Precisamos
reagir...
Maria
Neide Borba Maia Filha*
Bater
na madeira 3 (três) vezes e se benzer, cuspir no chão ou
dentro da blusa, ou ainda
se benzer e dizer “ Deus me livre”, “ Deus me
livre” , “ Deus me livre”. É, essas são algumas das
reações ainda apresentadas por algumas pessoas ao se
depararem com o nome câncer, quiçá com o repentino diagnóstico
da doença entre parentes ou amigos.
O
estigma cultural do câncer e o que ele representa para a
sociedade, impõe ao paciente e sua família uma permanente
luta, que vai além das implicações do tratamento. O câncer
faz o homem lembrar de sua condição finita e ainda desperta
nas pessoas sentimento contraditório de piedade, rejeição,
medo e de exclusão.
No
século passado, os medos e as dúvidas relacionadas com a
tuberculose e a hanseníase eram os mesmos atualmente
relacionados ao câncer. Pois enquanto não se compreender
suas causas e os tratamentos não se mostrarem eficientes, o câncer
será considerado como uma sentença de morte. E mesmo o câncer
não sendo uma doença contagiosa, o estigma relacionado às
doenças acima citadas são os mesmos.
Mesmo
com os avanços e descobertas conquistados pela área médica
no combate ao câncer, pode-se observar que ainda não foi
possível afastar esse grande mal que envolve e cerca a doença:
preconceito e indiferença. Vencer esse mal arraigado durante
séculos é o grande desafio na sociedade atual. É necessário
um empenho individual e coletivo, no sentido de esclarecer a
sociedade de que os doentes de câncer não devem ser
discriminados.
Ainda
que muitas pessoas possam querer evitar falar sobre o assunto
(câncer), o impacto social dessa doença traz para todos um
custo a ser repartido. A
dor e o sofrimento, não só gerado pela doença, mais acima
de tudo pelo preconceito e discriminação, nos faz todos
responsáveis por buscar os caminhos dos direitos da pessoa
humana, da promoção da qualidade de vida e da dignidade de
viver, na alegria e na dor, na saúde e na doença.
*Assistente
Social da Casa Durval Paiva de Apoio à Criança Com Câncer.
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