|
Os
resultados dos estudos históricos sobre os povos indígenas
brasileiros, sobretudo do Nordeste – continuam sendo
os mais confusos, complicados e dispersos, sem o mínimo
de organização e tampouco de lógica que deveriam ser
corrigidas, pelo menos, nas instituições de pesquisa e
ensino.
Esta
realidade está configurada em fatos e atos que
comprovam uma espécie de tratamento burguês e
preconceituoso1 de graves conseqüências
para a cultura e a história feitas pela ideologia
racista e, portanto incapaz de reconhecer a dimensão da
grandeza humana e social.
-
Qual o fundamento desta afirmação, considerando a
existência de pesquisas editadas sobre os indígenas do
Brasil?
Os
professores e estudantes das escolas são quase unânimes
no desconhecimento sobre a importância dos povos indígenas,
especialmente ao se tratar dos acontecimentos passados
relacionados2 aos índios: condições de
vida, costumes e hábitos, línguas, meios de produção,
idéias e pensamentos, além de outros fatores da vida
primitiva.
Quando
em 1759 o Marquês de Pombal expulsou os Jesuítas do
Brasil, eis que naquele momento histórico, a cultura
indígena foi castrada radicalmente, juntamente com as
diferentes e numerosas línguas adotadas por cada povo,
mesmo levando em conta que antes dessa providência, a língua
Tupi3 era a mais usada de norte a sul do país.
Foi,
também, a partir daquele ano que a extinção dos ameríndios
brasileiros teve o maior incentivo e assumiu proporções
gigantescas, mediante o apoio governamental, segundo a
vontade militar racista reforçada pelas elites4
do colonialismo constituído de grandes fazendeiros do
café, cana de açúcar e dos mineradores.
Um
dos inúmeros exemplos desta natureza, ainda reside no
Rio Grande do Norte: entre 1597-1825 – no espaço de
228 anos, foi realizado o genocídio5 dos índios,
como represália à resistência deles aos
colonizadores, daí resultando o fato da erradicação
dos povos em questão.
Em
contrapartida, alguns setores do estudo nesta área,
admitem que no território potiguar ainda existam índios
legítimos, segundo o que vem sendo afirmado pelo IBGE,
assim como os contatos6 de especialistas,
feitos na zona rural, depois das indicações de que as
doenças, perseguições, mortes e expulsões foram as
determinantes para o desaparecimento dos Potiguara e
demais povos.
Alguém,
certamente, “está querendo tapar o sol com a
peneira”, o que na realidade não será confirmado,
pois na verdade já foi comprovado que o RN e Piauí –
são os únicos Estados da Federação, sem a presença
do indígena extinto pelas diversas guerras ocorridas
antes, durante e depois da colonização, a exemplo do
que ainda se verifica em outras regiões do país.
As
páginas da história assinalam que outro etnocídio
ocorreu em 1586 – quando Martim Leitão, na véspera
do Natal – 24-12, durante somente um dia, mandou
assassinar 15 a 20 mil índios Potiguara na serra da
Copaoba- Paraíba, de 50 aldeias com grandes estoques de
algodão, milho, feijão e mandioca.
-
Qual o juízo da história em torno desses
acontecimentos?
Esta
concepção está para ser feita, considerando a falta
de evolução das gerações civilizadas, em torno da
solidariedade, respeito e coerência aos indígenas, até
mesmo na atualidade, através das várias formas de
exclusão geradoras do abandono e do suicídio
praticados em diferentes tribos do Amazonas.
No
mundo dos civilizados, alguns setores dizem ainda que
esta seja uma “questão das minorias”, isto é,
problema isolado da coletividade, sem representação ou
interesse da sociedade moderna, como se esta não
tivesse o processo de causa e efeito fundamentado nas raízes
do ser primitivo e selvagem.
Se
a consciência brasileira – fosse capaz de examinar o
quadro das injustiças de sua origem, certamente poderia
iniciar esta longa tarefa, com um Grande Júri Popular
sobre os crimes praticados contra os índios, desde
1500, para que assim a maioria da população tomasse
conhecimento da carnificina de quase 300 anos.
O
primeiro passo, neste sentido, deveria ser do Rio Grande
do Norte, onde começou a Guerra dos Índios ou
Confederação Cariri, provocada pelos governantes
colonizadores das terras descobertas para a criação de
gado e plantação da cana de açúcar.
Com
os seus guerreiros das selvas, Janduí foi longe –
recebeu o apoio e participação de outros povos –
mais de 100 mil pessoas, de todo Nordeste, os quais
foram combatidos com armas de fogo dos bandeirantes ou
paulistas, enquanto os índios usavam flechas.
Naquela
época – séculos l6 e 17, o Velho Mundo – Europa9
estava na Guerra dos 100 Anos exportando para América
as suas vitimas: gente fugitiva da miséria causada
pelos conflitos europeus.
O
TERRORISMO da bestialidade do presidente Bush não tinha
evidência, naquela
época
européia, mesmo que mais de 20 países fossem
envolvidos na corrida expansionista adotada pelo
movimento cultural Iluminista
e pela Inquisição
do Santo Ofício, esta
patrocinada pela Opus Dei que continua viva no mundo e na capital paulistana, sob a
coordenação de Geraldo Alckmin, como parte de rede
mundial.
Jamais
seria possível duvidar que a corrupção do Brasil
atual constitua um “pingo dágua no oceano”, em
termos comparativos ao que vem sendo praticado pelos
governos anteriores, desde a mentira da descoberta de
Cabral, em direção à Índia, ao passar pelo litoral
brasileiro, depois de movido pelos ventos fortes do
Sahara na direção do Nordeste.
A
herança maior do Brasil de então, ficou no Nordeste de
hoje, desde o Rio Grande que teve de acréscimo, apenas,
a palavra Norte servindo de orientação com rumo,
infelizmente ignorado no presente - para o futuro indígena.
Aqui,
projeta-se o mapa da alienação histórica elaborado
desde 1500, sem definir os seus princípios, nem
objetivos e valores que deveriam, necessariamente
determinar o que pretendemos ser na esfera da cultura
mundial.
Depois
dos cinco séculos de história – continuamos a busca
de outro Norte, pois o original permanece no campo da história
sem rumo, caracterizado pela política isolada da
cultura e sua evolução.
Notas:
01.
Ribeiro, Darcy -1996, pp. 67-80
02.
Levantamento do autor – 2002: em cada 10
pessoas entrevistadas, apenas duas tinham conhecimento
sobre a história dos índios no Rio Grande do Norte.
03.
O marquês de Pombal, José de Carvalho e Melo,
ao fazer a expulsão dos Jesuítas em 1759, também
eliminou a língua Tupi, reforçando o uso da
Portuguesa. Fausto, Boris – 1998, pp. 109-112.
04.
Idem, idem – Fausto, Boris – idem.
05.
As guerras contra
os indígenas foram realizadas no Brasil colonial, em
períodos diferentes, sendo que o maior deles foi em
1662, quando a rainha Luiza de Gusmão, regente do seu
filho D. Afonso IV, mandou uma carta datada de 9 de
janeiro, ao
governador do Brasil, Francisco Barreto, para que fosse
realizada a guerra total aos índios, desde o Rio Grande
e demais capitanias. Revista do IHGP – N. 30, p. 38.
06.
Os índios legítimos são indicados por
descendentes de povos nativos, ainda existentes no
interior potiguar, sem a comprovação cientifica
requerida com esse fim – para o RN, Paraíba e todo o
Nordeste.
07.
Por
um da Companhia de Jesus,
Anônimo – 2006, pp. 95-99.
08.
Os índios do sertão chefiados pelo cacique
Janduí – passaram 48 anos esperando que os holandeses
lhes dessem o apoio necessário para fazer a expulsão
dos portugueses do Brasil. Martins, Fátima – 2003, p.
80.
09.
A descoberta ou ocupação da América, mais
precisamente do Brasil – 1500, foi decorrente da
Guerra dos 100 Anos, quando o principado europeu entrou
em decadência e procurou se recuperar – fazendo a
conquista do Novo Mundo. Ribard, André – 1964 –
Vols. I, II.
10.
Idem, idem. V. Nota 9, acrescentando-se as
informações da atualidade, em que o presidente G.W.
Bush, dos Estados Unidos, declarou guerra ao terrorismo
em setembro de 2001, começando pelo Afeganistão e
Iraque, visando garantir a produção/importação do
petróleo.
11.
As denuncias de corrupção no Brasil atual,
podem ser consideradas semelhantes ao tempo da colonização
– quando os poderosos usavam suas riquezas para
dominar os índios que não aceitavam a perda de suas
terras, feita pelos colonos, sob a proteção dos
governantes.
12.
O Rio grande do Norte do século 16 – foi a
capitania de expressivo destaque no Brasil, motivo pelo
qual recebeu o maior quartel militar ou fortaleza para a
defesa portuguesa que estava dominando o território,
desde a cidade de Santos Reis, atual Natal. Galvão, Hélio
– 1979.
|