|
Na
frente, uma pracinha,
Para
onde todos iam
Não
importa o que faziam
Não
tinha gente mesquinha,
Eucaliptos
cheirosos
Rodeavam,
majestosos,
A
festa das criancinhas.
Tinha
um cruzeiro na serra,
Destino
das procissões,
Chegavam
até missões,
Muito
carneiro que berra,
Melão
Caetano no mato,
Pinto,
porco, galo e pato,
Espalhavam-se
na terra.
Na
feira, vendiam tudo,
Cobertor
para o frio,
Lamparina
e pavio,
Opercata
e canudo,
Corda,
arreio e limão,
Roupa,
picolé, sabão,
Até
disco de entrudo.
Tinha
ainda refeição,
Jerimum,
carne de sol,
Casinha
de caracol,
Ferrolho,
lápis, carvão,
Até
cachaça vendiam
E
muitos dos que bebiam,
Findavam
o dia no chão.
Mas
na rua em que morava
Ouvia
samba-canção,
Boleros,
que emoção!
Era
ali que eu brincava,
Tinha
jipe, caminhão,
Passava
até lotação,
Com
o povo que viajava.
E
vinham os carros de boi
Trazendo
coisas da roça
De
choupana ou de palhoça
Eu
me lembro quando foi,
Pois
eu pegava carona
Até
debaixo da lona
Do
carro de Zé Totôi.
Lembro-me
daquela estrada
Meu
pai fumando charuto
Um
casamento matuto
A
noiva toda enfeitada
Depois
o arrasta-pé
Você
sabe como é,
Uma
poeira danada.
Mas
nem só de alegria
Se
vive lá no sertão,
Pois
morrendo um cidadão
É
feita uma romaria,
Cantando
as inselença
Ali
todo mundo pensa
No
fim dos seus próprios dias.
Levei
carreira de touro,
Caí
até de cavalo,
Vi
gente sangrando galo,
Eu
tinha um grande tesouro,
Mel
de abelha na mata,
No
bolso nenhuma prata,
Mas
valia mais que ouro.
Carreguei
água em galão,
Chupei
picolé no bar,
Vi
o circo se armar,
E
um palhaço do pernão,
Papangu
no carnaval,
Que
vida fenomenal,
A
vida lá no sertão.
Era
tudo muito bom
Cada
um no seu lugar
Mas
algo de arrepiar
Ás
vezes mudava o tom
Pois
pra resolver intriga
Tinha
quem fosse prá briga
E
o tiro virava som.
Ah!
como lembro do dia
Em
que ao amanhecer
Minha
mãe chamou pra ver
A
cena que se estendia
Pela
calçada da gente
Uma
cena diferente
Que
quase que eu não cria.
Três
ciganos estirados
Mortos
em um tiroteio
Sem
direito a esperneio
Foram
logo baleados
O
grupo pouco pacato
Era
formado por quatro
Com
mais um do outro lado.
O
enterro foi chocante
Sem
caixão e sem escala
Botaram
em uma vala
O
grupo de provocante
Que
detratou a cidade
E
não teve piedade
Mas
encontrou a Volante.
Porém
vamos retornar
Para
as lembranças boas
Que
não são petas nem loas
Pois
pretendo inda contar
Das
minhas contemplações
Carregadas
de emoções,
De
sol, de chuva e luar.
Creia
que nem energia
Dessa
que hoje se tem
Chegava
ali nem além
Isso
não se conhecia
Quando
chegou Paulo Afonso
Para
substituir o Ronson
E
até hoje alumia.
Quando
vejo aquela Igreja
Lá
no alto da cidade
Sinto
uma forte saudade
Tanto
que até lacrimeja
Meu
olhar quase cansado
Que
não esquece o passado
Esteja
onde quer que esteja.
(01.11.2003)
|
|