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As seculares injustiças
praticadas pelos governantes com as populações do Vale
do Açu foram denunciadas, sem boçalidade, mas com
determinação e persistência, através de 4 livros
escritos e publicados por um dos homens que mais
estudaram e pesquisaram aquela região de ricos
potenciais econômico, social, político e cultural.
O fenômeno em questão aconteceu a
partir de 1925 até o presente, sem a badalação dos
jornais, revistas e demais meios de comunicação, como se
nada tivesse ocorrido na história e política do Rio
Grande do Norte, a exemplo do que sempre acontece em se
tratando de fatos desta natureza.
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Copia Fiel - Hoje em dia, qualquer estudo sobre aquela
região, jamais poderá ser acreditado e fundamentado
– se não tiver a consideração ou conhecimento do que
foi experimentado e pesquisado por Manoel Rodrigues
de Melo, nascido em 1907 - Pendências, quando essa
vila fora distrito de Macau. |
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Manoel Rodrigues
de Melo |
Esta afirmação deve começar pelo
reconhecimento do prof. Luis Eduardo Suassuna,1
da cadeira de Mestrado em História pela UFRN, com o fato
de que ao examinar a tese de um dos seus alunos, sobre o
Vale do Açu, ficou sem condições de lhe conceder a nota
10 – porque ele deixou de consultar e incluir no seu
trabalho, a obra cultural desse jornalista, escritor,
pesquisador, professor e historiador.
O homem do Vale do Açu – foi
estudado em todos os aspectos sociais e culturais por
Rodrigues de Melo, desde a sua juventude, apesar de
haver saído daquela região aos 18 anos de idade, sem
qualquer base para a sua sobrevivência, em decorrência
das injustiças praticadas contra os seus pais no meio
rural, antes de 19252 – quando a família
entrou em decadência.
Para o conhecimento da vida e
pensamento desse homem – o primeiro passo poderia ser a
leitura do livro Terras de Camundá – 1971, sob a
forma de romance, feita de modo agradável, sensível,
simples e humano com alto nível, em que ele apresenta os
fatos e acontecimentos da sua viagem a Currais Novos,
fazendo a relação destes com os outros do seu local de
origem – Felisopólis3 ou Pendências.
Sem muita explicação e poucas
indicações sobre o motivo destruidor, comparável à
diáspora, dos Rodrigues de Melo, constituídos de 10
pessoas – foi descrita a perda ou tomada da Fazenda
Queimado, onde eles viviam com trabalho e todos os
recursos indispensáveis, em condições de nível médio,
sem riqueza, mas com dignidade, alegria e bem-estar.
Quando menos esperavam, os
Rodrigues de Melo ficaram sem terra, lagoas e carnaubal,
além do peixe, algodão e outros produtos, inclusive o
criatório de gado que foi tomado pelo agiota Olivério
Fernandes, fornecedor de empréstimo em dinheiro para a
fundação da cultura, mediante pagamento depois da
colheita.
No ano daquele financiamento foi
impraticável a produção de algodão, em virtude das
chuvas irregulares no mesmo período, razão pela qual o
produtor Manoel de Melo Andrade Filho, juntamente com
seus filhos, não tiveram recursos para saldar o débito
com Olivério, ao contrário do que esperavam fazer no
prazo acertado.
Então, por esse motivo, o pai do
futuro escritor, foi atingido com o “além da queda
coice”, isto é, depois de ver a sua terra tomada, também
ficou sem o local de moradia com a sua família, apesar
do compromisso assumido por Olivério no sentido de que o
seu compadre e familiar da sua esposa – continuassem
morando na casa daquela fazenda4 que lhe
pertencia.
- Quem suportaria, em plena
juventude, todo esse massacre em cima de sua família,
sabendo que dali por diante a miséria estava de cortinas
abertas para o seu mundo do futuro?
No início, meio e final do seu
livro Terras de Camundá, o autor faz questão de
mencionar o velho escravo com esse nome, vivendo em
Felisópolis-Pendências, durante o século 19, quando
morreu nessa condição e foi a primeira pessoa5
sepultada no cemitério daquela localidade, seguida por
outras criaturas humanas – brancas e pretas, iguais em
corpo e alma, assim como na vida e na morte.
Na perspectiva filosófica, M.
Rodrigues de Melo – MRdeM, através dos escravos negros e
brancos das Terras de Camundá, mais precisamente de toda
a população do Vale do Açu, desde Pendências e do
Baixo-Açu, faz o relato histórico, político, econômico e
social de uma situação da miséria injustificável, sem
razão de ser para o homem – se este tivesse os meios
necessários para o aproveitamento dos recursos naturais
existentes naquele espaço físico.
Outro pesquisador, jornalista e
escritor do Vale do Açu e Rio Grande do Norte, jamais
teve a capacidade e coragem de pensar e escrever à
semelhança do que fez MRdeM, não somente em jornais,
também em livros, acerca do homem e da terra naquele
Vale, assim como de quem viveu e continua, nas serras e
planaltos em contorno dele.
Esta dimensão da obra
rodriguiana ressurge de forma indireta, em
diferentes períodos do autor, desde a sua juventude,
quando trabalhava 14 horas por dia, no armazém Caboré,
em Currais Novos, sem os direitos trabalhistas, mas,
somente com os deveres estabelecidos pelo comerciante da
livre iniciativa, em favor de si, negando sempre o outro
semelhante.
Na condição de pobreza e
simplicidade, com poucos e minguados recursos
financeiros para sua alimentação, vestuário, saúde e
lazer – o jovem Manoel Rodrigues de Melo freqüentou os
dois primeiros anos da escola de Segundo Grau, em regime
noturno, depois do trabalho diurno, em companhia de
numerosos colegas, naquela mesma situação, de olhos
abertos para o futuro.
O futuro de MRdeM foi chamado de
O Porvir6 – 1925-29, jornal editado em
Currais Novos, conforme a linguagem da época, escrito de
forma manual, na primeira fase, com a participação dos
seus companheiros de escola e alguns professores que, em
seguida conseguiram fazer a impressão do mesmo e sua
distribuição no Seridó, Natal e Recife, contendo
artigos, informações e poesias.
Este foi o segundo passo de gigante
pelos diversos caminhos abertos em sua vida, através
daquele jornal do interior, feito com trabalho informal,
sem caráter profissional, como instrumento de estudo e
pesquisa marcando com profundidade – toda a
personalidade do homem-escritor, mais tarde revelada
pela revista Bando editada por ele em Natal, com
a participação de outros intelectuais.
Com a publicação dessa
revista-livro, Manoel Rodrigues vencera outro forte
desafio de sua existência, sem receio ou medo de
prosseguir na luta pela conquista do seu objetivo com
sorrisos e gargalhadas, característicos da sua maneira
de ser, a exemplo do que fez aos vinte anos de idade,
numa viagem pelo sertão, de Currais Novos a Pendências,
montado7 em mula, para fazer o percurso de
200km, em serras, planaltos, vales e matas no decorrer
de dois dias.
A razão maior para essa atitude
foi, por incrível que pareça, não somente a saudade de
seus familiares e amigos residentes em Pendências, mas,
sobretudo a estima, respeito e admiração pelos seus pais
e irmãos vivendo naquele povoado isolado das cidades,
sem as expectativas de melhorias nos sítios e fazendas
que ele conhecia muito bem, de forma objetiva e
realista, onde predominavam a ignorância, fome,
desemprego, doença e abandono causados pelos governantes
alienados da coletividade
Sede Própria – Depois do seu ingresso na ANL
– Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – 1951, Manoel
Rodrigues de Melo assumiu, também, mais um desafio para
sua vida: construir, mesmo sem recursos financeiros, a
sede própria daquela instituição acadêmica, sabendo
antecipadamente que não poderia contar com o apoio
decisivo dos 40 titulados ou imortais vivos
registrados pela Academia.
- Como resolver esse problema ou
assumir tal compromisso, sem dispor de recursos?
Tudo foi resolvido com a
disposição, boa vontade e confiança dos amigos,
inclusive médicos e políticos que reconheceram8
as boas intenções e seriedade do presidente da ANL,
especialmente o então governador Walfredo Gurgel, que
colocou à disposição daquela entidade uma considerável
parte dos recursos para a execução do projeto.
Com as bancadas da representação
política do Estado, nos planos Federal e Estadual, o
presidente da Academia não perdeu oportunidade para a
obtenção e liberação de subvenções anuais com a fim de
avançar na construção do edifício, tendo realizado o
mesmo esforço junto aos governos de Dinarte Mariz e
Aluízio Alves, sem fazer qualquer vinculação
político-partidária.
Os acadêmicos da ANL – sabem, por
sua vez, que MRdeM em muitas ocasiões, quando o caixa
daquela obra estava vazio – ele puxou do seu bolso o
dinheiro necessário para o pagamento de algumas contas
em atraso, de preferência as de pessoal, depois dos
serviços programados e executados em caráter de
urgência.
Por esses e outros motivos
singulares, o autor de Várzea do Açu –
passou mais de 20 anos na direção da ANL – fazendo a
construção da sede própria ou tomando as providências
externas com esse fim, movimentando-se9 em
seu Cavalo de Pau, feito com talo de
carnaubeira, conforme a sua recordação de menino na
Felisópolis criada nas Terras de Camundá,
mais precisamente em Pendências.
- Aí está a sede própria da
Academia Norte-Rio-Grandense de Letras construida com o
meu próprio esforço!
Se alguém, em qualquer época –
tiver a ousadia de afirmar que Manoel Rodrigues andou se
ufanando com essas palavras, sem dúvida teremos a
legítima e verdadeira capacidade para rebater, negar e
repudiar essa atitude contrária ao seu caráter e
personalidade de varziano coerente e simples como
o vento, que passa deixando a brisa para refrescar o
calor das tardes.
No entendimento da mídia de
resultados imediatos – parece que foi em decorrência da
falta de auto-apresentação-elogio, narcisismo e
cabotinice que MRdeM deixou de ter-ver o amplo
reconhecimento de sua obra pela coletividade potiguar,
nordestina e brasileira, a exemplo do que verificou-se
com outros autores de conteúdo menor e sem a mesma
experiência do real Badéo – saído da miséria10
e riqueza do Vale.
Se esta interpretação não tiver
fundo da verdade, então podemos agora recuperar o gesto
de “eira-sem-beira” ou desconhecimento sobre o espírito
e a alma da obra rodriguiana criada desde o
início do século 20, para que no atual tenhamos os
instrumentos básicos indispensáveis aos projetos das
novas gerações.
Como animal racional – o
homem-mulher sempre dispõe da capacidade de se comunicar
com toda a natureza e universo, visando fazer a sua
evolução no tempo e espaço em que estiver ouvindo,
falando, lendo, pensando e sentindo todos os sinais
animados pelo infinito cósmico.
- Quando e como vamos sair da
letargia, acomodação e alienação em que estamos situados
porque, geralmente, não temos partidas decisivas e
voluntárias?
A partida em direção ao Sertão de
MRdeM: vales, planaltos, serras, tabuleiros,
pedregulhos, sedimentos, caatingas, lagoas, riachos e
rios onde vivem ou vegetam os nossos semelhantes, tem um
custo – vontade, igual a que acontece sobre o
litoral das praias, ventos e chuvas certos ou
errados, em diferentes períodos, onde e quando ele
esteve, esquipando de olhos abertos, em cima do seu
Cavalo de Pau.
Grito sem Eco – Quando a Ecologia estava sem
eco – fora da preocupação social, sem o interesse dos
estudantes, professores e toda a intelectualidade, bem
como da coletividade brasileira e mundial – M. Rodrigues
de Melo gritava nas páginas de seus livros pela defesa
da Mãe Terra11 em termos globais, fazendo o
mesmo em relação ao Vale do Açu e Seridó, além de todo o
Rio Grande do Norte.
O varzeano de Pendências – fazia
isso sem o propósito de vaidade e projeção, longe dos
holofotes e das fotografias, pois a sua opção era uma
questão de convicção e determinação extraída do seu
pensamento de coerência com as necessidades sociais e
geográficas do Vale do Açu e Seridó, como também do
planeta Terra, partindo do princípio de que sem a defesa
e preservação do meio ambiente – todos os seres vivos
caminham, cegamente para a extinção.
- Nenhuma guerra, revolução ou
epidemia deixou, entre nós, vínculos tão fortes e
profundos de sua passagem, como a remotíssima e sempre
atual batalha das secas, trazendo no seu cortejo as
conseqüências mais trágicas e dolorosas, quais sejam: a
nudez, a fome, a peste, a orfandade e a própria morte.
Esta afirmação de Manoel Rodrigues
revela, por si só, a sua interpretação12
ecológica acerca das secas nordestinas com sua dimensão
sócio-econômica em que ele, também foi uma das vitimas,
à semelhança dos milhões de seres humanos, inclusive dos
indígenas – estigmatizados e extintos durante as vinte
gerações da história do Brasil que se tornou
incompetente para solucionar a maior questão regional.
A falta de competência para
conviver e superar às longas estiagens tem,
naturalmente, outro aspecto, talvez maior do que o
governamental – a consciência e responsabilidade social,
para que desse modo os governantes sejam impulsionados
como instrumentos do povo para atender às suas
necessidades, ou seja, o governo tenha a capacidade de
reconhecer na prática – o que é democracia.
Aquele Grito sem Eco foi
concebido durante os anos de 1930, sem ter sido ampliado
ou levado ao conhecimento do público, de maneira
concreta e objetiva, o que só veio acontecer em 1939 –
quando da primeira edição de Várzea do Açu,
seguida pela segunda – 1951, ampliada e anotada pelo
autor, quando então, provavelmente a questão do meio
ambiente teve mais consideração nas páginas dos seus
livros.
No seu quarto de estudos da rua
Afonso Pena – Natal, entre os livros e jornais, MRdeM
plantou a semente da ecologia, assim como fizeram os
profetas, anunciando os pensamentos adquiridos e
formulados – para que a humanidade tenha mais sabedoria
e evolução pelos caminhos que vem pisando, em busca do
bem-estar e da felicidade distantes.
O testemunho de maior expressão
rodriguiana pela Ecologia foi a defesa da centenária
Tamarineira localizada em Pendências, quando o sistema
de eletrificação urbana chegou àquela cidade com a
determinação para que a mencionada árvore fosse
destruída e arrancada, dando lugar à posteação de
concreto que se fazia indispensável.
Por conta de tal exigência, Manoel
Rodrigues de Melo encaminhou aos jornais de Natal – o
seu protesto e razões para que essa providência não
fosse tomada, acrescentando que a Tamarineira constituía
um dos maiores símbolos da população pendenciana, pelo
fato de ter sido plantada pela mulher de Félix
Rodrigues, fundador12 da vila que se tornou
cidade e mais tarde município.
Em conseqüência do protesto – a
mesma Tamarineira continua viva13 e
exuberante no centro geográfico daquela cidade,
produzindo frutos todos os anos, além de sombra e
purificação do ar – para os habitantes, sendo ao mesmo
tempo, um ponto de referência memorial para a história e
cultura da população.
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A velha tamarineira de
Pendências |
Honoris Causa – A concessão do título de
Doutor Honoris Causa a Manoel Rodrigues de Melo em
1995, pela UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do
Norte, na gestão do Reitor Geraldo dos Santos Queiroz –
foi, inegavelmente a maior homenagem de reconhecimento
ao trabalho do jornalista, pesquisador, escritor,
romancista, etnólogo e historiador.
- Como e de quem partiu essa idéia?
Antes da tomada de tal decisão pelo
Conselho Universitário, houve uma reunião no auditório
da Biblioteca Zila Mamede em que o assunto girava em
torno de homenagem ao Badéo do Vale do Açu, mais
especificamente de Pendências, em que os participantes
reconheceram, sem indiferanças, aquela pretensão.
Na mesma ocasião, um jornalista
varzeano, discípulo de Manoel Rodrigues, aproveitou a
oportunidade para dizer aos presentes que seria muito
bom e justo – pensar na concessão de um grande título
para ilustrar a vida e obra daquele homem, em caráter
definitivo e publico.
- Quem foi que falou isso?
O importante, nesta história – é
Manoel Rodrigues e a UFRN, assim como a cultura
registrada e recuperada na Várzea do Açu – para que não
venha ser extinta pelo tempo e o esquecimento das
populações sem memória dos séculos passados e atuais.
Naquele momento da UFRN, o então
Pró-Reitor Willington Germano teve uma palavra decisiva,
corajosa e oportuna em favor de Manoel Rodrigues de
Melo, afirmando que poderia ser concedido a ele14
o título de Doutor Honoris Causa – pela sua produção
investigativa acerca dos costumes, hábitos, fracassos,
vitórias, alegria e tristeza, fome, doença, morte e
miséria, assim como a riqueza no Vale do Açu das “cheias
e secas” ainda existentes.
Antes de ser criado o curso
superior de Geologia pela UFRN, o mesmo jornalista
varzeano, através do jornal Tribuna do Norte
publicou matéria considerando a necessidade do ensino
dessa disciplina por essa Universidade, a qual teve uma
repercussão bastante positiva.
As informações – fizeram o reforço
indireto no sentido de que os trabalhos com essa
finalidade, sob a coordenação do professor Mario Moacir
Porto, ex-Reitor da UFPB, tivessem prosseguimento no
Ministério da Educação para que fosse realizada a
oficialização e aprovação do curso, o que se deu
posteriormente, atendendo às expectativas geológicas do
Rio Grande do Norte.
No dia em que for contada e
registrada a história MONUMENTAL de Manoel Rodrigues de
Melo poderão ser feitos todos os esclarecimentos em
torno das questões relacionadas com ele, seus
discípulos, amigos e familiares – se houver o interesse
social-coletivo em torno da história e cultura feitas
pelo homem avesso às medalhas.
Pingo d’Água – Aqui reside uma contradição
que pode ser comparada com a “mula-sem-cabeça”, ou seja,
ao fato de que MRdeM depois de muito ter falado e
escrito sobre o fenômeno das águas no Vale do Açu,
durante toda a sua vida – 88 anos, está na
Internet-Google, sob apenas dez referencias15
contendo informações que pouco correspondem ao trabalho
intelectual dele.
Este fato comparado ao que foi
produzido, quase nada representa em termo de comunicação
para que a obra – venha ser mais conhecida, pesquisada e
qualificada de acordo com o seu conteúdo de valor não
somente literário, mas histórico, econômico, político,
sociológico e psicossocial, além do ecológico – todos
muito bem caracterizados nos livros escritos e
publicados.
- Como seria possível explicar este
impasse?
A mídia regional e nacional sempre
esteve distante de Manoel Rodrigues, enquanto ele, por
sua vez, preferia continuar no seu canto, longe dos
holofotes, apesar de ter procurado os intelectuais do
seu tempo, através de livros, cartas e entendimentos
pessoais, sem fazer deles – o canal de acesso ao publico
brasileiro.
Outro lado interessante,
relacionado com o segredo do espírito de MRdeM: na sua
descendência sociofamiliar e psicocultural, de forma
direta e indireta, é o fato de haver cerca de 10
jornalistas16 profissionais, dos quais a
maioria reside em Natal, de médio entendimento em torno
de quem deixou um dos maiores exemplos sobre o
jornalismo.
Se tal situação fosse diferente,
certamente toda a obra de MRdeM já estaria cobrindo todo
o globo terrestre – levando a mensagem de riqueza e
miséria do Vale do Açu, para o mundo inteiro, assim como
o belo e feio, alegria e tristeza com o sal, o sol, a
terra, a água, os vegetais verdes, os numerosos pássaros
– periquitos verde-amarelos.
Os jornalistas quando decidem fazer
alguma coisa – logo conseguem os resultados esperados,
de maneira positiva, em atendimento às expectativas da
maioria interessada pela solução do problema.
Se formos esperar que amanhã ou
depois, as instituições culturais atendam às
necessidades de comunicação social – para a obra
rodriguiana, talvez venha ser tarde demais para a
atualidade e a responsabilidade dos jornalistas
aculturados ao MRdeM que iniciou a sua vocação de
escritor – fazendo um jornal manual, após muito trabalho
em loja comercial, entre as serras do Seridó.
Nas escolas e universidades, se
houvesse mais conhecimento da obra de MRdeM, os
estudantes poderiam fazer com que esta fosse motivo de
estudo, pesquisa e trabalhos escritos dos próprios
alunos, viagens de estudo, debates e seminários em que
seriam incluídos, para efeito comparativo, outros
autores norte-rio-grandenses.
Enquanto não houver esse
procedimento cultural – os autores dos melhores
trabalhos continuarão desconhecidos, esquecidos,
abandonados e no ostracismo histórico em que vivemos
desde o começo da colonização brasileira – abrindo o
nosso maior espaço para os livros estrangeiros.
No mundo moderno acabou-se o mito
da ilha isolada no globo terrestre, pois a Internet, com
as suas falhas – tornou-se a linha virtual que envolve
todo o espaço cósmico, em pleno século 21 – da
Informação ou do Conhecimento.
O melhor testemunho de respeito e
admiração à imprensa e ao jornalista – feito por MRdeM,
consiste no seu Dicionário da Imprensa no Rio Grande
do Norte - 1909-1987, com 269 páginas, nas
quais17 ele relaciona, após longa pesquisa
histórica, os jornais e revistas editados no interior e
Capital do Estado, sob dificuldades extremas.
Com vistas à formação dos jovens de
todo o Nordeste, não somente do Sertão, como do Litoral,
de características que parecem ser complicadas no vasto
plano cultural e sociológico – pelo menos a maioria
dessa população, através de suas escolas, poderia
adquirir a necessidade de leitura e reconhecimento das
157 páginas do Cavalo de Pau escritas por Manoel
Rodrigues.
- Quem estudou, pesquisou e
analisou todas as dimensões do menino-jovem nordestino
brasileiro nas mesmas dimensões desse autor?
É bem provável que a resposta
adequada esteja na dependência de um seminário acerca
deste assunto, para que assim tenhamos oportunidade de
examinar os demais autores preocupados com os meninos e
suas condições de vida, desde as zonas interioranas dos
serrados, vales, planaltos, agrestes e litorais.
Os jornalistas de todas as
categorias18 – empregados e patrões, parece
que ainda não perceberam, nem sentiram a pena ou o lápis
de Manoel Rodrigues escrevendo no curso de toda a sua
vida, em defesa da sociedade – mulheres e homens que
fizeram a história do pequeno Rio Grande do
Norte, nas piores épocas.
Espera-se que algum dia – os ventos
e rios da cultura, desde a Várzea do Açu, Terras de
Camundá e Cavalo de Pau, além de outros livros –
sirvam de incentivos para que as gerações de hoje e
amanhã tenham melhores e maiores conhecimentos sobre o
homem e a natureza que somos e vivemos.
Espaço Cultural – Com a disposição da família
Queiroz, mais precisamente Tereza Aranha, Gerôncio,
Geraldo e Salete – todos naturais do município de
Pendências, através da Fundação Félix Rodrigues criada
em 1997, os expoentes humanos daquela cidade começam a
reconhecer os valores de Manoel Rodrigues de Melo.
Isto vem sendo feito, desde
dezembro de 1998 – quando foi organizado o Espaço
Cultural19 com o nome do escritor varzeano,
reunindo grande parte do acervo cultural relacionado com
MRM em forma de arquivo, não somente a respeito dele,
como ainda de outras famílias pendencianas.
A razão fundamental para essa
providência relacionada com a cultura varzeana – foi,
nada mais, nada menos, do que os estudos de MRdeM,
registrados em seus livros, em torno da questão social
existente em toda a história do Vale do Açu, resultante
das secas e enchentes, dos recursos naturais e toda a
complexidade regional.
Na perspectiva do passado, presente
e futuro o Núcleo Cultural vem sendo, objetivamente, uma
das melhores oportunidades para a valorização,
reconhecimento, documentação e pesquisa sobre a obra
intelectual desse homem e todo o povo varzeano, desde o
início dos tempos – para que, desse modo, não se perca a
memória dos mortos e vivos criados pelas gerações dos
ventos e águas daquele imenso Vale ligado ao oceano.
Este exemplo deveria ser conhecido,
admirado e respeitado pelas instituições culturais do
Rio Grande do Norte, de maneira objetiva, concreta ou
real – pois daí seria mais fácil e viável compreender a
linha do pensamento rodriguiano, segundo a abordagem do
mistério cultural na alma de Camundá e do Cavalo de Páu
confeccionado pelos meninos com os talos da Carnaubeira.
Esses meninos – acreditam que os
prefeitos do Vale do Açu, de preferência os de
Pendências, Alto do Rodrigues, Carnaubais e Macau
levantem suas cabeças e abram os olhos para cumprimentar
Manoel Rodrigues de Melo, na passagem dos 100 anos do
seu nascimento, dos quais teve 88, até 1995 – estudando
e pesquisando o homem e toda aquela natureza.
Os meninos do Cavalo de Pau
sabem que através dos cavalos de ferro da Petrobrás,
mediante o interesse dos prefeitos de Macau, Açu,
Pendências, Alto do Rodrigues, Carnaubais todo o acervo
de MRdeM poderá ser resgatado e incluído nos recursos
digitais da Internet – para que dessa forma o mundo
inteiro venha conhecer a Bacia Potiguar com a sua
população, todo o petróleo, as várzeas, as enchentes, os
carnaubais e o imenso potencial existente naquela área.
Até mesmo o Sindjorn - Sindicato
dos Jornalistas Profissionais poderia iniciar os
entendimentos20 com essa finalidade,
considerando que Manoel Rodrigues teve uma atuação
bastante significativa sobre a imprensa escrita do
Estado, desde o princípio do século 20, além de 1987 –
quando publicou a primeira história dos jornais ou
Dicionário da Imprensa, com 269 páginas, 22 anos antes -
da fundação desse órgão de classe em 1979.
|
- Quem mais no RN estudou e
pesquisou os jornalistas e a imprensa?
Obras em Resuno
M. Rodrigiues de Melo21
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01 - Várzea do Açu
1940 – São Paulo – 184 pgs.
02 - Patriarcas & Carreiros
1944 – 64 pgs.
03 - Várzea do Açu
1951 – Rio de Janeiro – 284
pgs.
2ª. Edição – Revista e
Anotada
04 - Pesquisas Sociológicas
Natal – 1952
05 - Cavalo de Pau
1953 - Rio de Janeiro – 157
pgs.
06 - Terras de Camundá
1953 – Rio de Janeiro – 157
pgs.
07 - Augusto Franklin – Sacerdote,
Jornalista e Orador
1954 – Natal – 64 pgs.
08 - Chico Caboclo e Outros Poemas
1957 - Rio de Janeiro – 114
pgs.
09 - Dicionário da Imprensa no Rio
Grande do Norte
1987 – São Paulo, Natal –
269 pgs.
10 - Cavalo de Pau
2002 – Natal – 157 pgs.
2ª. Edição.22
............................................................................
Notas:
01 -
Depoimento oral do prof. Luis Eduardo Suassuna,
adiantando que tem admiração e
respeito às obras do mencionado autor.
02 - M.
Rodrigues de Melo, 1972 – p.25 narra como foi perdida a
Fazenda Queimado,
em forma de romance, sem haver resistência da família,
pelo menos através da
Justiça que, naquela época não oferecia amparo legal com
essa finalidade.
03 - No
romance Terras de Camundá, Pendências foi carcterizada
de Felisopólis, desde
o início até o fim do livro.
04 -
Ver M. Rodrigues de Melo, 1972 – p.7 explicando quem é
Camundá.
05 -
Idem, ídem.
06 - O
primeiro jornal feito com a participação de M. Rodrigues
de Melo e outros
estudantes do curso noturno, foi editado em Currais
Novos – RN, denominada
Galvanópolis, sob o título de O Porvir ou O Futuro,
estes no romance Terras de
Camundá, p.172.
07- A
descrição completa da viagem de M. Rodrigues de Melo –
1972 está inserida no
seu livro Terras de Camundá com bastante riqueza
de imaginação em que o autor
mergulha fundo na sua realidade e sonhos relacionados
com o Vale do Açu, mais o
Sertão de forma artística e cultural, considerando além
disso as injustiças sociais
das épocas
08 - A
posse de Manoel Rodrigues de Melo - MRdeM na Academia
Norte-Rio-
Grandense de Letras foi realizada, depois de sua
eleição, a 13 de Abril de 1950,
quando assumiu o compromisso de trabalhar para que fosse
construída a sede
própria da instituição, o que foi possível durante 20
anos com a inauguração a 23
de Janeiro de 1976.
09-
Com o seu paletó e gravata usados, diariamente, M.
Rodrigues de Melo andava
diariamente pelas ruas de Natal, especialmente do Tirol
para a Cidade Alta, além
de Petrópolis e Ribeira – sempre caminhando, subindo e
descendo ladeiras,
falando e sorrindo com os seus conhecidos e amigos –
imaginando-se montado em
seu Cavalo de Páu, a exemplo do que fez na
juventude em Pendências.
10 - O
maior problema da família Rodrigues de Melo foi causado
com a perda da
Fazenda Queimado, de 530 hectares, 35km ao Sul de
Pendências, na localidade
Ilha do Queimado, em forma poligonal – de cinco pontas
circuladas por três rios -
o Açu e dois braços deste, com terminais no litoral de
Macau, segundo a estimativa
atual extraída do mapa de Pendências – 1999, na escala
de 1:100.000, editado pelo
Idema. Ver mapa.
11 -
Ver M. Rodrigues de Melo – 1951 – pp. 107, 108.
12 -
Idem, idem – p.78 – seguida de foto.
13 -
Idem, idem.
14 - A
proposta do prof. Willington Germano foi manifestada
durante a reunião com a
presença do então Reitor Geraldo Queiroz.
15 -
As informações sobre a obra de Manoel Rodrigues de Melo
foram extraídas do
Google, nos últimos dias de Outubro – 2007.
16 -
Como sobrinho de 1º. Grau M. Rodrigues de Melo tem um
jornalista, seguido de
mais quatro – filhos de outros sobrinhos,
enquanto na descendência psicocultural,
de forma direta e indireta há outros
profissionais dessa categoria.
17 -
M. Rodrigues de Melo, 1987. Livro pioneiro sobre a
imprensa no Rio Grande do
Norte.
18 -
Idem, idem. Fonte de conhecimentos para jornalistas e
empresários da mídia.
19 -
Espaço Cultural Manoel Rodrigues de Melo – unidade de
preservação da obra
cultural do homenageado, criado pela Fundação
Félix Rodrigues, sediada em
Pendências.
20 -
Desde os 18-20 anos de idade, Manoel Rodrigues tornou-se
jornalista, sem
trabalho profissional, começando pelo
interior - Currais Novos e depois em
Natal, sempre escrevendo para jornais e
revistas.
21 –
M. Rodrigues de Melo – nome estabelecido pelo Autor em
seus livros.
22 -
O pensamento de MRdeM sobre os
meninos
do Vale do Açu, Seridó e todo RN,
assim como do Nordeste está nas páginas do
Cavalo de Páu, assim como as suas
preocupações em torno da escassez de estudos
sociológicos sobre este assunto,
sem a necessária fundamentação, especialmente
quanto a origem dos hábitos e
costumes dos meninos no plano mundial.
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O autor é jornalista, sociólogo, pesquisador – membro do
IHG-RN
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A Ilha do
Queimado está circulada na parte superior do mapa,
onde fora encravada a Fazenda Queimado – 35km
ao Sul da
cidade de Pendências. |
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