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O estudo de organização da Guerra dos Índios
ainda está para ser feito no Brasil e especialmente na
região Nordeste, onde, neste caso, tudo começou,
quando este país estava resumido ao litoral nordestino.
Os numerosos autores da história dos indígenas
brasileiros permanecem com as suas informações cheias
de confusão e, talvez contradição, sem haver a
preocupação para uma definição verdadeira e sistemática.
Nos demais paises sul-americanos,
felizmente, a pesquisa abriu e criou os caminhos para a
organização da história feita pelos índios de forma
objetiva e racional, sem as confusões e tampouco as
negativas que fazem dos nossos primitivos os “animais
sem fé e sem Deus.”
- Qual a importância do índio na história
do Nordeste?
Esta questão jamais foi analisada, de forma
coletiva ou social, nos estudos em torno dos povos
nativos que viveram em terras situadas às margens de
rios e do oceano, na dependência exclusiva de seus
recursos naturais e em regime comunitário.
Apesar disso, os costumes e hábitos
nordestinos estão, profundamente, marcados pelos povos
das selvas, desde o amanhecer até a noite, durante 24
horas, segundo os fatos relatados nas páginas da história
e reconhecidos em algumas investigações feitas à luz
da antropologia.
Os grandes conflitos dos civilizados
europeus com os selvagens brasileiros foram iniciados em
1530, nas aldeias de Copaoba1, onde o Ouvidor
Geral Martim Leitão com sua tropa, exterminou cerca de
20 mil indígenas Potiguar e queimou vinte aldeias
localizadas naquela área.
Naquele mesmo ano, o rei Filipe II da
Espanha e I de Portugal, iniciou as guerras contra os
Inca, a partir do Peru, visando destruir todo o patrimônio
econômico e cultural dos nativos na América do Sul2,
com o fim de obter, também, toda reserva de ouro e
prata.
Em decorrência desses acontecimentos – o
mais certo e razoável, de acordo com a lógica do tempo
e da história, é sem dúvidas, reconhecer que a Guerra
dos Índios no Nordeste ou Brasil de então, não foi iniciada em 1687, como assegura a maioria dos
historiadores, mas em 157 anos anteriores.3
Quando houver o reconhecimento desta afirmação,
aí certamente será aberta a luz da verdade sobre os
mitos e fantasias situados nas formas de escrever e
analisar os fatos que constituem a história indígena.
Sem haver esta dimensão – seria
praticamente inviável guardar o respeito e a convicção
sobre os relatos da história indígena, mesmo
considerando que estes foram efetuados por viajantes e
observadores interessados no menosprezo, correção e
extinção dessas populações.
Os europeus da colonização fizeram tudo
que podiam com o fim de eliminar ou substituir a vontade
dos índios, pois estes serviam de impedimento às
explorações que tinham sido adotadas visando à
recuperação da Europa4 arrasada e destruída
pelas guerras dos Cem Anos.
Apesar de tudo isso, a diversidade cultural
indígena ou indodiversidade tem sido negada pela
maioria dos civilizados ou brancos do presente e passado, sendo este outro fator de incoerência5
na perspectiva da cultura brasileira que se diz –
procura se afirmar de modo democrático.
- Como organizar o estudo da história
acerca dos povos indígenas massacrados na imensidão do
Nordeste?
Após os cinco séculos do êxodo em questão,
agora podemos afirmar que neste assunto não existe,
assim como noutros, os donos da verdade espalhados pelas bibliotecas das instituições,
inclusive as universitárias, os quais admitem ser intocáveis.
No mundo atual da Internet – o
conhecimento tornou-se acessível, muito mais do que em
todos os tempos, para qualquer pessoa, desde que
disponha5 do meio de acesso ao sistema
internacional da comunicação que se expande em cada
segundo.
O como
organizar é simples, objetivo e viável.
Antes de qualquer iniciativa – basta ter a
vontade e decisão para conhecer mais o patrimônio
nativo que restou da exploração do Nordeste,
depositado no subsolo, assim como na vida real dos
sucessores que fazem à nação brasileira.
A objetividade para esse trabalho –
poderia ser constituída, através de reuniões, seminários
ou encontros para o estudo, debate e conclusões em
torno deste assunto, ou seja – organização da história
sobre as guerras indígenas – suas causas e efeitos.
Com essa providência, a partir do Rio
Grande do Norte e da Paraíba, seria possível recuperar
o que foi perdido na estrada de 500 anos, coberta pelo
esquecimento e abandono dos civilizados sobre os indígenas.
A recuperação dos valores primitivos –
seria um passo decisivo para superar toda a alienação
cultural de cinco séculos em que vivemos separados e
divididos das mulheres e homens que fizeram as nossas
bases de origem.
_____
Notas:
1.Copaoba,
atual Serra da Raiz, município da Paraiba, 120km de
Natal e 92, de
João Pessoa, onde a 24 de dezembro de 1530, Martim Leitão
incendiou mais de
15 aldeias habitadas por cerca de 20 mil índios
Potiguara aliados dos
franceses, segundo a narração escrita Por
Um da Companhia de
Jesus, Anônimo
– no final do século 16, edição do Senado Federal,
2006.
2.
Documentário em History Channel – sobre os povos Inca
– Peru, divulgado em
Julho-2006.
3.
Lyra, A. Tavares de – 1982, História do Rio Grande do
Norte.
Cascudo,
Luis da Câmara – 1955, História do Rio Grande do
Norte.
4.
Ribard, André – 1964, A Prodigiosa História da
Humanidade.
5.
Sites sobre história dos Índios, na Internet – para
estudo e pesquisa.
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