Além de tudo é perverso,
Sem ética nem moral;
É mesmo gente do mal,
Mas está no Universo;
E seu maior ideal
É ver uma lei fatal
Nascer num novo
processo.
Ele defende o aborto,
É homem muito falante,
Tem um tom repugnante
Mas não quero lhe ver
morto;
Quero que ele se
espante
Com a verdade de Dante
Que é matar um zigoto.
Ao vê-lo todo
exaltado,
O filho de dona Bel
Que nunca foi bacharel
Nem tinha sido
testado,
Olhou a barra do Céu
E até quem tava ao léu
Foi ouvir o seu
recado:
- Neste dia iluminado
Da minha amada vida,
Esta pendenga sofrida,
Cheia de arrazoado,
Ganha a maior guarida
Para ser bem referida
Neste momento rimado.
- Pois neste mundo
malvado,
De tanto conceito
torto,
Vou também falar do
aborto,
Que está sendo
analisado
Da roça ao cais do
porto,
Temos muito bebê morto
E outros sendo
assassinados.
- Alguém terá
desconforto,
Mas quero falar da
vida
Que é sempre concebida
Como semente no horto,
Quando a mãe engravida
No instante dá guarida
Ao pequenino zigoto.
- Não sei por quê se
duvida
Daquele exato momento
Onde surge o rebento
E a pessoa é
concebida;
Nem mesmo o mais
avarento
Teria outro pensamento
Sobre aquela nova
vida.
Ao ver o homem rimando
O povo ficou feliz,
Pois um simples
aprendiz
Estava ali ensinando
O que a gente boa diz
No templo e na matriz
E ele foi assimilando.
É mesmo sinal dos
tempos
Tamanha aberração,
Pessoas sem gratidão
Que um dia foram
rebentos,
Mas defendem punição
Pra quem não tem
condição
De defender um
intento.
Depois da vida formada
Seus direitos se
garantem;
Nem mesmo o mais
falante
Consegue mudar mais
nada,
Pois se mudar é
mandante
De um crime
horripilante
Contra a vida
iniciada.
Não pode ter exceção,
Nem ser regulamentada,
Se não pode fazer nada
Durante a operação
A mãe pode ser poupada
Mas a criança gerada
Também precisa
atenção.
- O que ocorre,
entretanto,
É que a coisa é
diferente,
Pois tem muito
delinqüente
Deixando gente em
pranto,
Fazendo aborto
indecente
Traumatiza nossa gente
Ou manda pro campo
santo.
O filho de Dona Bel
Que tem pequeno
apelido
É conhecido por Dido
Falou até de bordel
Foi bastante aplaudido
E se já era querido
Virou rival de Miruel.
- Aborto é
incompetência
De pretensos
governantes
Que podem ser bem
falantes
Mas inventam na
ciência
Motivos extravagantes
Pra matar feito
marchantes
Muitos fetos, sem
clemência.
O filho que foi gerado
Precisa mesmo nascer
Seu direito de viver
Tem de ser assegurado
E o país tem que fazer
Toda segurança ter
Pra não ser
prejudicado.
Para evitar o aborto
Tanta gente sem apego
Só precisa de sossego
Não pode fingir de
morto
Saúde, escola,
emprego,
Formam o melhor arrego
E acaba este ideal
torto.
A questão é complicada
De saúde e de moral
Em busca do ideal
Tem gente desesperada
Pois no âmbito legal
Também precisa de aval
Debaixo daquela
espada.
Assunto tão vasto
assim
Precisa de discussão
Para não ficar na mão
Ou pra não passar por
ruim
Vamos ter reunião
Para saber a razão
De tanto aborto enfim.
Aborto é assassinato
De pequeno ser humano
Um gesto muito tirano
Um triste e horrendo
fato
Pois o feto com os
anos
Sem perigo de enganos
Pode ser Messias nato.
Uma criança, um filho,
É o que o feto é
Na barriga da mulher
Pode não ter todo
brilho
Pois quando em Nazaré
Maria provou a fé
Jesus não foi
empecilho.
Quem pode dispor na
vida
Da vida de outro
alguém?
Eu não conheço
ninguém,
Pessoa tão atrevida
Que tenha tanto desdém
Para fazer algo além
Dessa missão recebida
Uma nova vida humana
Não pertence a ninguém
Nem mesmo a mãe detém
A potência tão profana
Pegar futuro nenén
Matar um Matusalém
Que dura poucas
semanas
Miruel estava calado,
Ouvia a rima do Dido
Mas com um tom
atrevido
Resolveu dar um recado
Que o aborto tinha
sentido
Pois ele tinha ouvido
A fala de um deputado.
Dido então se
concentrou
E virou-se pro seu
lado
Com um tom emocionado
Rapidamente pensou
E naquele seu rimado
Sem se sentir
rebaixado
Mais uma rima mandou:
- Já pensou, seu
deputado,
Se a sua genitora
Fosse uma abortadora
Quando o senhor foi
gerado?
O Brasil outro seria
O senhor não viveria
Tinha sido
assassinado.
Mostrando conhecimento
Dido estava inspirado
E Miruel, meio acuado,
Já estava meio bufento
Já que tinha começado
Ficava todo animado
A cada novo momento.
Ninguém sabe de onde
veio
A carga de informação
Talvez da televisão
Pois ele nunca fez
feio
Assiste a programação
Se liga até no plantão
E nunca tem aperreio.
O jovem continuou
Sua bela prelação
Naquela situação
O aborto ele taxou
De morte sem compaixão
Pois lá na fecundação
A vida já se formou.
Aborto é infanticídio
Pois a mãe mata o
filho
Que considera
empecilho
Isso também deu no
vídeo
Mas é também um
martírio
Não digam que é
delírio
Pois é tudo homicídio.
Tem quem diga que o
aborto
É uma “interrupção”
Isso não é nada são
Por resultar em bebê
morto
É uma intervenção
Sem qualquer
contemplação
Deixa Miruel num oito.
Se trata de defender
Quem não pode
protestar
Pois gerado já está
Deseja sobreviver
Mas alguém quer lhe
matar
Se sua mãe abortar
Seu direito é só
sofrer.
Além de ser natural
A ida tem algo mais
Deus disse “Não
matarás”
Como lembra o Cardeal
O pastor não fica
atrás
Diz que é o Satanaz
Que provoca tanto mal.
A ciência comprovou
Algo ainda mais triste
No feto o sistema
existe
E ele sente muita dor
Mas a maldade persiste
O desumano não desiste
E anestesia indicou.
Sei que não falei de
tudo
Disse Dido a Miruel,
Mas mostrei que é
crurel
Você ficou meio mudo
Quem sabe se esse
cordel
Não tira você do fel
E lhe faz menos sizudo?
Miruel se concentrou
Para dar sua resposta
Com a voz sempre
imposta,
Mas uma lágrima rolou;
Como quem perde uma
aposta
Ele admitiu que gosta
Do que Dido lhe falou.
Disse que ia refletir
Sobre coisa tão exata
Que seu amigo relata
Sem intenção de ferir
Sabe que aborto mata
E agora até se retrata
Querendo se redimir.
Dido então se despediu
Abraçando Miruel
Seu jeito de coronel
Parece que se esvaiu
Os dois olharam pro
Céu
E como quem toma um
mel
A dupla então se uniu.
Agora a causa da vida
Ganha um grande aliado
O homem chegou vaiado
No fim já tinha
torcida
E aquela idéia sonhada
Pode ser realizada
Já está sendo
aplaudida.
FIM
.
