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O
conceito negativo sobre a cultura dos povos indígenas1
foi estabelecido desde o período anterior ao
colonialismo, como decorrência do propósito social,
econômico e político para a dominação das terras e
todo o patrimônio das populações nativas
latino-americanas.
Quando
os europeus fugitivos das guerras de cem anos e da
Inquisição do Santo Ofício – 600 anos, chegaram ao
território do Novo Mundo, aqui encontraram, depois da
oferta de muitos presentes, a grande resistência2
estabelecida aos seus planos de ocupação.
Naquele
momento histórico e político – teve prosseguimento a
diversidade cultural conhecida e, ao mesmo tempo ignorada pelos
europeus, apesar de ter sido adquirida no início de sua
existência3 ou quando a Europa estava em
formação, desde o Império Romano.
Antes
mesmo da Inquisição – foram realizadas numerosas
guerras no Velho Mundo, antes e durante os governos
papais, sempre com objetivos de dominação pelas famílias
e outros grupos4 interessados na aquisição
de bens e patrimônios para elevação do status
de riqueza e poder.
Essa
mesma situação foi transferida, inicialmente para toda
América, através dos colonos saídos das guerras, prisões,
masmorras, refúgios, perseguições, cavernas, além de
outros sítios, inclusive os residenciais, escolares e
estabelecimentos governamentais5 que não
aceitavam os rebeldes aos princípios das instituições.
Sem
considerar esse comportamento, os civilizados europeus,
ao desembarcarem nas terras latino-americanas, esperavam
e queriam encontrar – a condição de paz, bem-estar e
tranqüilidade que eles não haviam conquistado entre si6
ou no meio em que viviam – Europa.
Os
intelectuais do Iluminismo criado no século 15, quando
a Europa abriu suas asas para a expansão, não souberam
ou não tiveram as condições para repassar os seus
conhecimentos aos outros homens, especialmente os
rebeldes – sedentos de informações e conceitos novos
daquele tempo.
Os
povos indígenas daquela mesma época, estavam em situação
pior do que os civilizados, à semelhança do que ainda
vivem, atualmente, em pleno século 21, depois de tanta
experiência, evolução, tecnologia e informatização,
além de outros recursos da globalização.
A
diversidade cultural – jamais deixou de haver entre os
homens, em qualquer condição, mesmo em se tratando de
pessoa a pessoa, como resultado da causa e efeito
inerentes7 à personalidade do ser humano,
assim como nos irracionais e vegetais que fazem o
infinito da vida.
Os
colonizadores que fizeram o extermínio dos índios no
Rio Grande do Norte conseguiram, através do tempo,
deixar a sua herança para outras gerações de
brasileiros, inclusive os chamados de potiguar8
vivendo no litoral e sertão, sem olhar para o seu
passado.
Em
menor dimensão, ou seja, sem o etnocídio
norte-rio-grandense, aconteceu na região Nordeste – a
semi-extinção dos indígenas, durante9 228
anos - 1597-1825, depois do que foi realizado pelos
europeus, sob alegação de que os homens das selvas
“não tinham fé, nem Deus”.
Os
atos e fatos de perseguição, morte dos índios
brasileiros, assim como de todos os rebeldes10
ao status-quo
permanecem no cenário da atualidade, ainda como
resultado dos padrões adotados pelas raízes iluministas.
Ao
contrário de outros povos, a evolução cultural deste
país tem sido escassa e lenta, especialmente no tocante
aos seus povos primitivos, os quais são rejeitados
pelas minorias de figuras elitistas que influenciam no
esquema do poder, preferencialmente em benefício próprio.
A
terra em que nasceram e viveram grandes lideranças índias
– Potí, Janduí, Canindé, Paraupaba, Jaguararí11
e muitos outros sucessores de Potiguaçu no Rio Grande,
têm renegado a pesquisa constante e programada sobre os
feitos desses homens filhos da natureza.
Os
historiadores desligados desta questão justificam a sua
posição12 com a teoria de que os indígenas
não têm história, nem cultura – porque não sabiam
descrever o que viam e imaginavam, tampouco os
acontecimentos do meio em que viviam.
Esta
posição – parece ser equivocada, sem fundamento
concreto e objetivo, se considerarmos que a experiência
nativista está marcada, de maneira abundante, pelas
inscrições rupestres13 nas pedras, com
pinturas de animais e aves, além das cerâmicas, depois
do que fizeram em madeiras e ossos deixados nos caminhos
dos séculos.
Com
o trabalho de investigação pela Arqueologia – esta
hipótese poderia ser confirmada na dimensão do território
sul-americano, assim como do potiguar14 e
nordestino, sem a necessidade de esforços impossíveis,
desde que houvesse o sentido da coerência na visão da
diversidade cultural.
Nos
Andes peruanos, a Indocultura vem sendo manifestada,
desde o interior do solo, baseada na observação e
pesquisa oral, visando à revelação15 de
que os povos indígenas foram e são homens em qualquer
período da humanidade.
No
universo da harmonia e integração sócio-cultural –
seria inconcebível admitir que as escolas e
universidades existentes no RN, não disponham de cursos
para o ensino de Antropologia e Arqueologia que se
tornam fundamentais para o conhecimento da Indocultura,
como fator da evolução humana.
A
esperança é de que este impasse16 venha ser
resolvido, segundo o entendimento da abertura universitária
para a maioria das mulheres e homens que pretendem fazer
os caminhos racionais para a evolução da coletividade
na cultura.
Na
visão da autocrítica, o encaminhamento evolutivo dos17
indígenas, também depende das organizações sociais e
culturais que se dizem responsáveis pelo
desenvolvimento da sociedade, na perspectiva da
harmonia, para fazer a igualdade com liberdade.
...........................................................
Notas:
*
O autor é
jornalista, sociólogo pela UFRN, sócio do IHG-RN,
Naya-Argentina e pesquisador.
01.
O índio tem o seu mundo mítico, o seu mundo religioso,
o seu mundo mágico. O mundo mítico,
a
fonte do conhecimento: como surgiram a noite e o dia,
por que chove, essa coisa toda. Tassara,
Eda
– 1991, p.53 citando Orlando Villas-Bôas
-
Gambini, Roberto – 1988, pp.192,193.
02. Lógica do
autor sobre as guerras feitas na Europa, ao mesmo tempo
da Inquisição do Santo
Ofício,
a partir do século 14, segundo diversos autores, entre
os quais Rabinovitch em filme
documentário
sobre os Arquivos Secretos da Inquisição, da History
Channel, editado em
setembro
– 2006, para o Brasil.
03. Na história
do Império Romano observa-se a freqüência das diferenças
sociais e culturais
reconhecidas
pelos imperadores, mesmo depois de reunidos vários
povos, os quais continuaram
com
as suas identidades próprias, desde a invasão dos bárbaros.
04. Com o
apoio de vários papas, a família Médici tornou-se a
mais poderosa do mundo, em virtude
da
sua riqueza, até o ponto de fazer outros papas, para
atender ao interesse imediato do grupo
familiar.
05. No período
da colonização – os índios e escravos rebeldes
refugiaram-se em cavernas do litoral
e
sertão, depois de perseguidos pelos militares e civis
que procuravam expulsa-los quando se
recusavam
às tarefas do trabalho forçado.
06. Os
governos europeus – França, Espanha, Portugal,
Inglaterra, Holanda e outros paises –
fizeram
do Brasil, o melhor porto para os seus desempregados,
condenados à guerras que
exigiam
recompensas das autoridades. O príncipe Maurício de
Nassau e Mascarenhas
Homem
vieram da Holanda e Portugal, para governar Pernambuco,
com grandes divergências
que
terminaram em guerras. Lira, A. Tavares de – 1982.
07.
Darwin, Charles – Caps. 2 a 4, In Origem das Espécies,
sem data.
08. O povo
Potiguara – foi o mais perseguido, a partir de 1530,
pelos portugueses que fizeram a
expulsão
dos franceses do litoral e sertão, até 1587, mediante
o apoio da Espanha. Por
um da
Companhia de Jesus –
autor desconhecido, 2006.
09.
No comportamento diário dos brasileiros, especialmente
os nordestinos, depois dos cinco
séculos
da colonização, ainda são observados os traços da
cultura indígena: palavras do
Tupi,
alimentos, higiene física – banho, dormida em rede,
etc. Cascudo, Luis da Câmara -
1983.
10.
A consciência do brasileiro nordestino sobre o
tratamento aos indígenas, continua na escala
regressiva
- desde a colonização, começando
sobretudo na Copaoba, atual Serra da Raiz – Pb,
onde
foram dizimados em 1587 – cerca de 15 mil nativos –
Potiguara, na véspera do Natal.
Idem,
Nota 8.
11.
Os estudiosos da história indígena, no Rio Grande do
Norte – ainda não fizeram a organização
desse
trabalho, pois cada um deles estabelece uma data
diferente para a Guerra dos Índios ou
Guerra
dos Bárbaros. Autores diversos.
12.
A história indígena – está em várias etapas, sendo
a primeira nas inscrições rupestres,
existentes
em demasia pelo Nordeste, assim como nos artefatos de
pedras, muito comuns nas
áreas
do sertão, onde a pesquisa arqueológica se faz
presente. Guidon, Niède e outras, desde
1983.
13.
Idem, idem. Nota 12.
14.
Entre a maioria dos arqueólogos e historiadores
preocupados com a questão indígena – a
rivalidade
tem sido constante: diversidade cultural que se
manifesta sob alegação de que os
primeiros
não aceitam os argumentos feitos pelos últimos, ou
seja, a predominância do
empirismo
sobre a racionalidade, como se um não fosse dependente
do outro, para efeito de
pesquisa.
15.Ver
site www.naya.org.ar.
Sem ponto final.Tudo minúsculo.
16.
As maiores universidades sediadas no RN – UFRN, UnP,
UERN e Facex ainda não dispõem
do
curso Superior de Arqueologia, motivo pelo qual centenas
de jovens vivem reclamando
sobre
essa deficiência que compromete o presente e futuro das
gerações.
17.
São desconhecidas ou inexistentes as posições e
obrigações das instituições culturais do RN
sobre
a questão da Nota 16, inclusive o CEC-RN – Conselho
Estadual de Cultura, IHG-RN e
outras
constituídas de intelectuais especializados no estudo
da Cultura e História.
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