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ARTIGO NATAL RN 

AUTOHEMOTERAPIA

24/04/2007

"Fraude" forjada

 --- Walter Medeiros*

 O Brasil enveredou por um caminho triste, de banalização da violência e da criminalidade, que aos poucos vem ganhando espaço até nas instituições e na sociedade. A cada dia que passa o noticiário normal perde terreno para as notícias policiais, pois as informações sobre crimes estendem seus espaços no Jornal Nacional, Fantástico e tudo que é programa jornalístico. Mas no domingo, 22.04, a TV Globo superou toda banalização, ao tratar do assunto “Autohemoterapia”. A emissora passou a semana inteira divulgando uma chamada sobre uma terapia que está se popularizando e que para eles seria uma fraude.

 Pois bem: assistimos a matéria completa e em nenhum momento foi apresentado qualquer elemento sério para caracterizar a autohemoterapia como “fraude”. No máximo uma mulher que dizia achar que poderia fazer mal, sem apresentar nenhum dado concreto. Ao contrário, o que se viu mesmo foi gente mostrando que faz a autohemoterapia e se dá bem e o próprio Secretário da Saúde de Olinda mostrando que a institucionalização da terapia existe, que faz uso e está patrocinando pesquisa a respeito, a despeito de reações de alguns Conselhos de Medicina.

 Após o programa, foi realizado um Chat no site do Fantástico com o presidente da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, que não conseguiu esclarecer nada nem apresentou nenhum argumento sério contra a autohemoterapia. Apenas deu continuidade a uma manifestação pública de uma série de atitudes anti-éticas de médicos contra o Doutor Luís Moura, pois ele é o defensor da técnica, é médico, mas ao invés de tratarem do assunto no Conselho de Medicina, estranhamente levaram o assunto para a televisão.

 O presidente da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, Carlos Chiattore, perguntado sobre os riscos da autohemoterapia, respondeu sem qualquer argumento que “Nós imaginamos as complicações...”. Entretanto, quando a pergunta dizia: “chegam-nos muitas informações de pessoas que foram beneficiadas pela prática da auto hemoterapia; tem, a SBHH, dados sobre casos que tiveram resultados desastrosos?”, aí ele confessa que não tem elementos científicos para comprovar. Ou seja, condena a técnica sem base científica, mas cobra a base científica para aprová-la.

 Em outro momento, o Senhor Carlos Chiattore respondeu a um participante chamado Juninho que “Não há nenhuma comprovação.(sobre a técnica), Não sabemos os maleficios, não aprovamos esse procedimento.” Se ele não sabe de malefícios, como desaprovar o procedimento? Mais grave ainda, a pergunta de uma participante chamada Polly: “A auto-hemoterapia trouxe resultados. Por que a maioria da comunidade cientifica não foca as pesquisas nessa técnica? Isso abalaria a industria farmacêutica?”. Sem qualquer argumento, Carlos Chiattore simplesmente respondeu: “isso não faz o menor sentido.”

 Depois de tudo isso, a impressão que fica é que não existem elementos para dizer que a autohemoterapia seria uma fraude e que a chamada que falava em “picaretagem” foi algo exagerado, resultado de alguma manifestação raivosa de quem criou essa impressão a respeito do assunto. Foi o que talvez possamos chamar de “fraude” forjada, mas que teve  um mérito, afinal, talvez dois: abrir o debate sobre o assunto e, queiram ou não, divulgar a técnica da autohemoterapia.

*Walter Medeiros é jornalista.

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