Devemos
acreditar em Contos de Fadas
Andréia
Gomes da Silva*
Jamais
vou sentir ou saber, o que ela passou. Linda, meiga e
carinhosa. Bela criança! Já carequinha, debilitada, mas
ativa e curiosa, para aprender sempre... Quantas vezes tive a
felicidade de oferecer-lhe algum conhecimento, seu nome, as
letrinhas que representavam para ela muito mais do que posso
imaginar. Sua vida, sua historia...
Historias...
como gostava! Uma atrás da outra, sem parar. Tinha vontade de
entrar no mundo da fantasia proporcionado pelos contos de
fada; era quase insaciável o seu desejo. Aguardava ansiosa o
fim da historia para ouvir “e viveram felizes para
sempre...”
Ser
feliz como nas historias era, acredito, o desejo de todos que
a conheciam. Certa vez, no hospital, fiquei surpresa ao vê-la
com a mão imobilizada devido ao soro - a mão direita. Mão
com a qual ela fazia as tarefas. Para minha surpresa, ouvi
dela “- Tia, eu faço com a outra mão. Eu sei!”
E
como sabia... não apenas usar a outra mão, mas ensinar que
se deve acreditar em contos de fadas e finais felizes, como
tanto gostava.
* Andréia Gomes da Silva - Professora de B. C., de 6
anos, paciente da Casa Durval Paiva de Apoio à Criança com Câncer,
que faleceu em 2006, vítima de câncer.
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