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O
extermínio dos povos indígenas na região Nordeste
brasileira é, sem dúvida, um absurdo que se tornou
realidade, de forma parcial, exceto no Rio Grande do
Norte e Piauí – onde, neste caso, foi radical, ou
seja, a população dos “gentios” nativos deixou de
existir desde 1825, quando 60 índios foram trucidados.
-Quais
as explicações para essa ocorrência que se tornou,
praticamente desconhecida no decorrer dos últimos 180
anos?
Aqui,
começa o grande questionamento acerca deste assunto,
especialmente agora, diante das informações feitas
pelo IBGE, de que no território norte-rio-grandense
ainda vivem mais de 3 mil indígenas.
No mistério desta situação apresenta-se a
confirmação do contexto sobre a grande diversidade
cultural em que vivemos, desde o tempo da colonização,
por efeito dos acontecimentos europeus caracterizados
pelas guerras de 30 a 100 anos, que resultaram na fome,
desemprego, doenças e miséria na Europa de 4 séculos,
depois do Império Romano.
Recorde-se que a corrida para a conquista da América
foi causada, não somente pelos destroços das guerras,
mas, também pelas idéias elaboradas pelos iluministas,
entre os quais Montesquieu, Rousseau e outros que deram
início ao movimento de renovação nas estruturas européias.
Sob essa perspectiva mundial – estão os
motivos do etnocídio nordestino, mais precisamente no
território potiguar, feito pelos colonos
luso-brasileiros com as garantias governamentais do
reinado espanhol-português, visando dominar a terra e
os recursos naturais brasileiros.
Para que esse plano fosse efetivado, segundo a
concepção colonialista, havia somente uma saída: usar
todos os meios para a extinção das populações
primitivas que se recusaram à entrega do patrimônio e
escravidão aos exploradores.
A resistência nativa sobre a colonização, logo
foi manifestada de formas variadas e contraditórias, não
somente no meio interno – entre os naturais da terra,
assim como nos diferentes grupos de europeus de
nacionalidades diferentes, os quais faziam as manobras
contrárias entre as tribos.
Com essas habilidades intrigantes ou manobras políticas
foi construída no Brasil, durante todo o tempo colonial
– uma monumental torre de babel, sem ter o
reconhecimento dos índios, pois na sua forma de ser
desconheciam esse comportamento dos homens brancos ou
civilizados.
As intrigas tiveram o ritmo progressivo, desde os
primeiros dias da ocupação, sempre fazendo com que os
indígenas fossem explorados, até que a partir de
1581-1598, no reinado de Filipe II – Espanha-Portugal,
as coisas se agravaram em todo Brasil de então,
sobretudo no Rio Grande.
Por motivos religiosos e econômicos, as guerras
da Europa foram exportadas para América que passou a
ser local de refúgio dos perseguidos europeus dispostos
em reiniciar suas vidas no Novo Mundo, sob as mais
diversas condições, mesmo sabendo, teoricamente que
poderiam ser ricos em poucos anos.
Foi no âmbito do Rio Grande que se localizou a
maior resistência aos colonizadores, mediante a provocação
destes para que os povos do mato fossem descartados de
seus bens naturais e ficassem em condições inferiores
aos animais.
Daí por diante, as lutas e guerras causadas
pelos brancos levaram mais de 200 anos, com algumas tréguas
silenciosas e acordos de paz feitos com os índios, sem
o cumprimento dos governantes.
- Existe a comprovação histórica acerca desta
afirmação?
As numerosas respostas sobre esta indagação
figuram nos livros de Câmara Cascudo – 1955, João
Ribeiro – 1908, Pedro Puntoni – 2000, André Ribard
– 1964, Darcy Ribeiro – 1965, Frank Lestringant –
1997, Boris Fausto - 1998 e outros.
Os autores em questão apresentam vários pontos
diferentes acerca deste assunto, mas, no fundo são
iguais quando afirmam que a Guerra dos Índios,
denominada Guerra dos Bárbaros foi o maior
acontecimento de resistência aos governos do Brasil
colonial.
As diversidades em torno dos relatos assinalam
que no universo de 40 autores, nem um deles estabeleceu
o mesmo período para a Guerra dos Índios, fato este
que revela a falta de organização sobre o estudo da
história que, no sentido racional e sistemático –
seria um fator de conhecimento e orgulho para as gerações
do futuro.
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PRÓXIMO
ARTIGO - Como organizar o estudo sobre a Guerra dos Índios?
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