

Cada batente é uma lágrima,

É também, uma saudade,

Pois é fim indesejado,     

De deixar a cara pálida

Uma grande  decepção,

Mas por resignação,

Uma experiência válida. 

           

Resistindo e não descendo,

Tem de se abrir uma porta,

Até com a mão, não importa,

Todo mundo compreende;

Seria uma resposta,

Como todo amante gosta,

E o problema resolvendo.

 

Com sacrifício e fé,

Com muita perseverança,

Inocência de criança,

Amor de homem e  mulher,

Alcançará a bonança,

Pois o amor só avança

Do jeito que a gente quer.

 

Não acredito que o amor

Nos leve a nada ruim;

Então, fazendo por mim,

A parede derrubou;

Vejam só qual foi o fim

Que encontrei bem assim,

Quando tudo terminou.

 

Depois da parede, estava

Tudo que  a gente procura:

Sem choro nem amargura,

Vejam só quem lá morava;

Quanto mais tal aventura

Parecia uma loucura,

muito mais apreciava.

 

Vou lhe dizer a verdade

De quem estava ali;

Só acredito porque vi,

Creia-me, por caridade;

Quando rompi a parede,

Cansado e com tanta sede,

Vi logo a felicidade.

 

O pior é que ela disse

Que tinha ido pra lá

Sempre me vendo chegar,

Parecendo uma tolice;

Mas disse, pra terminar,

Que não iria chegar,

Se pra lá eu não subisse.

 

    FIM

 

(2003)

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