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GESTO DE GRANDEZA DO CFM
--- Walter
Medeiros* –
waltermedeiros@supercabo.com.br
O
julgamento do processo ético-profissional que o Conselho Federal de
Medicina - CFM realizará no próximo dia 4 de fevereiro, na sua sede em
Brasília, tendo como acusado o médico Luiz Moura, de 85 anos e com 60 anos
do exercício da medicina, pode ser uma boa ocasião para a categoria dos
médicos dar um exemplo de humanidade, enfrentando dois problemas de uma
vez só. O Dr. Luiz Moura será julgado, e poderá ter seus direitos de
médico cassados, por ter dado entrevista explicando como funciona a
auto-hemoterapia, a técnica que aumenta a imunidade do organismo e vem
curando milhares de pessoas no mundo inteiro.
Por um
lado, absolvendo o acusado, o CFM corrigiria uma injustiça, pondo fim a um
processo que teve origem no Conselho Regional de Medicina do Rio de
Janeiro – CRM/RJ, para tratar de um assunto no qual aquele mesmo conselho
regional já havia se manifestado afirmando que o acusado não estava
praticando nada que desabonasse a sua conduta de médico e de membro
daquela entidade. Se nada ocorreu que viesse caracterizar nenhuma afronta
à conduta dos médicos, é de se esperar que a entidade máxima da sua
categoria faça justiça, mandando arquivar o processo e declarando a sua
inocência.
Por outro
lado, o plenário do CFM, onde vai ser julgado o processo, tem todo poder
para determinar na hora o fim de uma situação que vem criando desgastes
para a entidade e prejuízo para toda a população brasileira, revogando a
ordem segundo a qual os médicos não podem praticar a auto-hemoterapia. O
assunto pode ser tratado no âmbito das normas que deixam nas mãos dos
médicos a decisão de utilizar os procedimentos, desde que informem ao
paciente em que situação se encontra no que se refere a pesquisa
científica e obtenham o consentimento para usá-la, aliando a isto a
responsabilidade que cada profissional tem sobre os seus próprios atos.
Na mesma
ocasião pode ser determinada a elaboração de uma resolução estabelecendo
as formas já comprovadas de eficácia no uso da auto-hemoterapia, como
Tampão Sanguíneo Peridural e Plasma Rico em Plaquetas, bem como
determinando os tipos de pesquisas que precisam ser feitas para
regulamentar o uso da terapia nos demais casos. Isto resolveria um vazio
que surgiu depois que o uso da auto-hemoterapia foi simplesmente proibido,
gerando até problemas internos, como o caso dos anestesiologistas, que
reclamaram para usar o Tampão Sanguíneo Peridural e o próprio CFM teve de
emitir nota corrigindo sua resolução e afirmando que esse procedimento tem
vasta comprovação científica.
A
absolvição do Dr. Luiz Moura, a regulamentação do uso da auto-hemoterapia
e o estabelecimento de pesquisas para esclarecer os seus efeitos no
organismo pode ser a melhor decisão dos conselheiros do CFM, no julgamento
do próximo dia 4, a partir das 14 horas. Uma decisão nesse nível seria um
gesto de grandeza, pelo qual a sociedade brasileira seria grata e voltaria
a crer na justiça, seriedade, responsabilidade e nos bons propósitos da
entidade máxima dos médicos brasileiros. Até porque está em pauta a
decisão do destino profissional de um homem de 85 anos, que passou muitas
décadas salvando vidas e sua luta é por salvar outras mais.
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Jornalista |