Sebastião,
nosso amigo,
Ouvia
tudo atento,
A
pé ou no seu jumento
Ao
relento ou no abrigo
Pois
lá no seu firmamento
Os
dias eram sangrentos
Pode
crer no que eu digo.
Depois
de anos seguidos
Seu
tio não deu notícia
Tião
não tinha malícia
Sobre
os rapazes sumidos
Não
havia nem polícia
Parecia
fictícia
Saga
do filho perdido.
Rodrigues
todos chamavam
O
jovem que foi embora
Todos
sabiam agora
Como
a coisa se passara
Sua
mãe, bela senhora,
Com
um grande par de esporas
Na
caatinga desfilava.
Vez
por outra se lembravam
Daquele
menino forte
Que
enfrentava até a morte
E
a ninguém se dobrava
Não
praticava esporte
Mas
conhecia seu norte
E
dele não arredava.
Um
dia quis ser infante
Mas
não era seu destino
Pois
viu Antônio Silvino
Naquele
quente quadrante
Não
era um cabra fino
Mas
sempre teve domínio
Acertava
alvo distante.
Destemido
feito aço,
Saiu
então pela vida
E
sua maior guarida
Findou
sendo o cangaço
Lampião
veio em seguida
E
uma história dolorida
Findou
sendo o seu espaço
Nas
andanças que andou
Usava
bem seu punhal
Protegia
seu bornal
Nunca
ninguém lhe tocou
Xaxava
e comia sal
Não
queria fazer mal
Mas
disso não escapou.
Fez
tudo que o bando quis
Tinha
amigo e inimigo
Uns
matava pelo umbigo
Ou
sangrava no nariz
Tudo
isso que eu digo
É
apenas o que ligo
Sebastião
quem me diz.
Nunca
precisou de dó
Durante
a sua vida
Que
findou sendo perdida
Quando
foi a Mossoró
Na
cidade destemida
Ficou
cheio de ferida
Sua
sorte foi cotó.
Pois
Rodrigues que eu falo
Quando
entrou para o bando
Já
chegava se chamando
Com
um nome que é talo
Um
forte cabra lutando
Tinha
até certo comando
Para
outros respeitá-lo.
Conhecido
pela faca
Fez
fama pelas estradas
Tinha
gente apavorada
Se
abriam a matraca
Pois
aquele camarada
Que
viveu tanta jornada
Era
o cabra Jararaca.
Mas
aquele cangaceiro
Que
saiu lá do sertão
Era
o tio de Tião
Lutava
até por dinheiro
Protegia
seu gibão
Sem
qualquer contemplação
Passava
até atoleiro.
Tião
disse pros seus netos
Sobre
aquele seu parente
Como
era algo diferente
Muitos
ficaram discretos
Mas
às vezes sua gente
Até
fica bem contente
Faltam
dele com afeto.
Um
dos netos, certo dia,
Numa
aula de história
Sentiu
uma certa glória
Quando
o professor dizia
Que
era uma forte memória
Não
uma simples escória
Nem
tudo que se dizia.
Falava
sobre pataca
Essas
coisas que eu rimo
E
prá saber se Severino
Conhecia
Jararaca
Num
gesto de certo mimo
Ele
disse “é meu primo”
E
os colegas riram paca.
Mas
o rapaz ficou sério
Todo
mundo lhe olhando
E
ele foi confirmando
Com
certo ar de mistério
O
professor foi falando
E
os dados confirmando
Fazendo
seu magistério.
Ao
ver que era verdade
Os
rostos foram mudando
E
mais foram perguntando
Quanta
curiosidade!
O
jovem segue explicando
Muitas
dúvidas tirando
Com
toda simplicidade.
Depois
daquele momento
Levaram
na esportiva
Era
uma turma viva
Queria
ficar por dentro
Tinham
sempre uma assertiva
E
depois tudo deriva
Da
força do pensamento.
Quando
aparecia alguém
Que
o jovem não conhecia
Alguém
logo então dizia
Sem
fazer qualquer desdém
O
parentesco que havia
Era
tudo uma alegria
Não
escapava ninguém.
Sobrinho
de Jararaca,
Era
mesmo que dizer
Que
ninguém pode mexer
Pois
era o homem da faca
Faca
prá se defender,
Prá
matar e não morrer
E
até prá partir jaca.
Mas
Severino é tranqüilo
Acham
um belo rapaz
Dizem
até que é de paz
E
tem o melhor estilo
O
tempo não vai prá traz
Cangaço
não volta mais
E
ninguém quer mais segui-lo.
Termino
essa narração
Não
estou arrependido
Sinto
meu dever cumprido
Essa
é minha opinião
Espero
ter atendido
A
um antigo pedido
Do
povo dessa Nação.