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Não
pode ser diferente
A
origem da danada
Que
até de madrugada
Acha
dançar excelente
Prá
ir na sua passada
Precisa
ser da pesada
Senão
não tem quem aguente
Ela
veio lá da serra
Viveu
na roça plantando
Sua
vida era cantando
Até
que mudou de terra
Tá
na capital morando
E
sempre aproveitando
Toda
festa ela encerra.
Dura
feito antiga rocha
Ele
é forte prá chuchu,
Brinca
até de papangu
E
no São João tira tocha
Dança,
pula, come angu,
Sobe
em pé de mulungu,
Nem
aí ela afrocha.
Ela
é muito viajada
Conhece
o Brasil inteiro
Tira
férias em janeiro
E
sai toda preparada
No
clube ou no terreiro
Sambista
ou forrozeiro
É
uma mistura danada.
Até
em Caruaru,
Ela
já dançou na feira
Foi
em cima duma esteira
Dançou
chupando caju
Depois
dessa brincadeira
Comprou
uma frigideira
Prá
fritar ovo em Patu.
Dizem
que é sensacional
Ver
a dança da figura
Pois
aquela criatura
Já
teve até no jornal
Num
dia de festa pura
Dançou
como uma loucura
Nosso
Hino Nacional.
Dança
também ligeirinho
Tico
tico no fubá
Carinhoso,
Carcará,
Se
solta em Brasileirinho,
É
coisa de admirar
Quanto
esteve no Pará
Fez
um carimbó todinho.
Acharam
até que era trote
Outro
dia que alguém viu
Numa
noite ela sumiu
Vestida
até o cangote
De
repente ela surgiu
Sem
artifício ou ardil
Dançando
com Pavarotti
Nossa
amiga tem um pé
Que
um dia dança valsa
Mas
prefere mesmo a salsa
Você
sabe como é
Mas
se tirar sua alça
Der
um colant e uma calça
Ela
dança até ballet
Até
na festa do boi
Onde
tem gado nelore
Antes
que alguém deplore
Ela
diz logo a que foi
Dança
no som do folclore
Veste
um boi e se bole
Quando
se vê já se foi.
Mas
bom mesmo foi no dia
Que
ela foi prá Salvador
Foi
tanto que ela dançou
Pelas
ruas da Bahia
O
povo tanto gostou
Que
a meninada gritou
De
novo, vai, minha tia!
Lá
no Rio de Janeiro
Ela
também já dançou
Numa
escola desfilou
Pelo
sambódromo inteiro
Quando
o samba terminou
Sambando
continuou
Pelas
ruas do Salgueiro.
Outra
ocasião das boas
Que
ela gosta de contar
Foi
na noite sem luar
Tocada
pelas garoas
Foi
samba de arrepiar
Subiu
na mesa de um bar
São
Paulo viu, não é loa.
Com
a amiga Libânia
Ela
passou em Goiás,
De
Chalana, pelo cáis,
Dançou
uma linda guarânia,
Dizem
que não dançou mais
Porque
viu um capataz
Com
um gesto de cizânia
Com
todo aquele arrebite
Foi
parar em BH
Queria
também dançar
E
dançou tango no Elite,
Depois,
lá no Paraná,
Chegou
procurando o mar,
E
foi dançar, acredite.
Todo
dia se constata
Nova
dança da folgada
Que
não tem medo de nada
De
rato nem de barata
Sua
última parada
É
dançar bem animada
Com
um doido batendo a lata.
Mas
tenho que terminar,
Com
essa história da dança,
Pois
prá contar também cansa
Deixa
ela descansar
Quem
sabe outra festança
Lá
na Ponte da Aliança
Ela
não vai comandar...
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