Antigamente
o respeito
Era
quase natural
Na
zona urbana e rural
Era
tudo de outro jeito
Hoje a
coisa vai mal
E tudo
que é imoral
É o
que tá sendo feito.
Em
qualquer lugar que vou
Encontro
pornografia
Tem
delas que arrepia
Quem
nunca se acostumou
A ver
no seu dia-a-dia
Essa
linguagem vazia
Que a
cultura dominou
Mas
aqui não vou rimar
Com as
palavras que malho
Prefiro
jogar baralho
A tais
palavras usar
Se eu
cometer ato falho
De
qualquer santo me valho
Prá
me penitenciar
Muita
gente já sentiu
Algo
triste de verdade
Pois
até a liberdade
Recebe
agressão vil
Quando
vê essa disputa
No
meio de tanta luta
Pelo
bem desse Brasil
E
nunca tem quem socorra
Nosso
querido idioma
Pois
até gente de fama
Fala
palavrão na zorra
Não
quero uma redoma
Mas eu
me sinto na lama
Feito
uma velha cachorra
A
coisa é mesmo preta
Isso não
posso negar
Pois
vejo em todo lugar
A rima
da clarineta
Mas
consigo escapar
Aqui
basta me lembrar
Dos
olhos de Mariêta
Até
mesmo o mais sublime
Envolvimento
de amor
A
palavra deturpou
Acho
isso quase um crime
Pois
quem se enamorou
E fez
lá o seu amor
De
outra forma se exprime
Tem
rima também prá poda
Nesse
linguajar tão chulo
Que
faz qualquer um dar pulo
Feito
um samba de roda
Isso
também não engulo
Algo
que era tão fulo
Agora
é a maior moda.
E o
verbo que se vê
Quando
alguém se revolta
E a
sua ira solta
Manda
logo que você
Chamado
de idiota
E não
é uma lorota
Vá
se... eu não vou dizer
Mas de
toda essa verdade
Aquela
que choca mais
É
quando se vê casais
Sem a
menor caridade
Dizerem
que são os pais
De
crianças imorais
Mesmo
em tenra idade
É
como o Rei ficar nu
O tom
da pornografia
Pois
nomes que não se via
Para
rimar com umbu
Agora
em vez de umbuzada
A rima
fica danada
Pois não
dizem nem caju
Lembro
quando era menino
E via
com aspereza
Falarem
em safadeza
Era o
maior desatino
Agora
é uma tristeza
Acabaram
com a beleza
Do
inocente pequenino
Mas
ainda tenho fé
Que o
forró do sertão
Aquele
do Gonzagão
Será
sempre o que é
Mensagem
de emoção
Sem a
besta apelação
Do
Calcinha de mulher.
Acho
que falo verdade
Quando
digo que o povo
Tem
amor ao que é novo
Mas
gosta de qualidade
Sei
que tudo não resolvo
Mas
aqui agora eu louvo
Quem
faz o bem com vaidade.
Isso não
me santifica
Não
é isso que procuro
Esse
é um páreo duro
Pelo
que significa
Mas
almejo no futuro
Um
idioma tão puro
Que
nem a água de bica
Esse
é o meu recado
Espero
ser entendido
Senão
estarei perdido
Andando
prá todo lado
Quero
que tenham sentido
Como
é feio o alarido
Do
pornô banalizado.