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O ser humano poderá realizar qualquer plano,
desde que esteja imbuído da
vontade, decisão, consciência e fundamentação acerca dos
seus objetivos, considerando, sobretudo o efeito social
do que ele pretende fazer para atender às necessidades
do coletivo e individual que caracterizam os motivos
para a sua criação e existência no mundo.
Este dispositivo apresenta-se de forma
invisível na figura coletiva e pessoal, apesar de sua
realidade na composição mental em que são geradas as
ações e todo o comportamento da vida racional que fazem
a história da existência humana na perspectiva do tempo.
Águas Revoltas
As idéias iniciais são decorrentes das
confusões manifestadas sobre a transposição das águas do
rio São Francisco para o semi-árido do território de
Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e
Ceará por iniciativa do Governo Federal, em fase de
implantação.
Os meios de informação – falam de acordo com
os seus interesses, a favor e contra esse projeto, sem
examinar o lado social, ou seja, a necessidade de fazer
com que o homem seja preparado, educado e incentivado
para receber esse benefício que, de alguma forma,
certamente poderá transformar a vida dos pequeno e médio
produtores rurais estabelecidos nas terras secas.
A transformação, também poderá ser negativa
ou positiva – se antes mesmo da transposição não houver
a capacitação do homem para saber como usar a água no
seu meio de produção, mais precisamente na terra
improdutiva.
Este é o maior segredo da transposição, pois
sem o reconhecimento dele, as fortes correntes das águas
continuarão levando o homem, os animais, as aves, o solo
e toda a natureza para as profundezas do oceano, a
exemplo do que vem sendo feito, por falta da
racionalidade.
O lamentável e inexplicável – é a
predominância da semi-aridez com seus efeitos
irreparáveis em todo o Nordeste, pelo simples fato de
não haver a determinação da coletividade humana – para
que as águas desperdiçadas na terra e no mar sejam
aproveitadas.
- E daí, o que fazer na transposição?
A resposta depende de muito raciocínio,
equilíbrio, amadurecimento e a vontade indispensável
para fazer com que as secas não continuem sendo os
maiores empecilhos do bem-estar sócio-econômico para a
coletividade do nordeste brasileiro.
Esta opção tem sido impraticável – segundo o
que temos observado nos mais de quinhentos anos da
história brasileira, sem haver, pelo menos, algum sinal
de mudança em torno da costumeira “fábrica da seca”
feita com alicerces políticos, administrativos e até
mesmo culturais.
Além disso, temos ainda, de maneira
sistemática, as posições e argumentos de especialistas
técnicos, autoridades e figuras elitizadas, assim como
de gente humilde, simples e vítimas diretas da aridez
climática – as posições de condenação ao PISF – Projeto
de Integração do Rio São Francisco.
TALVEZ possamos admitir que – os adversários
da transposição tenham as suas razões, quando emitem as
opiniões em defesa da ecologia do Nordeste, sem
esclarecer que tanto no passado, como na atualidade, a
miséria humana causada pela estiagem, também não é
correta.
- E agora, estamos ou não no caminho sem
volta?
No mundo atual, assim como no antigo, não temos motivos
para essa conclusão – se tivermos o bom-senso da
existência de soluções nos dois períodos, para fazer com
que os efeitos do semi-árido, sejam apenas uma questão
física de convivência do homem sobre a natureza.
Iniqüidade ou Pobreza
O presidente da ACI – Aliança Cooperativa
Internacional, Ivano Barberini foi quem disse o
seguinte, dia 12 de março deste ano, durante a 8ª
Reunião dos Ministros de Cooperativas da Ásia-Pacífico,
realizada em Kuala-Lumpur: A sociedade moderna precisa
de uma rede cooperativa para refrear a crescente
iniqüidade e pobreza no mundo atual.1
No universo dos 40 milhões de brasileiros
vivendo na miséria, dos quais a maioria reside ou anda
vagando pelo Nordeste, avistamos “a crescente iniqüidade
e pobreza” como fração de 70 por cento da população
mundial vegetando pelos caminhos da aridez global em que
a ignorância, doença e morte são permanentes.
- As leis e outros instrumentos, segundo
Barberini, permitem às cooperativas competir no mercado
global que respeite os critérios universais aceitos pela
ONU, OIT e outras organizações internacionais.2
A rede cooperativa é possível em qualquer
parte do mundo, inclusive onde ocorrem as maiores
dificuldades sócio-econômicas - a exemplo do Nordeste
banhado pelas secas temporárias que desgastam os
diversos planos da vida, de acordo com a história do
cooperativismo.
No caso da transposição do São Francisco, os
grandes problemas que advirão dessa providência
governamental, poderão ser resolvidos, sem dúvidas,
pelos produtores rurais que venham ser cooperativados,
conforme os princípios desse movimento.
Para garantir a existência desse suporte, os
responsáveis pela transposição, mais precisamente o
Governo Federal, poderão fazer com que o programa
mencionado especifique, concretamente, a viabilidade
para que os futuros usuários de tais recursos – sejam
organizados em cooperativas.
Sem tal providência governamental, a
especulação de que a transposição do São Francisco será
útil e muito agradável para a ampliação e expansão dos
grupos privados da agroindústria – será confirmada em
prejuízo da coletividade social que forneceu os recursos
financeiros – via recolhimento de impostos, para
executar o projeto.
Se o governo Lula não aceitar esta
proposição de incentivo para assegurar os positivos
resultados da transposição, através do sistema
cooperativo – pode “lavar as mãos” ao modo de Pilatos,
entregando o programa a quem não precisa dele ou
pretende, somente ter mais capital.
A escolha do cooperativismo na transposição
inclui, ainda, a decisão no sentido do acompanhamento
com incentivos e fiscalização, não somente na
implantação dos projetos sócio-econômicos, bem como no
prosseguimento deles, mediante as condições desse tipo,
estabelecidas em harmonia com os participantes das
cooperativas.
As prerrogativas dos princípios
cooperativas: livre adesão, gestão democrática pelos
sócios, participação econômica eqüitativa, autonomia e
independência; educação, conhecimento e informação;
cooperação entre cooperativas e interesse pela
comunidade – são indispensáveis para organização,
funcionamento e desenvolvimento.3
Entre os sete princípios estabelecidos pelo
sistema cooperativista – todos eles são necessários e
decisivos para a sedimentação da iniciativa, sendo que o
da educação, conhecimento e informação tornaram-se uma
prioridade básica e essencial – para a história
cooperativa em qualquer parte do mundo.
Sem a prática ou realização desses
princípios – a cooperativa jamais poderá ser útil e
corresponder às expectativas dos associados e suas
famílias, como também da sociedade para que ela foi
constituída de formas direta e indireta, por intermédio
dos seus componentes.
Quando esse procedimento está fora do
espírito cooperativista – a conseqüência jamais poderá
ser outra: fracasso, de modo objetivo e concreto, a
exemplo do que tem sido constatado em todo o desenrolar
desse movimento que já passou por mais de século e vem
marcando progresso ou superando crises sociais, guerras,
desastres e toda espécie de desafios.
- A pobreza no mundo atual, constituída de 1
terço da população mundial, poderia ser a cinza do papel
queimado, ou seja – não existir mais, se a coletividade
humana com o apoio de seus governantes, representantes
políticos e as elites bem favorecidas, baixassem suas
cabeças e aceitassem ou admitissem o pensamento de
Barberini – em defesa do cooperativismo e da humanidade,
quando esta se devora, fazendo um novo canibalismo.
O grito do presidente da ACI ficou sem eco
no plano internacional, não porque teve origem em Kuala
Lumpur, na Ásia do Pacífico, mas pelo fato de haver
encontrado a barreira do som – feita nos meios da
comunicação social pelos veículos da globalização
fortalecida com os dólares do capitalismo manobrado por
250 famílias globais, possuidoras das maiores riquezas.
- E, será possível que a miséria do mundo
chega ao Brasil?
Os fatos mundiais dizem que sempre foi assim
– antes e depois da
colonização, desde 1500, quando este país foi ocupado
pelos exploradores fugitivos das guerras de 100 anos,
devastadoras da Europa e outros continentes, então na
fase de construção.
Depois de ter sido conquistado e explorado
pelos colonizadores, o nordeste brasileiro foi
abandonado – entrou em decadência: perdeu as riquezas
naturais – foi devastado das especiarias, pau-brasil,
minérios de ouro, prata, animais e plantas, etc. e tal,
dos rios, do mar, céu e terra.
O pior da natureza brasileira - ficou para
os indígenas que, por sua vez foram dizimados,
juntamente com os 70 milhões4 deles, na América Latina,
naquele mesmo período colonial, certamente porque as
suas terras eram aproveitadas sob o regime de
cooperação, entre as pessoas e tribos, sem o método do
mercantilismo individual.
Desde aquele tempo – as secas duplicaram a
miséria do Nordeste, foram triplicadas pelo oportunismo
político-partidário e o desinteresse governamental nas
providências para solução dos problemas que aumentaram –
êxodo, desemprego, fome, abandono, doença e ignorância
do sertanejo mais atingido pela semi-aridez.
A resistência social contra as secas – foi
realizada em proporção considerável, isto é, mais na
zona rural do que na urbana, motivo pelo qual não
obteve os efeitos esperados – houve pouca união dos
setores, apesar de ambos serem vítimas da situação.
Por falta de trabalho e outras condições
para sobrevivência no campo destituído da ação
cooperativa – o êxodo populacional do campo para a
cidade, vem sendo uma constante geradora de favelas,
onde a minoria vive na linha marginal da periferia
urbana.
Maré Secante
AS FORÇAS contrárias ao cooperativismo estão
soltas, são mais capazes do que as favoráveis, sempre
ganham mais terreno – dispõem dos instrumentos que podem
virar a mesa, deixando as cartas no chão e ganhar a
partida do jogo sem cooperação.
- Como será possível – jogo tem cooperação?!
Entre os jogadores de cada time, tudo bem,
mas de equipe para equipe, existe somente competição,
rivalidade, vencedor e vencido que se dividem em torno
da bola, fama, prestígio, dinheiro, danos e perdas,
alegria e tristeza, vitória e fracasso.
No cooperativismo o jogo é diferente: todos
os jogadores ficam unidos em torno do mesmo objetivo,
respeitando os direitos de cada parceiro, sem prejudicar
o seu, para que desse modo a unidade consiga caminhar de
mãos dadas e chegar fortalecida ao ponto indicado.
Com mais de 7 mil e 600 cooperativas
existentes, atualmente, constituídas por 7 milhões, 393
mil e 75 associados5 - a expectativa sobre os
princípios desse movimento, neste país, permanece, sem
alterações, em atendimento às necessidades do ser
humano.
O lado da Maré Secante ou baixa do
cooperativismo nacional – reside em alguns setores que
fogem da ética, comprometendo assim, todo o cenário e
suas finalidades, a exemplo de acontecimentos negativos,
espalhados pelo país, Nordeste e Rio Grande do Norte.
No plano da autocrítica – visando à
reformulação e correção das ocorrências perturbadoras da
Cooperação entre Cooperativas, retrocedemos aos anos de
1980 quando houve a constituição e fundação da Coopermel
– Cooperativa de Produtores Rurais da Serra do Mel.
Após alguns anos de trabalhos acerca do
aproveitamento da produção do caju, e sua castanha – eis
que aquela organização caiu no fundo do poço – foi
liquidada, abandonada e arrasada por divergências
pessoais, partidárias, políticas e sociais.
Os governos Estadual, municipais e Federal
ficaram nas esquinas das Vilas Rurais vendo a “banda
passar” – deixando tudo acontecer até o “circo pegar
fogo” no interior da Coopermel feita pelos colonos das
Vilas Rurais implantadas com recursos do governo
Federal, através do ex-governador Cortez Pereira.
- Onde estava, então a solidariedade
cooperativa?
Esta pergunta – ainda está no ar, talvez
dentro da OCB-RN- Organização das Cooperativas do RN e
todo esse movimento, desde o seu passado, presente e
futuro, para que os fatos semelhantes, jamais sejam
esquecidos e deixem de se repetir – Coojornat –
Cooperativa dos Jornalistas de Natal foi outro guardado
na memória do fracasso.
- Como e porque esses fatos acontecem sem a
revisão, estudo e análise das suas causas e efeitos para
o cooperativismo?
Outra resposta para ser dada pela OCB-RN, governos
Estadual, Federal, municipal e também por especialistas
nesta área sócio-econômica, seguidos pelos órgãos do
Judiciário, Legislativo e outras instituições sociais.
No panorama amarelo, preto ou cinzento tem
mais: as sete cooperativas de artesãos incentivados pelo
ex-Idec, atual Idema – foram implantadas em diferentes
regiões do RN, para que fossem criados trabalho,
emprego, renda e organização no setor artesanal de
grandes dificuldades.
O sonho de funcionamento dessas cooperativas
– foi relativamente curto, menos de 10 anos, por razões
desconhecidas e jamais analisadas, sabendo-se,
entretanto que os propósitos sobre os artesãos – fizeram
com que a cortina do silêncio fosse aberta para salvar
os políticos do público.
O investimento governamental feito naquele
projeto artesanal – ficou perdido, sem retorno econômico
e social, tornando-se, assim, igual ao tiro que sai pela
culatra, ferindo o dono da arma, porque este não foi
preparado para usar o seu instrumento.
Aporte sem Porto
Os dirigentes e associados das cooperativas
estão cansados de esperar o apoio real dos políticos ao
sistema, sem haver o compromisso de retorno eleitoral de
modo obrigatório e infalível – quando algum futuro
candidato atua com esse fim.
Se houvesse maior atenção dos políticos
sobre o cooperativismo brasileiro, certamente a situação
dele poderia ser mais significativa em qualidade e
quantidade para o movimento em si, quanto para a
sociedade, a exemplo do que está ocorrendo em outros
paises.
- Como pensar nisso, diante das questões
consideradas?
O passo inicial, neste sentido, deveria ser
em cima da organização sócio-econômica na transposição
do rio São Francisco – via unidades cooperativas, as
quais evitariam que somente as empresas capitalistas
entrassem no esquema.
A porta de entrada – para essa iniciativa
poderia ser aberta, inicialmente, pelo sistema ou
representação maior, desde o MAPA – Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, após sintonia com
a Presidência da República e outros órgãos federais.
O titular do Mapa, Reinhold Stephanes
revela, pelo seu currículo, que conhece, não somente a
Sociologia, Economia e Administração rurais, como a
necessidade do cooperativismo no setor primário do
Nordeste.
A sintonia ou aproximação sobre
transposiçãoxcooperativismo com o Presidente Lula –
parece não ser complicada, tendo em vista o seu passado
de líder sindical e o fato de ter sido retirante das
secas, com profundas marcas em sua vida, desde a
infância
No aporte sem porto dos políticos – é
reconhecível a existência de 104 deputados federais e 11
senadores, na atual legislatura, formando a Frencoop –
Frente Parlamentar Cooperativista6 – como fator de
grande importância para o suporte desta pretensão.
Se os dois grupos de parlamentares tiverem a
firme convicção de apoio às cooperativas, não resta
dúvida que haverá uma conquista fácil e rápida nas
hostes da administração Federal – para fazer com que o
trabalho com esse fim, seja admissível na transposição.
O jogo da verdade está aberto – como um
forte desafio aos deputados e senadores da Frencoop –
para que as lideranças em questão manifestem as suas
teoria e prática quanto ao sistema cooperativista
nacional formado de aproximadamente, 35 a 40 milhões de
dependentes diretos e indiretos.
Nos tempos de crise social – desemprego,
fome, ignorância e doença – a coerência humana torna-se
cada vez mais solidária, ativa e presente, quando
consegue se unir e lutar, visando à solução desses
impasses degradantes, não apenas da unidade, mas do
coletivo afetado por tal circunstância.
Nesta oportunidade – seria muito bom
considerar que foi pela falta de conhecimento sobre os
propósitos adotados pelos colonizadores, que os
indígenas perderam grande parte de seus direitos à
natureza, a partir de 1500 e até o presente.
Esta lição ficou na história – para que
todos sejam capazes de analisá-la e aprender com os
fatos que foram repetidos secularmente, como fatores de
acomodação cultural para muitas pessoas esclarecidas e
de pequena visão sobre as ocorrências.
Porta Aberta
No âmbito internacional – a fome, desemprego
e demais resultados de tais mitos fabricados pela
maioria da classe política7, são de pouco significado
para quem tem consciência e responsabilidade sobre a
maneira de resolver essas anomalias.
Com pouco esforço e tranqüila receptividade
positiva, o Presidente Lula e seus auxiliares diretos –
poderiam encontrar no exterior, as portas abertas para a
negociação dos recursos técnicos e financeiros em função
das cooperativas na transposição das águas do São
Francisco.
O melhor sinal deste tipo – já está
configurado na presidência da ACI – mediante a concepção
do seu titular, no sentido de que as cooperativas têm o
compromisso de abrir os caminhos para atender às
necessidades das populações em situação de miséria.8
A diretoria da ACI, pelo seu presidente
Barberini tem consciência e disposição para o trabalho
com a finalidade de atender aos produtores que venham
ser beneficiados pelas águas do São Francisco, em
decorrência do incentivo governamental.
Outro sinal verde ao cooperativismo e,
relativamente ao aproveitamento dos recursos hídricos
daquele rio, nos vales do semi-árido – foi recentemente
adotado pelo Mercosul durante a primeira reunião da
Câmara Social desse organismo, realizada a 14 de
dezembro, 2006 no Rio de Janeiro.
O ponto 18 das conclusões sobre os estudos
feitos naquele encontro determina que os participantes
do Mercosul ressaltam “a necessidade de que se
estabeleçam ações e uma legislação comum de estímulo ao
cooperativismo, à capacitação, à formação e ao
intercambio entre esses setores, estimulando a
estruturação das cadeias produtivas.”
Hoje em dia, o Mercosul tem a participação
de cinco dos mais de 20 paises sul-americanos, em
conseqüência, principalmente da oposição e competição
dos Estados Unidos, no sentido de que a Alca criada
pelos norte-americanos não venha ficar sem América do
Sul e Caribe.
O segundo adversário do Mercosul está dentro
de casa, na pessoa do presidente Hugo Chavez – Paraguai,
dizendo-se socialista de oposição ao governo da
globalização que, segundo ele, vem sendo acompanhada
pelo seu colega Lula, do Brasil.
Chavez, por sua vez, está namorando com a
Rússia por intermédio de Fidel Castro e seus
companheiros cubanos que preferem, assim, recusar às
providências em favor do Mercosul, isto é, continuar a
luta pela liderança nos paises latino-americanos, sem
depender dos Estados Unidos, mas, talvez, de outras
nações ricas e poderosas.
A compra de modernos aviões russos, pela
Venezuela parece ser o primeiro cartão de visita
apresentado por Chavez – para o início das operações de
crédito com o governo global de Putin – sucessor das
reformas em que a URSS foi extinta.
No meio dessa complexidade internacional, a
transposição de um pouco – 2% das águas que o Velho
Chico despeja no mar, deveria constituir motivo de
atenção do Programa Fome Zero para efeito de inclusão do
movimento cooperativo nas atividades de expansão hídrica
do Nordeste.
- Mas, o que tem Fome Zero com a transposição?
Onde existe escassez de água – também falta
trabalho, alimento, produção, educação, saúde, paz e
disposição para qualquer iniciativa, entre as quais o
sono ou repouso, lazer, relações humana e social, união,
esperança e vontade de superar as decepções guardadas no
silêncio.
O retalho da solidariedade brasileira –
reside no Fome Zero com o seu ato de conceder o
paliativo necessário, a quem não consegue ter os meios
para adquirir o pão indispensável ou básico para a
sobrevivência diária, resultante do trabalho e produção.
A cooperação do Fome Zero com a
transposição-cooperativa causaria uma frente de três
forças capazes de avançar a favor de uma só – água para
a fertilidade da terra seca.
Isto será viável – se houver na esfera de
governo, a porta aberta ou disposição, vontade e
bom-senso para o trabalho solidário em qualquer
circunstância, sem competição e divisão internas.
No panorama das contradições sobre a
transposição, ainda temos, infelizmente os resultados de
pesquisa feita recentemente, pelos quais nada mais de
1,1 por cento da população do país, confiam no Congresso
Nacional, depois de conhecidos os resultados dos
processos relacionados com os atos de corrupção,
denunciados em 2006.
Portanto, temos mais uma forte justificativa
– para que todas as forças abram os seus braços e se
abracem entre si, com firmeza e segurança, mantendo o
propósito para que sejam construídos os canais e
adutoras do rio
São Francisco para molhar o solo previsto.
Resistir é Preciso
Os movimentos sociais de resistência à
transposição estão em andamento nas universidades, meios
de comunicação, escolas, comunidades rurais e urbanas
localizados nas capitais dos Estados e nos municípios
que serão atingidos pelos canais físicos em que as águas
serão despejadas.
As manifestações contrárias a esse projeto
são naturais e necessárias, fazem parte do comportamento
humano diante de qualquer mudança pretendida, sob
alegação de que ela poderá ser inconveniente ou
prejudicial às pessoas que estão com situação definida,
mesmo quando não sabe o que vai acontecer no seu futuro.
Nas últimas quatro décadas – tivemos
diversos acontecimentos governamentais em que a
resistência foi assinalada em proporção muito inferior
ao que vem se dando com a transposição: Transamazônica,
Sudene e outros empreendimentos que ficaram no passado –
guerra da borracha, na região amazônica, com os Soldados
do Nordeste, dos quais morreram mais de 20 mil nas
matas, durante a Segunda Guerra Mundial.
No governo militar – 1964-1985, a Sudene foi
esvaziada e extinta, sob o pretexto da subversão e até
mesmo da corrupção que ficou na impunidade, enquanto o
seu arquiteto-criador, Celso Furtado, apoiado pelo
governo anterior e pela CNBB, foi cassado e deportado
porque não estava de acordo com os governantes daquela
época.
O ser humano foi, é e será – sempre a
bandeira da resistência de modo certo ou duvidoso, em
decorrência do espírito dialético constituído pelo
negativo-positivo, sim-não, otimismo-pessimismo,
verdade-mentira e outros pressupostos da vida com eiras
e beiras indefinidas.
Faz mais de quinhentos anos que as gerações
do Nordeste resistem às secas e suas numerosas
conseqüências, de maneira tranqüila, pacífica, calma,
acomodada, alienada, revoltada, incoerente, desajustada,
com e sem paciência – esperando a chuva chegar.
Depois da chegada de Cabral à terra Brasile
– a maioria dos indígenas existentes, foi extinta pelas
pequenas secas de então, guerras, doenças e perseguições
feitas pelos colonizadores – invasores do patrimônio
nativo.
O movimento da resistência dos índios,
iniciado no Rio Grande do Norte teve repercussão em todo
o Nordeste, daí porque hoje em dia, somos o único Estado
da Federação, sem a presença viva do indígena
verdadeiro.
As ocorrências desse nível podem ser
exemplos de atenção para outras, semelhantes ou
diferentes, em termos de justificativas quanto à
existência de modo repetido e inusitado, para que assim
a concepção do homem seja ampla e universal.
Na ótica comparativa, a história do Nordeste
com sua população, tem fortes indicadores aliados aos
hebreus que fugiram do Egito para Israel, em 1250 – AC –
antes de Cristo, sob a proteção do Deus Javé e a
liderança de Moisés, rompendo 430 anos de vida na
miséria faraônica.
- Mas, o que é isto, para que tanta
loucura?!
O rompimento com a escravidão no Egito foi
realizado por mais de 3 milhões de pessoas, das quais
603 mil 550 homens9 que viviam em condição desgraçada
nas obras dos faraós, então os maiores do mundo,
construindo pirâmides que ainda causam grande admiração.
No curso dos 300 anos da colonização do
Brasil – foram mortos mais de 4 milhões10 de índios,
enquanto nos 40 anos do êxodo Egito-Israel, a
mortalidade foi quase total11 – cerca de 3 milhões de
homens, mulheres e crianças.
Depois do início em 1899 – a barragem de
Assuã – Egito foi concluída em 1964, durante 16 anos de
trabalhos em quatro etapas12 com períodos e motivos
diferentes, especialmente os relacionados com os
escassos recursos financeiros daquele país.
Na bacia daquele reservatório são
armazenados quase 169 bilhões de m3 de água, aplicados
em 283 mil hectares irrigados e na produção de 15 por
cento da energia13 consumida pelos egípcios.
A maior barragem do Nordeste, situada no
município de Itajá, região Vale do Açu – RN, construída
durante os anos de 1979-83, tem capacidade para 2
bilhões e 400 milhões de m3 de água, de onde poderão ser
irrigados 25 mil hectares, dos quais apenas 4 a 5 já
foram realizados.14
Nos últimos anos, as denúncias feitas no
Vale do Açu indicam que as águas daquela barragem15 –
são contaminadas pelas bactérias cianofíceas, depois de
fortalecidas pelos resíduos da mineração de ferro,
localizada na Serra do Bonito, no município de Jucurutú,
de onde saem, diariamente mais de 100 carretas daquela
matéria prima destinada à China.
As discussões feitas no período de execução
das obras de engenharia daquela barragem – assinalam que
no sub-solo da bacia existe uma volumosa reserva de
urânio16 registrada, anteriormente por satélites – para
ser futuramente aproveitada por grupos internacionais.
Com esta última massa de informações
contraditórias – pretendemos somente, mostrar que em
qualquer parte do mundo, os projetos são contidos de
inúmeras questões positivas e negativas, a exemplo do
que acontece em qualquer situação, sob os olhos do ser
humano.
No futebol costuma-se dizer que cada
torcedor é um juiz, isto é, o indivíduo tem a liberdade
de emitir a sua opinião sobre cada jogador e a partida,
segundo a sua convicção, interesse, paixão e
preferência, a exemplo do que se verifica com a arte,
mais precisamente uma peça exposta ao público.
Pensar e Fazer
As recomendações extraídas do bom-senso
assinalam que o acerto de qualquer ação, consiste
infalivelmente, no pensar sempre sobre o que se pretende
fazer – para que desse modo seja possível o resultado
positivo em torno dos planos e projetos feitos pelo
homem.
Na realidade, até mesmo desta maneira –
muitos empreendimentos são falíveis, ou seja – não
atingem os objetivos esperados por motivos que jamais
foram considerados pelos planejadores e executores que
estavam seguros da viabilidade de suas intenções.
Pensar e fazer – qualquer coisa, no fundo é
uma incógnita ou tem o seu X, pois no fazer, também
existe a possibilidade de falha, desacerto e até mesmo
o fracasso que chega a ser de 80 por cento17 nos
projetos feitos pela pessoa humana – aqui e no resto do
globo terrestre.
O que fazer com o fim de solucionar o
problema – é o primeiro passo ou decisão objetiva e
concreta, quando a boa intenção, disposição,
responsabilidade e compromisso estão no consciente do
ser humano, como fator de orientação18 para o ato
social.
Como fazer entra no segundo passo, para que
seja feito a análise, estudo, exame e reconhecimento do
processo ou dos meios que devem ser usados para a
realização do projeto de qualquer natureza,
preferencialmente em se tratando do coletivo social.
- E o que isso tem a ver com o assunto da
transposição?
Se cada pessoa tivesse isto na cabeça,
diariamente, seria mais esclarecida, teria maior
conhecimento, poderia fazer opinião, tomaria decisões
acertadas e necessárias, viveria em melhores condições
no seu presente, futuro, sem as incertezas, insegurança
e fragilidade existencial.
Onde, quando e porque – são mais três
perguntas indispensáveis para a racionalização técnica e
científica de qualquer ação humana, desde a casa onde a
pessoa reside, o meio de trabalho, a escola e demais
locais de sua presença, inclusive nos momentos de lazer.
Esta pequena e simples metodologia não ficou
somente para os técnicos, cientistas, professores,
intelectuais e outros sabichões, mas, também para
qualquer pessoa que aspira uma vida digna, normal, justa
e necessária, como direito e dever de cada ser humano.
Com as mencionadas cinco colunas da
racionalidade: o que, como, quando, onde e porque fazer
a transposição do rio São Francisco, aplicando o
cooperativismo na organização sócio-econômica dos
trabalhos posteriores e conseqüentes desse projeto,
podemos acreditar na viabilidade de resultados que
venham ser positivos para o Nordeste e todo o país,
mediante o sistema de trabalho participativo a ser
organizado e estabelecido na dimensão social da região.
Acreditar nessa possibilidade, não seria um
sonho ou ilusão, pois ela depende, essencialmente do
homem e sua capacidade no plano da responsabilidade,
consciência e vontade de fazer o que lhe é necessário,
de acordo com a sua convicção, decisão e prática,
através da união com os demais – cooperação e
solidariedade, sem a prepotência, competição e egoísmo.
Em virtude da baixa incidência desses
valores19 nas camadas sociais do pais e, sobretudo do
Nordeste – a desorganização, ignorância e demais
problemas já estão com mais de cinco séculos, nos
diversos setores da sociedade – até mesmo os religiosos
que se dizem zelosos da fraternidade, humildade e
caridade.
Se as igrejas cristãs20 olhassem com afinco
para o cenário da semi-aridez e suas conseqüências
sócio-econômicas, políticas, mentais e, também
religiosas – poderiam encontrar objetivamente, os
caminhos para a solução dos numerosos problemas.
O maior exemplo de afirmação dessa
possibilidade – reside, por incrível que pareça, no
interior do Rio Grande do Norte, onde, no período de
1980-90 e início de 2000, o Mons. Expedito Medeiros,
após muitos anos de luta, fez com que os governos
construíssem21 as adutoras de água para o sertão.
Depois daquele vigário da paróquia de São
Paulo do Potengí – os braços dos demais, foram cruzados
– nada mais se falou, exceto os políticos que tomaram
conta desse empreendimento, fizeram suas campanhas
eleitorais em cima dele, disseram que foram eles,
exclusivamente, os responsáveis pela transposição das
águas.
No desenrolar do seu trabalho, o Mons.
Expedito foi sábio, paciente, humilde, determinado e
responsável com os políticos, governantes,
administradores e as coletividades rurais impacientes –
mantendo sempre, em todos os momentos, o sorriso,
diálogo, explicação, entendimento e persistência no seu
objetivo.
A hierarquia católica jamais deixou de
apoiar as ações expeditianas pelo abastecimento de água
nas residências interioranas do Agreste
norte-rio-grandense, com silêncio de orações e poucas
ações sistemáticas que foram adotadas na sua dimensão
estrutural – como poderia ser feito, com efeitos maiores
do que os obtidos.
Depois da morte do Mons. Expedito
-16.01.2000 caiu a cortina do esquecimento acerca do seu
trabalho pioneiro que deveria ter sido continuado em
direção a todo o Nordeste, dando prosseguimento ao
projeto social da Igreja, como testemunho dos princípios
evangélicos, mais especificamente ao Sermão da Montanha
feito pelo filho de Deus – Jesus Cristo, no meio do povo
em pleno deserto.
Antes do seu falecimento, após 20 anos de
ações pelo abastecimento de água potável às populações
do interior, foram atingidos 53 municípios com
aproximadamente, 146 mil habitantes das cidades que não
dispunham desse benefício.
Entre as contradições ao que foi realizado
por aquele sacerdote, hoje em dia – temos o depoimento
feito em nome da CPT – Comissão Pastoral da Terra, pelo
seu coordenador22 Roberto Molvezzi, radicalmente contra
a transposição do São Francisco.
Molvezzi defende a expansão do projeto para
a construção de cisternas, nas zonas rurais – onde as
águas das chuvas continuam sendo, cada vez mais escassas
por causa do efeito estufa, desmatamento e outros
fatores do clima no âmbito regional e global.
No comentário agressivo sobre a transposição
e seus responsáveis, Molvezzi acrescenta que o governo
Federal poderia, em vez da transposição do rio São
Francisco – para beneficiar apenas 12 milhões de
pessoas, liberar os recursos necessários para executar
os planos de recursos hídricos da ANA – Agência Nacioal
de Águas, para zona urbana e da ASA – Articulação do
Semi-Árido – para zona rural, com os quais seriam
atendidos 44 milhões de nordestinos.23
Isto é muito bonito, mas, na prática, a
coisa é diferente: as cisternas poderão ter água o ano
inteiro sem a ocorrência de chuvas anuais?
Durante as poucas chuvas do semi-árido, as
cisternas existentes recebem pequena quantidade de água
escorrida dos telhados das pequenas casas, choupanas e
casebres nas dimensões de 20 a 40m2, onde se abrigam as
famílias de 4 a 6 pessoas, sem os meios de ter uma
moradia maior.
As idéias e pensamentos em profusão – sobre
a questão da água, nunca deixaram de existir no país, ao
contrário do que deveria ter sido feito pelo
desenvolvimento social e cultural da população
nordestina, como providências dos governantes
constituídos pelos eleitores.
As instituições, assim como os políticos,
com raras exceções, estão preocupados em conseguir os
recursos para seus projetos, criar projeção social, ter
o poder na mão, fazer massa de manobra e, no futuro
próximo, ter um colégio ou curral eleitoral.
Quando, por acaso, surge alguém para o
trabalho independente, crítico, objetivo e racional –
visando basicamente, à mudança cultural, política e
social, as portas dos projetos são trancadas com sete
chaves, as atividades ficam isoladas do mundo, limitadas
ao finito.
As secas do Nordeste são caracterizáveis
pela imagem do câncer destruidor das gerações, desde a
pré-história regional, seguida pelo tempo dos
civilizados e seus governantes que não pretendem
encontrar as soluções para esse grande desafio, a
exemplo do que têm feito os médicos especializados na
oncologia, quando preferem seguir o receituário dos
laboratórios sedentos dos lucros mercantilistas.24
O meio de curar as mazelas e doenças do
semi-árido está na terra e no homem do Nordeste, sob a
dependência do estudo e pesquisa com essa finalidade,
baseados nos recursos naturais da região, partindo da
flora e fauna, minerais e demais recursos físicos e
geológicos.
No cooperativismo coerente, todos esses
problemas são tratados de maneira relativa com os
princípios básicos desse sistema que pretende ser um
instrumento para a sobrevivência do homem, grupos
sociais e da sociedade originários da pobreza,
desemprego e fatores correlatos da miséria.
Aviso aos navegantes: sem a filosofia
cooperativa, até mesmo o povo de Deus, fugitivo do
Egito, durante 40 anos, perdeu-se no retorno ao seu país
– Israel, viajando pelo deserto, sob as bênçãos divinas
recebidas por Moisés e Aarão para o cumprimento dessa
missão.
- Mas era só o que faltava – acreditar numa história ou
lenda da Bíblia com
mais de 3 mil anos!
O conhecimento do homem – permanece com
apenas 10 por cento da capacidade do cérebro sobre os
mistérios do universo, sendo este um dos motivos pelos
quais – ele não conseguiu afirmar a existência de
mentira em torno dessa passagem bíblica.
Agora, diante de tais indicações, o melhor é
fazermos o que for necessário – visando evitar que o
nosso êxodo pelo Nordeste25 venha ter os mesmos
resultados do que houve com os hebreus nos desertos
africano e oriental, sem levar em conta o manancial do
rio Nilo.
O grande perigo – para a execução desse
projeto estaria no prazo de 25 anos para a conclusão das
obras, pois no decorrer do mesmo, os próximos
governantes poderão criar uma série de motivos para que
os trabalhos não tenham prosseguimento.
Na construção da Barragem do Açu – RN foram
gastos quatro anos, inclusive cerca de um, na
reformulação do projeto e novas providências para
resolver os defeitos causados por uma depressão do solo,
pelo que houve manifestações de protestos, reclamações e
debates.
Açuã ou Assuã, no Egito, às margens do rio
Nilo, teve 16 anos para a sua realização no meio de
grandes problemas, sendo que o maior deles foi a guerra
no Canal de Suez, durante a qual os serviços da barragem
foram suspensos, também pela escassez de recursos
financeiros.
Outro lado negativo aos futuros resultados
da transposição: a temperatura do Nordeste ensolarado
aumentará, consideravelmente a incidência de
contaminação das águas paradas nos açudes, com a maior
produção de algas que causam grandes problemas de saúde
na população.
A cianovícea26– alga azul, por exemplo,
comum nas águas de mananciais, sem controle biológico e
sanitário, tem sido uma das maiores causas para as
infecções nos intestinos de humanos e animais, após um
médio e longo período de consumo dessa substância.
Os pesquisadores assinalam que até mesmo o
câncer no fígado, intestino e na pele humana – vem sendo
provocado pela cianovícea dos reservatórios
aquáticos, com pouco monitoramento de combate às
bactérias dessa espécie, além de outras comuns nesses
ambientes.
No manancial da Barragem do Açu, por
exemplo, assim como em São Paulo e Blumenau – Sta.
Catarina, a cianovícea está preocupando os responsáveis
das companhias de águas, sem haver dos seus
consumidores, o necessário conhecimento acerca do
problema.
Já foi constatado que em barragens de São
Paulo27 a cianovícea teve a sua reprodução duplicada
pelos resíduos de ferro despejados nas margens da bacia
ou leitos de rios, em diversos municípios daquele
Estado.
O peixe, de preferência a Tilápia, da
barragem e rio Açu, de elevada produção e
comercialização, em todo RN e demais Estados, vem sendo
bem alimentado por essa alga, a qual deposita-se por
longo tempo no intestino e carnes dessas espécies que
servem de condutoras das infecções para o organismo
animal.
A energia solar e os restos minerais de
Jucurutu28 – fazem com que a cianofícea seja mais forte
e poderosa, a ponto de ter, pela sua reprodução, 26
sub-espécies derivadas da matriz original – todas
causadoras das mais variadas infecções, inclusive as
cancerígenas no aparelho digestivo.
Com relação aos legumes e frutas irrigados
com as águas da cianofícea, no Vale do Açu, ainda não se
tem notícias de contaminação, mas... talvez isso venha
ocorrer, quando houver pesquisa com essa finalidade, sem
o controle das algas e a continuação do despejo dos
resíduos minerais naquela área.
Esta hipótese poderá ser inviável – pois a
cianofícea serve também, como adubo29 para agricultura,
podendo ainda desempenhar funções complexas que somente
a investigação cientifica poderá esclarecer.
Hora de Agir
A coincidência desta matéria e a corrida ao
DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas,
por representantes da OCB e outras organizações de
cooperativas, no sentido de que o órgão federal examine
a possibilidade para inclusão social das cooperativas,
em todos os perímetros de irrigação, é o grande passo
para o início do entendimento.
No dia 27-06 houve uma reunião30 sobre este
assunto, em Fortaleza-CE com a diretoria do DNOCS,
conforme notícia desse órgão distribuída pela Internet,
dando ciência do fato e, ao mesmo tempo abrindo as
margens para que a transposição, também venha ter a
participação do cooperativismo, de preferência na
organização da produção.
Naquela mesma oportunidade, o grupo Bahma
Busness31 levou ao conhecimento do DNOCS, o seu plano de
ação visando trabalhar no perímetro irrigado Tabuleiros
de Russas, de 68,27 hectares, com o plantio de uvas –
produção de vinhos, suco e vinagre.
- Entre os dois, qual o mais forte?
Na prática experimental do negócio,
provavelmente o Bahma esteja acima das cooperativas,
quanto ao capital e sua influência no meio empresarial,
mas, no plano sócio-econômico, certamente jamais, ou
seja – para o governo representativo e democrático32 a
OCB tem mais razão de ser presente no projeto em
questão.
Se esta maneira de ver, julgar e agir –
tiver respaldo governamental para fortalecer a
democracia com liberdade, solidariedade e fraternidade,
através da Presidência da República, do Congresso
Nacional e demais instituições brasileiras, então vamos
ter um novo tempo na política de aspiração social.
Agora, a direção do DNOCS, pelo Eng. Elias
Fernandes, de muita experiência na expansão de água
potável para o interior do Rio Grande do Norte, está
dispondo do interesse das cooperativas, no sentido de
que elas sejam incluídas nos projetos de irrigação.
Os dirigentes do sistema cooperativo –
esperam que as negociações, neste sentido, venham ser
realizadas de maneira efetiva, não somente com as
organizações de cooperativas do RN, mas, de todo
Nordeste, em tempo adequado e abreviado, para que desse
modo – torne-se possível o resgate das providências que
deveriam ter sido adotadas antes.
Se Elias Fernandes quiser a solidariedade do
sistema cooperativista para a transposição, trabalho,
irrigação, produção e organização com a finalidade de
iniciar o desenvolvimento social e econômico no meio
rural – será o ponto de partida para a longa caminhada
em direção ao Nordeste de futuro novo, seguro e digno,
sem miséria, nos próximos 10 a 20 anos.
Depois da sua experiência com Mons.
Expedito, agora o diretor do DNOCS, Elias Fernandes está
em condições de fazer com que sejam mantidas as
necessárias relações de entendimentos da Igreja Católica
com o Governo Federal, em se tratando da transposição do
rio São Francisco, visando ao bem-estar social dos
pobres.
- Como fazer tal coisa, diante da indicação
de que o agronegócio está com seus olhos voltados para
as terras da transposição?
Aí começa a decisão do equilíbrio político,
ou seja, a inclusão do cooperativismo em todos os
projetos de irrigação, sem estabelecer a preferência
exclusiva pelo agronegócio e suas imposições a serem
feitas com o capital oficial nas mãos – para a produção
dirigida ao mercado externo – frutas, camarão e outros.
A greve de fome34 feita em 2005, pelo Bispo
Dom Luiz Flavio Cappio, da diocese de Barra – Bahia, foi
o estopim da bomba que tomou conta de todo o país,
objetivando o cancelamento da transposição do rio São
Francisco, sem haver um programa de governo para atender
aos diversos problemas em que o manancial está inserido,
inclusive do meio ambiente e da população nordestina.
O pacto 35 da transposição, nesta altura,
tornou-se uma providência indispensável, urgente,
inadiável, legítima e verdadeira, em decorrência da
greve de fome cappiana, pois somente com essa resolução
será possível atender às expectativas de harmonia entre
Igreja-Governo e, naturalmente da população.
As instituições sociais, econômicas e
educacionais seriam convocadas para a decisão final,
através do pacto da integração pela transposição do rio
São Francisco como decorrência de ato presidencial do
governo Lula, através de seus auxiliares.
Isto seria uma atitude política coerente, respeitável e
adequada, sem a necessidade de estancar o andamento de
execução das obras do projeto, mas, reforça-las com a
inclusão de outras que venham ser estabelecidas como
fruto de acordos que venham ser feitos.
A integração seria efetuada, de modo indispensável, com
a participação de representantes dos sindicatos,
associações, cooperativas, universidades, ongs e demais
instituições relacionadas com o povo das secas.
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