Poemas de CORDEL

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Poemas de Cordel de autoria de Walter Medeiros - Natal - Rio Grande do Norte

10. Embolada no mundo de Shakspeare

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Quero contar pra vocês

Uma história interessante

De um povo bem falante

Pois agora é minha vez

Sheakspeare é o autor

Da história de Otelo

Não sei se era donzelo

Pois nisso ele não falou  

 

Desdêmona, sua mulher

Gerava desconfiança

Pois usava até trança

Iludindo a boa fé

Iago era o alferes

Um homem muito ardiloso

Dizem que era até dengoso

No trato com as mulheres

 

Ele convenceu Otelo

De que a sua bela esposa

Corria mais que raposa

Atrás de um homem mais belo

Iago roubou um lenço

Que só Desdêmona tinha

E com sua ma fé todinha

Deixou Otelo suspenso  

 

Aquele alferes tão falso

Fez mais uma presepada

Pois o lenço da coitada

Ele entregou a Cássio.

E Otelo inda dizia

Para seu amigo Iago

Que o assunto era vago

Ruindade nela não via  

 

1. A mulher que dançava até com um doido batendo na lata

2. Versos sofridos para um açude triste 

3. A despedida de Teodorico, o filho mais velho de Zaqueu

4. O tremelique do cabra que buliu com uma moça

5. Rimas para palavras e palavrões  

6. Para os encantados de Hiroshima, pela paz  

7. A violência pegou Tadeu além da imaginação  

8. Pombal - O Marquês que mandava e desmandava

9. A peleja do Cordel da Feira com a Internet 

10. Embolada no mundo de Shakespeare

11. Pequeno folheto para o Sertão da minha infância

12. O Canto da Aurora através dos tempos dos deuses e dos homens 

13. Noite de raposas e manhã de carcarás 

14. A história do espelho que mostrava as pessoas nuas

15. Memórias de um recruta do II / 7º RO 105mm

16. Noite de raposas e manhã de carcarás 

17. O cordel do alcoólatra que decidiu se tratar

18. A história do Hospital que resolveu fazer Humanização

19. A surpresa da escada do amor

20. A luta do povo brasileiro pela Assembléia Constituinte

21. George W. Bush e a maior mentira da história

22. Rixa de Bush com Saddan pode levar à 3ª Guerra 

23. A impressionante história do Marquês de Clement, em Paris

24. Verso do Governo Lula e os seus treze males

A coisa era mais braba

Pois com tal descaramento

O Cássio, que home nojento,

Passou o lenço na barba

Pois o mouro de Veneza

Como Otelo era chamado

Findou sendo corneado

Em sua vida burguesa

 

Ele era um mouro nobre

Que a República servia

Trabalhava noite e dia

Em meio a ferro e cobre

Ao seu redor, senador,

Fidalgo e o alferes

Tinha o bobo e as mulheres

Nem amante ali faltou

 

Marinheiro, oficiais,

Gentis homens, mensageiros,

Arautos e violeiros,

Quase ele não tinha paz

Mas não foi só sobre Otelo

Que o Sheakspeare escreveu

Ele também discorreu

Sobre floresta e castelo

 

Ele era persuasivo

Em tudo que escrevia

Mesmo sendo fantasia

Era tudo muito vivo  

Teve a Lady Macbeth

Que em sua persuasão

Convenceu o seu barão

A esquecer qualquer fé

 

Mandou que matasse o rei

Parecia até seu dono

Pois ela queria o trono

Mesmo por cima da lei.

Era muito egoísmo,

Invejas e ambições,

Dores, ciúmes, paixões,

Tinha até muito cinismo

 

Teve o Próspero, coitado!

Que numa estranha aliança

Buscou a sua vingança

Em espíritos aliado.

A maldade se reveza

Nas horas e nos minutos

Pois Cassius convenceu Brutus

A matar o Júlio César

 

E o rei da Dinamarca

Em fantasma transformado

Convenceu seu filho amado

Hamlet a lhe vingar.

E Romeu e Julieta

Que coisa triste e brutal

Era um feliz casal

Montéquio e Capuleto

 

Pois tanto eles se amaram

Mesmo contra os seus pais

Odientos e brutais

Que enfim se suicidaram.

Ainda nessa viagem

Encontramos a megera

Que nunca se desespera

Mas que levou desvantagem

 

O Petrúquio quem domou

A Catarina arredia

Dócil feito uma cotia

Submissa ela ficou

Aquele autor memorável

Mostrou a fraqueza humana

De forma muito bacana

Por isto é recomendável

 

Falou de força, fraqueza,

Também de felicidade,

Gozo, angústia, vaidade,

Era tudo uma beleza

Sheakspeare era fantástico

Dizem muitos entendidos

Em seus romances sabidos

Era leve e era drástico

 

Escrevendo tudo à mão

Era um autor medonho

Basta ler sobre o sonho

De uma noite de verão

Ali foi muito completo

Para Hermínia e Lisandro

Que de um elfo foi ganhando

Aquele seu novo afeto

 

Inefável, uma beleza

Que só pode emocionar

Quando ler e apreciar

O mercador de veneza

É uma tragicomédia

Onde Pórcia e Bassânio

Tiveram idéia de crânio

Shilock abala a platéia

 

Agora vou acabar

Pois senão acaba a graça

Vão ler o texto da farsa

Que eu quero agora lanchar

Por isso aqui me despeço

Vou saindo de fininho

Mas tudo eu fiz com carinho

Neste montinho de verso.  

 

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