Com uns tipos manuais
Muitos impressos
fazia
E assim ele vivia
Querendo um mundo de
paz
Mas ninguém
compreendia
Quando dizia que um
ida
Ia sair nos jornais.
Pois aquele
cordelista
Danou-se pra capital
Foi morar no areal
Ali bem perto da
pista
Sua cidade natal
Soube um dia, afinal,
Que se tornou
jornalista.
Mexendo com linotipo
Telex e off set
No fax pintou o sete
Sem falar no teletipo
Fazia até enquête
Só não comia gilete
Pois não achava
bonito.
Mas com aquele seu
dom
Muita coisa ele fazia
Sempre tinha uma
poesia
Recitada em bom tom
Tinha saudade da tia
e qualquer hora do
dia
escutava acordeon
Os anos foram
passando
o tempo não vai pra
trás
e aquele nosso rapaz
ia se adaptando
a tudo que a vida
traz
nada nunca é demais
e foi se
modernizando.
A maquininha Olivetti
Que usou anos
seguidos
Inda tinha nos
ouvidos
Qual serpentina e
confetti
Mas a marca dos
sabidos
Que ganhou novos
sentidos
Agora era a internet.
Nem mesmo questionou
A nova moda lançada
E de forma enviesada
Seus cordéis lá
colocou
Foi uma festa danada
A homepage lançada
Que ao mundo lhe
levou
Pois agora na
internet
O cordel vai mais
distante
Basta somente um
instante
E a história se
repete
São Gonçalo do
Amarante
Paris, Itu, num
berrante
Todo mundo se derrete
Sempre aparece questão
Sobre esse novo meio
Mas é somente
esperneio
De gente falando em vão
Basta fazer um
passeio
Sem cavalo e sem reio
Para entender o bordão.
Quando veio pra
cidade
Severino não deixou
Na terra que lhe
criou
A sua habilidade
Foi com ele e ele
usou
O dom que deus lhe
legou
Pra sua felicidade.
Se é por falta de
cordel
Pra seus versos
pendurar
Confesso que vou
mandar
Desenhar assim ao leu
Depois vou fotografar
E no site publicar
Ao lado do meu
farnel.
Do jeito que alguém
fala
Do cordel que foi pra
web
Com certeza não
concebe
Algo que chegou à
sala
Do pequenino casebre
Que não pode criar
lebre
Mas tem um micro na
mala
Por quê o computador
Pode chegar ao sertão
E na internet não
Tem lugar pra
rimador?
É uma aberração
Grande discriminação
Que ele não tolerou.
Acho que dei o recado
Quem quiser diga o
contrário
Pois em todo abecedário
Tem alguém
inconformado
E nesse rimar diário
Quero o futuro no páreo
Mas não esqueço o
passado.