Ele
era amigo do Rei
Que
se chamava José
Maltratava
até a fé
E
também fazia lei
Você
sabe como é
Ele
só queria um pé
Para
confrontar um frei
Com
aquela amizade
Virou
primeiro-ministro
E
num trabalho sinistro
Mandava
em toda a cidade
Ali
já tava bem visto
Que
ele mesmo sem ser Cristo
Mandava
mais que um abade
No
tempo em que ele viveu
Era grande o
despotismo
Um tempo de
terrorismo
Sobre o povo se
abateu
Foram anos de
sadismo
Parecia um grande
abismo
Uma escuridão de
breu
O marquês era
sabido
Tudo em volta
dominava
Até na escolta
mandava
Pra cidadão ou
bandido
Sua fama se
espalhava
E ele se credenciava
Um déspota
esclarecido.
Mas não era só no
reino
Que o Pombal influía
Ele também mandaria
Sem precisar nem de
treino
Nas colônias
portuguesas
De olho em suas
riquezas
E nas especiarias.
Ele mandou no Brasil
Sua palavra era
forte
No sul e até no
norte
Seu mando repercutiu
Ele era mesmo de
morte
Mudando até a sorte
De quem chegou, pois
partiu.
Os jesuítas,
coitados,
Que aos índios
ensinavam
Seus idiomas usavam
E foram escorraçados
Onde eles
trabalhavam
Ordens de Pombal
chegavam
E as portas se
cerravam.
Muitas escolas
fechadas
Fizeram um tempo
infeliz
Não tinha mais
aprendiz
O marquês não
aceitava
Foi do jeito que ele
quiz
Aula nem mais na
matriz
O despotismo
arrasava.
Neste tempo os
brasileiros
Sofreram um grande
atraso
E não foi pequeno o
prazo
Pois passaram-se
janeiros
O marquês fez pouco
caso
Como quem esquece um
vaso
Que vale pouco
dinheiro
Mas foi aquele marquês
Quem fez algo
interessante
Mesmo sendo
arrogante
Implantou o português
Como idioma
constante
Pra o Brasil ser bem
falante
Não contou nem até
três.
Por outro lado
Pombal
Só pensavam em
ganhar
E tratou de
organizar
Algo pro seu ideal
Passou a negociar
Para bem mais
enricar
Às custas de
Portugal.
Mas os revezes da
vida
Pegam também quem
é ruim
E com ele foi assim
Acabou sua guarida
Quando dom José
morreu
A rainha que sucedeu
Era forte e
destemida
Dona Maria Primeira
Ouviu a acusação
E tomou satisfação
Acabou a brincadeira
Mesmo pedindo perdão
Recebeu condenação
Pro resto da vida
inteira.
Ele perdeu seu poder
O patrimônio
confiscado
Deixou de ser açoitado
Foi desterrado a
valer
Pra bem longe foi
mandado
E nunca mais o
reinado
Ele conseguiu rever
Na distância,
abandonado
Com um castigo muito
mal
Foi o marquês de
Pombal
Sofrer um tempo
exilado
Ficou ali e morreu
Sem
poder nem apogeu,
Deu-se assim o seu
final.
Foi assim mesmo a
história
Daquele rico marquês
Eu agradeço a vocês
Que hoje me dão a
glória
De ter aqui minha
vez
Prá ler um cordel
por mês
Sobre derrota ou vitória.