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Dr. Moura explica que Auto-hemoterapia tem
ação muito ampla
A
exposição que o Dr. Luiz Moura fez sobre Auto-hemoterapia,
uma técnica que combate e cura doenças com a retirada de
sangue da veia e aplicação imediata no músculo, ressalta que
se trata de um recurso que tem uma amplitude da ação muito
grande. Ela atua sobre o Sistema Imunológico de um modo
geral, quadruplicando uma área daquele que é o Sistema
Retículo-Endotelial, aumentando os macrófagos de 5% para
22%.
“A auto-hemoterapia, aumentando o
número de macrófagos, faz com que todo o sistema de atuação
dos agressores que ocorrem no organismo - seja de vírus,
seja de bactérias, seja de células anormais, pré-cancerosas
- tudo isso possa ser inibido pela ativação do Sistema
Imunológico”, explica o médico, afirmando que “Realmente a
auto-hemoterapia tem uma aplicação muito ampla, além de que
constatei que ela atua numa área do sistema nervoso, que é a
área do sistema nervoso autônomo”. Segundo ele, a técnica
“organiza o sistema vago simpático e com isso dá uma
tranqüilidade maior às pessoas”.
HIPERTENSÃO
A explanação do médico Luiz Moura
diz que “As pessoas tensas tendem a ser simpaticotônicas, e
isso causa contração vascular, e isso favorece a
hipertensão. A auto-hemoterapia vai manter sob controle a
pressão, mantendo o equilíbrio correto entre o sistema vago
- que dilata os vasos - e o sistema simpático, que contrai”.
Diz também que “É uma outra ajuda,
junto com outros recursos. É um auxiliar no combate à
hipertensão, que é uma doença que atinge bilhões de pessoas
no mundo, devido às tensões do stress da vida moderna, do
medo, da insegurança”, observando que “Hoje a hipertensão
está se tornando um problema de saúde pública muito grave. E
a auto-hemoterapia, pelo menos equilibrando o sistema
neurovegetativo, já contribui para que as conseqüências da
hipertensão sejam menos graves”.
ANTICORPOS
Indagado se a auto-hemoterapia é
sempre benéfica, Dr. Moura é taxativo, garantindo: “Sempre.
Porque o mínimo que se pode dizer é que existe uma curva. O
Sistema Imunológico cresce a partir do nascimento. A criança
nasce com o Sistema Imunológico praticamente não funcionante.
Ela recebe a última carga da placenta quando esta se contrai
e joga uma quantidade enorme de anticorpos para dentro da
criança. Durante seis meses ela vive protegida por estes
anticorpos que ela recebeu da mãe”.
Ele defende que “Seria o caso de,
durante a gravidez, a mulher fazer a auto hemoterapia, para
que a criança nasça com o Sistema Imunológico
potencializado”, considerando que “Terminando esse período
de seis meses é que começam as doenças infantis, exatamente
porque terminou a reserva imunológica da criança. A criança
começa então a construir o seu próprio Sistema Imunológico,
lutando contra os agressores que estão em volta. Neste
período começa o programa de vacinação”. Segundo suas
explicações, “A vacina produz o mesmo efeito das agressões
produzidas pelas doenças: é a doença atenuada, apenas de uma
forma que o organismo não corre o risco de adoecer, a não
ser que seja uma vacina defeituosa - mas se estiver perfeita
não causa doença; ela produz imunidade à doença”.
PLENITUDE
Dr. Moura ensina que a criança vai
crescendo e o seu Sistema Imunológico chega ao pique máximo
entre os catorze e os dezesseis anos, quando atinge a
plenitude. “Aí se mantém neste nível até em torno dos
cinqüenta aos 55 anos. Começa então o declínio do Sistema
Imunológico, quando o timus - a glândula que comanda todo o
Sistema Imunológico - começa a atrofiar. Daí por diante, a
auto-hemoterapia tem um enorme valor, porque vai retardar
essa curva de declínio. Então seria aí indispensável”,
defende.
Lembra que “Há pessoas que têm o
Sistema Imunológico menos deficiente, outras mais,
dependendo da alimentação” e que “Há pessoas que se
alimentam muito mal, com falta de nutrientes que estimulam o
Sistema Imunológico, como vitaminas, sais minerais ou
proteínas, porque o anticorpo é formado de proteína. Se elas
têm uma alimentação deficiente, vão ter um Sistema
Imunológico deficiente. É por isso que há muitas pessoas que
vivem a vida praticamente sem doenças - resistindo a toda a
agressão do meio ambiente - e outras sempre estão doentes”,
continua, concluindo: “Mas a auto-hemoterapia ajudaria neste
caso, para contrabalançar essa deficiência na área de
alimentação”.
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A
auto-hemoterapia foi definida como método terapêutico em
1912, pelo médico francês Paul Revaut, consistindo em
injectar debaixo da pele dum doente alguns centímetros
cúbicos do seu próprio sangue. Revaut descreveu a
auto-hemoterapia, sua técnica e indicações pela primeira vez
num importante artigo publicado em 1913.
Segundo Dr. Luiz Moura (Auto-hemoterapia -
http://www.rnsites.com.br/aht_luiz_moura.pdf
), em 1911, Ravaut registrou o modo de tratamento empregado
em diversas enfermidades infecciosas, em particular na febre
tifóide e em diversas dermatoses. Ravaut usou a
auto-hemoterapia em casos de asma, urticária e estados
anafiláticos, conforme Dicionário Enciclopédico de Medicina,
T.1, de L. Braier, também citado por Dr. Luiz Moura.
Foi lendo os trabalhos
de Mayer e Linser, na Alemanha, que Ravaut pensou,
modificando-os, lançar a idea da auto-hemoterapia. Com
efeito estes autores tiveram pela primeira vez em 1911 a
idéia de tratar uma doente atingida de herpes gestationis
por injecções de soro de sangue duma mulher grávida sã
porque eles pensavam que a evolução normal da gravidez se
fazia à custa da neutralização das toxinas por formação de
anti-toxinas correspondentes. Injetando na doente soro
sanguíneo duma mulher grávida sã, Mayer e Linser esperavam
suprir a insuficiência de anti-toxinas e curar assim a
herpes gestationis.
SIMPLICIDADE
Mais tarde estes autores
substituíram esta hetero-seroterapia pela auto-seroterapia e
estenderam as suas indicações aos prurigos, urticárias e
eczemas, sendo então que Ravaut se lembrou de fazer a
auto-hemoterapia obtendo os mesmos resultados que os autores
alemães, e assim êle preferia injectar o sangue global,
porque na fibrina e nos glóbulos poderiam encontrar-se
substâncias ou corpos microbianos especiais cuja reabsorção
pelo organismo provocasse reações úteis. Neste artigo se vê
quanto a técnica é simples, os seus raros incidentes, as
vantagens sobre a auto-seroterapia e como ela é empregada em
numerosas afecções da pele, constituindo um processo a
escolher nestas dermatoses tão rebeldes a qualquer outro
tratamento.
Anteriormente a Ravaut, já Sicard e Oultman tinham realizado
em larga escala a auto-hemoterapia, julgando-se até os
inventores, motivo porque perante a Sociedade Médica dos
Hospitais em 1912 fizeram uma comunicação contra Ramond
reclamando para si a prioridade de invenção do método.
Apesar dos trabalhos de Ravaut e de tão brilhantemente ter
posto as suas indicações e a sua técnica, documentando com
numerosas observações, o método não é aceito por todos os
clínicos, dada a ignorância do seu mecanismo e ele assim
permaneceu num estado latente até que Widal e os seus
discípulos Abrami e Brissaud com o choque hemoclásico tentam
lançar luz sobre o processo, ao mesmo tempo que estendem as
suas indicações, ingressando-o como terapêutica nos
capítulos das febres tifóides e da asma.
Com esta nova fase e enquanto as teorias se sucedem, para
explicar a ação dos métodos hemoterápicos, o processo entra
definitivamente na prática dermatológica e na clínica geral,
chegando até ao médico português Alberto Carlos David (A
auto-hemoterapia nas dermatoses -
http://www.rnsites.com.br/210_2_FMP_TD_I_01_P.pdf ),
sendo utilizado sistematicamente na clínica de Dermatologia
do Exmo Prof. Luís Viegas e por muitos Exmos clínicos, como
o atestam as observações do seu trabalho e tantas outras que
conheceu, que sempre recorrem à auto-hemoterapia todas as
vezes que lhe aparecem doentes em que possa ser aplicada.
HÁ 180 ANOS
Anteriormente,
em 1831, no Jornal de Medicina e Cirurgia Prática o médico
italiano M. Mansizio recomendava como panacea uma operação
que constituiu assunto duma nota apresentada à Academia de
Medicina. Consistia em apertar um membro superior como para
uma sangria vulgar, abrir em seguida uma veia, colocar aí a
cânula duma seringa, de tal maneira que se pudesse fazer
correr o sangue para depois o introduzir de novo na torrente
circulatória, continuando durante alguns minutos a operação.
M. Mansizio utilizou a prática durante dois anos, em duas
mil operações semelhantes e aplicava-as em todos os casos
onde as sangrias, as sanguesugas e mais tarde as disenterias
tivessem as suas indicações.
David refere-se a Jolieu, informando que para ele aquela
operação não era verdadeiramente a auto-hemoterapia, mas sim
uma auto-transfusão, contudo ela constituiu uma maneira
rudimentar de praticar a auto-hemoterapia. David acrescenta
em 1924 que alguns autores têem querido explicar pelo
mecanismo da auto-hemoterapia a ação terapêutica das
ventosas secas e neste caso a auto-hemoterapia teria uma
origem muito mais remota. Observa que com efeito o hematoma
sub-cutáneo produzido pela aplicação das ventosas é para
Moutier e Rachet uma auto-hemoterapia sub-cutánea; assim
estes autores, em apoio das suas afirmações, fizeram
análises comparativas do sangue de 7 doentes tratados por
auto-hemoterapia e ventosas secas, encontrando modificações
hematológicas perfeitamente paralelas nos dois métodos
terapêuticos, consistindo num síndroma hemoclásico e num
sindroma leuco-excitante, explicando até a acção terapêutica
do processo por esta hiperleucocitose manifesta.
TÉCNICA
Apesar destas tentativas
de aplicação do processo, faltava alguém que estabelecesse
concretamente a sua técnica, as suas contra-indicações e
indicações, acidentes, dosagem, etc., e finalmente o seu
mecanismo. Paul Ravaut, então, pela primeira vez descreveu a
sua técnica e indicações no seu importante artigo, publicado
pelos "Anais de Dermatologia e Sifiligrafia”, de 1913,
subordinado ao título: “Ensaio sobre a auto-hemoterapia em
algumas dermatoses”.
Em outubro de 1924, o médico português Alberto Carlos David
conclui doutoramento na Faculdade de Medicina do Porto, na
qual afirma que a sua Tese – A AUTO-HEMOTERAPIA NAS
DERMATOSES - surgiu por ter conhecimento de curas brilhantes
obtidas na furunculose por auto-hemoterapia, pelo que
resolveu escrever algumas considerações sobre este moderno
processo terapêutico de indicações tão vastas, tornando-o no
caso restrito às dermatoses.
Pretendeu mostrar o estado na época da resolução do problema
e muito principalmente as suas vantagens e as suas
aplicações práticas. Pediu aos Clínicos da cidade os casos
que tivessem tratado por auto-hemoterapia para os observar e
registar, juntando-os aos do Serviço da Clínica de
Dermatologia e Sifiligrafia do Hospital da Misericórdia,
sobre a direção do Prof. Dr. Luís Viegas, e assim formaou um
quorum de documentos que permitiu justificar o estudo. Tendo
percorrido toda a literatura sobre a auto-hemoterapia,
conseguiu reunir 20 observações clínicas que antecederam as
suas considerações. Percorrendo-as, vê-se quanto é largo,
mesmo dentro das dermatoses, o emprego da auto-hemoterapia e
como os doentes, pelos resultados obtidos, beneficiam deste
método tão simples na sua técnica, libertando-os de afecções
impressionantes, como a zona e o liquen plano e, duma
maneira geral, as doenças pruriginosas. Dr. José Aroso
forneceu alguns casos clínicos.
POPULARIZAÇÃO
Em 1938, numa tentativa
de encontrar um tratamento eficaz para infecção ela (a
auto-hemoterapia) voltou a ser empregada, conforme registra
o Dr. Alex Botsarias no seu artigo - “Auto-hemoterapia
é um tratamento ainda experimental” – (
http://www2.uol.com.br/vyaestelar/auto_hemoterapia.htm
) . Nessa época os antibióticos ainda não estavam
disponíveis, e isso levou o médico francês Gaston de Lyon a
propor injetar sangue da própria pessoa no membro afetado
para evitar amputação, conforme o relato do Dr. Botsaris.
Ele registra ainda que “Nessa época já se sabia que o sangue
possuía capacidade de curar infecções e a tentativa era
aumentar a quantidade de sangue para defender o organismo,
injetando-o na região comprometida. O tratamento gerou
alguns resultados, motivo pelo qual se popularizou na Europa
até a década de 50. Depois, foi perdendo o seu apelo, com a
introdução de novas drogas antimicrobianas”.
Resgatando a história da
técnica, o Dr. Luiz Moura registra que em 1941
o Dr. Leopoldo Cea, no Dicionário de Términos Y Expressiones
Hematológicas, pg 37, cita: Auto-hemoterapia, método de
tratamento que consiste en injetar a uno indivíduo cierta
cantidad de sangre total (suero Y glóbules), tomada de este
mismo indivíduo. H. Dousset – Auto-Hemoterapia – Técnicas
indispensáveis. É útil em certos casos para
dessensibilizações – 1941. Stedman – Dicionário Médico – 25ª
edição – 1976 – pág 129 – Autohemotherapy – Auto-hemoterapia
– tratamento da doença pela retirada e reinjeção do sangue
do próprio paciente. Referem-se também ao ano de 1977,
citando Index Clínico – Alain Blacove Belair –
Auto-hemoterapia - terapêutica de dessensibilização
não específica.
DR. LUIZ MOURA
O método foi aplicado
com bons resultados por Dr. Luiz Moura, desde o tempo em que
era estudante de medicina, em 1943, na Faculdade Nacional de
Medicina, situada na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Seu
pai, cirurgião geral, foi professor daquela faculdade e
aplicava a auto-hemoterapia nas pessoas que operava. Dr.
Moura afirma que nunca houve problema nenhum e que seu pai
teve com o procedimento uma das taxas menores de infecção
hospitalar já vista até hoje. Para tanto baseavam-se no
trabalho do professor Jesse Teixeira - que foi feito
especificamente para evitar infecções pós-operatórias e que
obteve um sucesso enorme.
Dr. Moura afirma que foi o
professor Jésse Teixeira que provou que o (Sistema
Retículo-Endotelial) S.R.E. era ativado pela
auto-hemoterapia, em seu trabalho “Complicações Pulmonares
Pós-Operatórias - Autohemotransfusão” (http://www.rnsites.com.br/artigo_jesse_teixeira.pdf
) publicado e premiado em 1940 na Revista Brasil –
Cirúrgico, no mês de Março. Jésse Teixeira provocou a
formação de uma bolha na coxa de pacientes, com cantárida,
substância irritante. Fez a contagem dos macrófagos antes da
auto-hemoterapia, a cifra foi de 5%. Após a auto-hemoterapia
a cifra subiu a partir da 1ª hora, chegando após 8 horas a
22%. Manteve-se em 22% durante 5 dias, e finalmente declinou
para 5% no 7º dia após a aplicação.
Por sua vez, Ricardo Veronesi, em
1976 apresentou trabalho “Imunoterapia: O impacto médico do
século” (http://www.rnsites.com.br/artigo_ricardo_veronese.pdf
) explicando as ações do estímulo do S.R.E comprovado por
Jésse Teixeira.
Desde os anos setenta Dr. Luiz
Moura voltou a utilizar a auto-hemoterapia e muitos outros
estudos surgiram a respeito do assunto, conforme observam
alguns pesquisadores. Atualmente, temos conhecimento de uso
da técnica em muitos países, além do Brasil, principalmente
na França, Alemanha, Portugal, México, Rússia, Argentina,
Estados Unidos, Bélgica, Itália, Suíça, Angola, Cabo Verde,
Austrália, Bulgária, Japão e Reino Unido.
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