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--- Por Walter Medeiros -
waltermedeiros@supercabo.com.br
A
auto-hemoterapia foi definida como método terapêutico em
1912, pelo médico francês Paul Revaut, consistindo em
injectar debaixo da pele dum doente alguns centímetros
cúbicos do seu próprio sangue. Revaut descreveu a
auto-hemoterapia, sua técnica e indicações pela primeira vez
num importante artigo publicado em 1913.
Segundo Dr. Luiz Moura (Auto-hemoterapia -
http://www.rnsites.com.br/aht_luiz_moura.pdf
), em 1911, Ravaut registrou o modo de tratamento empregado
em diversas enfermidades infecciosas, em particular na febre
tifóide e em diversas dermatoses. Ravaut usou a
auto-hemoterapia em casos de asma, urticária e estados
anafiláticos, conforme Dicionário Enciclopédico de Medicina,
T.1, de L. Braier, também citado por Dr. Luiz Moura.
Foi lendo os trabalhos
de Mayer e Linser, na Alemanha, que Ravaut pensou,
modificando-os, lançar a idea da auto-hemoterapia. Com
efeito estes autores tiveram pela primeira vez em 1911 a
idéia de tratar uma doente atingida de herpes gestationis
por injecções de soro de sangue duma mulher grávida sã
porque eles pensavam que a evolução normal da gravidez se
fazia à custa da neutralização das toxinas por formação de
anti-toxinas correspondentes. Injetando na doente soro
sanguíneo duma mulher grávida sã, Mayer e Linser esperavam
suprir a insuficiência de anti-toxinas e curar assim a
herpes gestationis.
SIMPLICIDADE
Mais tarde estes autores
substituíram esta hetero-seroterapia pela auto-seroterapia e
estenderam as suas indicações aos prurigos, urticárias e
eczemas, sendo então que Ravaut se lembrou de fazer a
auto-hemoterapia obtendo os mesmos resultados que os autores
alemães, e assim êle preferia injectar o sangue global,
porque na fibrina e nos glóbulos poderiam encontrar-se
substâncias ou corpos microbianos especiais cuja reabsorção
pelo organismo provocasse reações úteis. Neste artigo se vê
quanto a técnica é simples, os seus raros incidentes, as
vantagens sobre a auto-seroterapia e como ela é empregada em
numerosas afecções da pele, constituindo um processo a
escolher nestas dermatoses tão rebeldes a qualquer outro
tratamento.
Anteriormente a Ravaut, já Sicard e Oultman tinham realizado
em larga escala a auto-hemoterapia, julgando-se até os
inventores, motivo porque perante a Sociedade Médica dos
Hospitais em 1912 fizeram uma comunicação contra Ramond
reclamando para si a prioridade de invenção do método.
Apesar dos trabalhos de Ravaut e de tão brilhantemente ter
posto as suas indicações e a sua técnica, documentando com
numerosas observações, o método não é aceito por todos os
clínicos, dada a ignorância do seu mecanismo e ele assim
permaneceu num estado latente até que Widal e os seus
discípulos Abrami e Brissaud com o choque hemoclásico tentam
lançar luz sobre o processo, ao mesmo tempo que estendem as
suas indicações, ingressando-o como terapêutica nos
capítulos das febres tifóides e da asma.
Com esta nova fase e enquanto as teorias se sucedem, para
explicar a ação dos métodos hemoterápicos, o processo entra
definitivamente na prática dermatológica e na clínica geral,
chegando até ao médico português Alberto Carlos David (A
auto-hemoterapia nas dermatoses -
http://www.rnsites.com.br/210_2_FMP_TD_I_01_P.pdf ),
sendo utilizado sistematicamente na clínica de Dermatologia
do Exmo Prof. Luís Viegas e por muitos Exmos clínicos, como
o atestam as observações do seu trabalho e tantas outras que
conheceu, que sempre recorrem à auto-hemoterapia todas as
vezes que lhe aparecem doentes em que possa ser aplicada.
HÁ 180 ANOS
Anteriormente,
em 1831, no Jornal de Medicina e Cirurgia Prática o médico
italiano M. Mansizio recomendava como panacea uma operação
que constituiu assunto duma nota apresentada à Academia de
Medicina. Consistia em apertar um membro superior como para
uma sangria vulgar, abrir em seguida uma veia, colocar aí a
cânula duma seringa, de tal maneira que se pudesse fazer
correr o sangue para depois o introduzir de novo na torrente
circulatória, continuando durante alguns minutos a operação.
M. Mansizio utilizou a prática durante dois anos, em duas
mil operações semelhantes e aplicava-as em todos os casos
onde as sangrias, as sanguesugas e mais tarde as disenterias
tivessem as suas indicações.
David refere-se a Jolieu, informando que para ele aquela
operação não era verdadeiramente a auto-hemoterapia, mas sim
uma auto-transfusão, contudo ela constituiu uma maneira
rudimentar de praticar a auto-hemoterapia. David acrescenta
em 1924 que alguns autores têem querido explicar pelo
mecanismo da auto-hemoterapia a ação terapêutica das
ventosas secas e neste caso a auto-hemoterapia teria uma
origem muito mais remota. Observa que com efeito o hematoma
sub-cutáneo produzido pela aplicação das ventosas é para
Moutier e Rachet uma auto-hemoterapia sub-cutánea; assim
estes autores, em apoio das suas afirmações, fizeram
análises comparativas do sangue de 7 doentes tratados por
auto-hemoterapia e ventosas secas, encontrando modificações
hematológicas perfeitamente paralelas nos dois métodos
terapêuticos, consistindo num síndroma hemoclásico e num
sindroma leuco-excitante, explicando até a acção terapêutica
do processo por esta hiperleucocitose manifesta.
TÉCNICA
Apesar destas tentativas
de aplicação do processo, faltava alguém que estabelecesse
concretamente a sua técnica, as suas contra-indicações e
indicações, acidentes, dosagem, etc., e finalmente o seu
mecanismo. Paul Ravaut, então, pela primeira vez descreveu a
sua técnica e indicações no seu importante artigo, publicado
pelos "Anais de Dermatologia e Sifiligrafia”, de 1913,
subordinado ao título: “Ensaio sobre a auto-hemoterapia em
algumas dermatoses”.
Em outubro de 1924, o médico português Alberto Carlos David
conclui doutoramento na Faculdade de Medicina do Porto, na
qual afirma que a sua Tese – A AUTO-HEMOTERAPIA NAS
DERMATOSES - surgiu por ter conhecimento de curas brilhantes
obtidas na furunculose por auto-hemoterapia, pelo que
resolveu escrever algumas considerações sobre este moderno
processo terapêutico de indicações tão vastas, tornando-o no
caso restrito às dermatoses.
Pretendeu mostrar o estado na época da resolução do problema
e muito principalmente as suas vantagens e as suas
aplicações práticas. Pediu aos Clínicos da cidade os casos
que tivessem tratado por auto-hemoterapia para os observar e
registar, juntando-os aos do Serviço da Clínica de
Dermatologia e Sifiligrafia do Hospital da Misericórdia,
sobre a direção do Prof. Dr. Luís Viegas, e assim formaou um
quorum de documentos que permitiu justificar o estudo. Tendo
percorrido toda a literatura sobre a auto-hemoterapia,
conseguiu reunir 20 observações clínicas que antecederam as
suas considerações. Percorrendo-as, vê-se quanto é largo,
mesmo dentro das dermatoses, o emprego da auto-hemoterapia e
como os doentes, pelos resultados obtidos, beneficiam deste
método tão simples na sua técnica, libertando-os de afecções
impressionantes, como a zona e o liquen plano e, duma
maneira geral, as doenças pruriginosas. Dr. José Aroso
forneceu alguns casos clínicos.
POPULARIZAÇÃO
Em 1938, numa tentativa
de encontrar um tratamento eficaz para infecção ela (a
auto-hemoterapia) voltou a ser empregada, conforme registra
o Dr. Alex Botsarias no seu artigo - “Auto-hemoterapia
é um tratamento ainda experimental” – (
http://www2.uol.com.br/vyaestelar/auto_hemoterapia.htm
) . Nessa época os antibióticos ainda não estavam
disponíveis, e isso levou o médico francês Gaston de Lyon a
propor injetar sangue da própria pessoa no membro afetado
para evitar amputação, conforme o relato do Dr. Botsaris.
Ele registra ainda que “Nessa época já se sabia que o sangue
possuía capacidade de curar infecções e a tentativa era
aumentar a quantidade de sangue para defender o organismo,
injetando-o na região comprometida. O tratamento gerou
alguns resultados, motivo pelo qual se popularizou na Europa
até a década de 50. Depois, foi perdendo o seu apelo, com a
introdução de novas drogas antimicrobianas”.
Resgatando a história da
técnica, o Dr. Luiz Moura registra que em 1941
o Dr. Leopoldo Cea, no Dicionário de Términos Y Expressiones
Hematológicas, pg 37, cita: Auto-hemoterapia, método de
tratamento que consiste en injetar a uno indivíduo cierta
cantidad de sangre total (suero Y glóbules), tomada de este
mismo indivíduo. H. Dousset – Auto-Hemoterapia – Técnicas
indispensáveis. É útil em certos casos para
dessensibilizações – 1941. Stedman – Dicionário Médico – 25ª
edição – 1976 – pág 129 – Autohemotherapy – Auto-hemoterapia
– tratamento da doença pela retirada e reinjeção do sangue
do próprio paciente. Referem-se também ao ano de 1977,
citando Index Clínico – Alain Blacove Belair –
Auto-hemoterapia - terapêutica de dessensibilização
não específica.
DR. LUIZ MOURA
O método foi aplicado
com bons resultados por Dr. Luiz Moura, desde o tempo em que
era estudante de medicina, em 1943, na Faculdade Nacional de
Medicina, situada na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Seu
pai, cirurgião geral, foi professor daquela faculdade e
aplicava a auto-hemoterapia nas pessoas que operava. Dr.
Moura afirma que nunca houve problema nenhum e que seu pai
teve com o procedimento uma das taxas menores de infecção
hospitalar já vista até hoje. Para tanto baseavam-se no
trabalho do professor Jesse Teixeira - que foi feito
especificamente para evitar infecções pós-operatórias e que
obteve um sucesso enorme.
Dr. Moura afirma que foi o
professor Jésse Teixeira que provou que o (Sistema
Retículo-Endotelial) S.R.E. era ativado pela
auto-hemoterapia, em seu trabalho “Complicações Pulmonares
Pós-Operatórias - Autohemotransfusão” (http://www.rnsites.com.br/artigo_jesse_teixeira.pdf
) publicado e premiado em 1940 na Revista Brasil –
Cirúrgico, no mês de Março. Jésse Teixeira provocou a
formação de uma bolha na coxa de pacientes, com cantárida,
substância irritante. Fez a contagem dos macrófagos antes da
auto-hemoterapia, a cifra foi de 5%. Após a auto-hemoterapia
a cifra subiu a partir da 1ª hora, chegando após 8 horas a
22%. Manteve-se em 22% durante 5 dias, e finalmente declinou
para 5% no 7º dia após a aplicação.
Por sua vez, Ricardo Veronesi, em
1976 apresentou trabalho “Imunoterapia: O impacto médico do
século” (http://www.rnsites.com.br/artigo_ricardo_veronese.pdf
) explicando as ações do estímulo do S.R.E comprovado por
Jésse Teixeira.
Desde os anos setenta Dr. Luiz
Moura voltou a utilizar a auto-hemoterapia e muitos outros
estudos surgiram a respeito do assunto, conforme observam
alguns pesquisadores. Atualmente, temos conhecimento de uso
da técnica em muitos países, além do Brasil, principalmente
na França, Alemanha, Portugal, México, Rússia, Argentina,
Estados Unidos, Bélgica, Itália, Suíça, Angola, Cabo Verde,
Austrália, Bulgária, Japão e Reino Unido.
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A história
recente da auto-hemoterapia no Brasil começou com a divulgação do DVD de uma
entrevista do Dr. Luiz Moura aos jornalistas Ana Martinez e Luiz Fernando
Sarmento, que passou a ser reproduzido e distribuído gratuitamente por todo
o Brasil e até no exterior. Na época, 2004, Ana estava satisfeita com os
resultados de outro vídeo - Energia da Vida , de 1994 – no qual Dr. Moura
fala de manutenção da saúde e alternativas para tratamento de doenças
atuais. Ela então sugeriu que fizessem um vídeo específico sobre
auto-hemoterapia, método utilizado há mais de 100 anos e que, na década de
40 do século passado, caiu em desuso com a chegada de antibióticos.
Conforme
explicou o médico, auto-hemoterapia “É uma técnica simples, em que, mediante
a retirada de sangue da veia e a aplicação no músculo, ela estimula um
aumento dos macrófagos, que são, vamos dizer, a Comlurb (Companhia de
Limpeza Urbana) do organismo”, e que “esse aumento de produção de macrófagos
pela medula óssea (se dá) porque o sangue no músculo funciona como um corpo
estranho a ser rejeitado pelo Sistema Retículo Endotelial (SRE)”.
Acrescentou que “Enquanto houver sangue no músculo o Sistema Retículo
Endotelial está sendo ativado. E só termina essa ativação máxima ao fim de
cinco dias.”
RETORNO
Luiz Fernando
lembra que “em pouco tempo passamos a receber, de usuários, retornos
espontâneos de resultados benéficos em relação aos mais variados
distúrbios”, além de que “Iniciativas pessoais – aqui, ali, em muitos
lugares – tornam popular a auto-hemoterapia”. Com a reprodução para fins
humanitários, o vídeo, textos informativos e científicos passaram a ser
disponibilizados na internet – onde há dois anos já circulava estimativa de
que 20.000.000 (vinte milhões) de pessoas já haviam assistido ao DVD.
Passaram a Formarem-se e ser mantidas salas virtuais de debates, ao mesmo
tempo em que surgiam versões do DVD em espanhol e inglês. O assunto se
propaga e surgem solicitações de informações do Brasil inteiro, além de
outros países, como Japão, Estados Unidos, Espanha, Argentina e Uruguai.
Inicia-se então uma campanha nacional em defesa da auto-hemoterapia.
SOLIDARIEDADE
O autor do
DVD observa que cada um dos defensores da técnica deseja – solidariamente,
sem desejo de publicidade ou cobrança por reconhecimento – participar com o
que está ao seu alcance. Trata-se de um movimento popular vivo e, além de
real, é significativo e simbólico, pois há uma intensa procura por soluções
saudáveis.
Para Luiz
Fernando, o momento pelo qual passamos “é uma oportunidade para que órgãos
públicos – OMS-Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde,
Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde – pesquisem e atuem em favor do
bem comum”. Conforme escreveu no prefácio do livreto editado com o texto da
entrevista, o livreto – transcrito do vídeo-depoimento “Auto-Hemoterapia,
Conversa com Dr. Luiz Moura” – é dedicado especialmente aos que não têm
acesso à internet. Para os que têm acesso, no final foi incluída uma relação
de sites com trabalhos científicos e jornalísticos, relatórios, DVDs
virtuais, informações em geral. “A nosso favor, além da consciência, temos o
tempo e a História” – conclui.
FANTÁSTICO
Com a
disseminação do DVD, no entanto, o programa FANTÁSTICO da rede Globo
apresentou uma reportagem na qual o Conselho Federal de Medicina reagia ao
uso da auto-hemoterapia e, embora sem argumentos corretos, provocou uma
série de represálias ao trabalho do Dr. Luiz Moura. Chamaram a
auto-hemoterapia de fraude e atacaram o seu divulgador de forma anti-ética,
chamando-o de “ picareta”. Mas na matéria em nenhum momento foi apresentado
qualquer elemento sério para caracterizar a auto-hemoterapia como “fraude”.
No máximo uma mulher, que dizia achar que poderia fazer mal, sem apresentar
nenhum dado concreto. Ao contrário, o que se viu mesmo foi gente mostrando
que faz a auto-hemoterapia e se dá bem, e o próprio Secretário da Saúde de
Olinda mostrando que a institucionalização da terapia existia, que fazia uso
e estava patrocinando pesquisa a respeito, a despeito de reações de alguns
Conselhos de Medicina.
CAMPANHA
No dia 4 de agosto de 2007, em Cataguases/MG, foi
realizado um evento que desencadeou a Campanha Nacional em Defesa da
Auto-Hemoterapia. Por iniciativa de adeptos da técnica, o encontro, que
reuniu mais de seiscentas pessoas no Cine Teatro Edgar, contou com uma
memorável palestra do Dr. Luiz Moura, com duração de três horas. Acompanhado
da esposa, Dra. Vera Moura, o palestrante respondeu também a inúmeras
perguntas e ouviu depoimentos de usuários da AHT. A platéia tinha pessoas de
todas as idades, entre médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros
profissionais de saúde, professores, populares e prefeitos de municípios
vizinhos.
Naquela ocasião foi lançada a Campanha Nacional em Defesa
da Auto-Hemoterapia, com participantes do Rio de Janeiro, Mauá, São Paulo,
Santos, Florianópolis, Belo Horizonte e Sete Lagoas, entre outras cidades.
Dali saiu um texto-base, uma petição que foi registrada em Cartório de
Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil das Pessoas Jurídicas na
cidade de Sete Lagoas/MG, em 31 de julho de 2007. Adeptos, usuários,
praticantes, defensores, apoiadores e simpatizantes defendem o direito de
uso e aplicação da auto-hemoterapia, sua liberação imediata pelas
autoridades competentes, a realização de pesquisas complementares e a
cessação de toda e qualquer represália aos profissionais de saúde e usuários
da técnica.
PARECER
Naquele mesmo
ano, o Conselho Federal de Medicina publicou parecer sobre a prática da
auto-hemoterapia, no qual mostra uma séria de dúvidas, mas reage cegamente à
realidade atual. Segundo o documento, o uso da auto-hemoterapia seria uma
“aventura irresponsável”, apesar de citar 91 trabalhos científicos que podem
de uma forma ou outra servir de norte para o estudo e as pesquisas sobre
assunto. O parecer do CFM foi publicado em 07.12.2007, em resposta a
consulta feita pela ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Segundo a conclusão do Conselho, a auto-hemoterapia “pode ser testada com
rigor” e admite que há possibilidade de teste de algumas de suas indicações.
Refere-se ainda a indícios de funcionamento da auto-hemoterapia, no que
chama de “casos isolados narrados com dramaticidade”. Mais do que um
posicionamento técnico no âmbito das suas atribuições, o Conselho Federal de
Medicina parece empenhado em ignorar todos acontecimentos em torno do
assunto.
PESQUISA
A necessidade
de avaliar mais precisamente o uso daquela técnica alternativa de tratamento
no Brasil levou o site Orientações Médicas a promover a primeira pesquisa
virtual de sobre Auto-hemoterapia. A pesquisa, que está na Internet desde o
dia 9 de dezembro de 2007, é destinada somente para pessoas que fazem ou já
fizeram aplicações de Auto-hemoterapia durante um período mínimo de um mês e
já foi respondida por 707 usuários. Todas as questões mais relevantes sobre
o assunto estão dispostas no questionário, que começa indagando se a pessoa
fez ou faz aplicações de Auto-hemoterapia, que vantagem(s) obteve, desde
quando, até quando e se ainda está fazendo, bem como se houve algum efeito
colateral (algo que pudesse ter prejudicado o organismo).
Por outro
lado, um grupo de defensores da auto-hemoterapia, formado por pessoas que
defendem o Direito de continuar o tratamento, entre eles pesquisadores,
médicos, enfermeiros e terapeutas que se sentem ceifados em suas pesquisas e
atendimentos, com a proibição da auto-hemoterapia, fez um abaixo-assinado e
coleta assinaturas para levar ao Presidente da República, José Inácio Lula
da Silva e ao Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Após expor o imenso
número de experiências com a auto-hemoterapia, os signatários afirmam a
certeza de que a sua proibição é arbitrária e serve a interesses escusos
inadmissíveis.
PERSEGUIÇÃO
No dia 12 de
dezembro de 2007, às 21h, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio
de Janeiro (Cremerj) realizou uma reunião a portas fechadas para apreciar
uma denúncia de que o médico Luiz Moura estava difundindo um DVD sobre
auto-hemoterapia. A prática da auto-hemoterapia não é proibida em nenhum
texto de lei e consta que é permitida em países como Argentina e México. Mas
foi alvo de pareceres contrários de conselhos regionais e do Conselho
Federal de Medicina, embora o assunto não seja pacífico entre os médicos. O
dr. Alex Botsaris – autor do livro Sem Anestesia e que goza de grande
respeitabilidade na área médica –, por exemplo, rebate os que condenam a
auto-hemoterapia, afirmando: "Não é verdade que essa terapêutica não tenha
nenhum fundamento." O resultado da reunião foi a cassação do registro do dr.
Luiz Moura, de 83 anos, que a partir daquela data ficaria proibido de
exercer a medicina após 57 anos em atividade. Considero esta decisão fato de
grande importância na área da ciência. Trata-se de um assunto que
estranhamente depois do FANTÁSTICO não ganhou a mídia, o que leva alguns
observadores a fazerem aquela análise de que existiria um certo receio de
mexer com os médicos, ou que a técnica não interessaria às indústrias
farmacêuticas, pois é um tratamento cujo único custo é a seringa para a
retirada e aplicação do sangue da própria pessoa.
Depois
daquele momento, o assunto passou a ser visto paulatinamente entre médicos
que defendem um tratamento correto do assunto, o que levou nosso site a
fazer dezenas de matérias, como: Médico paulista também recomenda AHT,
Mastologista sugere estímulo à pesquisa, Proibição à auto-hemoterapia é
agressão à arte de curar, Médico prevê sucesso da auto-hemorerapia, Médico
diz que prescrever auto-hemoterapia é ato de humanidade, Médico mineiro diz
que auto-hemoterapia seria redenção da saúde pública, Paraibanos aprovam a
auto-hemoterapia, Médico levanta dúvidas sobre Parecer do CFM, Médica do
Piauí pesquisa auto-hemoterapia em animais, Transfusões também teriam de
ser proibidas, afirma médica, Mais um médico mostra bons resultados da
auto-hemoterapia, Auto-hemoterapia protege a saúde, Dr. Alex Botsaris quer
equilíbrio na avaliação da auto-hemoterapia e Médico do HC-FMUSP defende
associação. Todas estas matérias encontram-se no link http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia.htm
.
AVANÇOS
Durante os
meses que se seguiram, mesmo enfrentando obstáculos, a auto-hemoterapia
continuou sendo cada vez mais difundida e utilizada, o DVD do Dr. Luiz Moura
ganhou transcrição na Internet, em português e inglês e a técnica ganhou
apoios importantes, como do SINDSAÚDE de Minas Gerais e o próprio Presidente
do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Júnior defendeu o debate do assunto
no âmbito do Ministério da Saúde. Conforme foi mostrado, o CFM e a ANVISA
desprezam até a Declaração de Helsinque, que prevê situações onde os médicos
podem fazer o uso da auto-hemoterapia. Foi mostrado ainda que a proibição da
auto-hemoterapia pode causar mortes.
Nesse ínterim
surgiu a notícia que o Brasil inteiro assistiu a TV Globo, no Jornal
Nacional, mostrando que “Cientistas americanos desenvolveram um tratamento
que abriu novas perspectivas no combate ao câncer”, completando que “O
método utiliza células do sangue do próprio paciente”. Segundo a notícia, “A
nova técnica foi usada em um paciente com quadro grave da doença” e que “O
câncer tinha se espalhado da pele para pulmões e virilha”. A técnica foi
usada há dois anos e o câncer nunca mais voltou. O mais surpreendente,
segundo a informação, é que “o paciente não recebeu qualquer tratamento
complementar, como quimioterapia ou radioterapia”. Isto seria mais uma
mostra da eficácia da auto-hemoterapia.
CRESCIMENTO
A Revista da
Associação Médica Brasileira, em seu volume 54 - Nº 2, de Março e Abril de
2008 publica artigo na seção PONTO DE VISTA com o título “AUTO-HEMOTERAPIA,
INTERVENÇÃO DO ESTADO E BIOÉTICA”, mostrando que “A auto-hemoterapia é uma
prática de uso clínico crescente”. A formulação, no entanto, é estranha,
pois o resumo, onde reconhece que o uso da auto-hemoterapia cresce no
Brasil, afirma que tal prática teria “potencial risco à saúde dos
indivíduos, uma vez que se trata de procedimento terapêutico sem comprovação
científica”. Ou seja, para criticar a auto-hemoterapia, alegam que se trata
de procedimento sem comprovação e quer que isto seja suficiente até para
proibi-la. Mas por outro lado dizem - sem qualquer base científica - que
teria “potencial risco à saúde dos indivíduos”. Aqui eles não dizem qual é
este potencial nem provam nada sobre os aludidos riscos. Até porque nunca se
viu nenhuma comprovação de problema decorrente do uso da auto-hemoterapia.
Mas os
argumentos insustentáveis contra a técnica vêm desmoronando a cada dia, pois
a o Conselho Federal de Medicina viu-se obrigado a publicar um
esclarecimento que põe de água abaixo os argumentos do seu Parecer Nº
12/2007. Eis a publicação, feita no Jornal de Medicina nº 168: “Nota de
esclarecimento - Em face de falha na redação do artigo “Auto-hemoterapia não
tem eficácia comprovada’ no Jornal Medicina (XXII, 167, DEZ/2007, p.11),
esclarecemos que o procedimento terapêutico denominado “tampão sangüíneo
peridural” é cientificamente amparado por relevante literatura médica e
remetemos o leitor ao texto que trata dessa matéria no Parecer CFM 12/07.”
Com este esclarecimento, o CFM anuncia que a auto-hemoterapia é permitida
aos médicos anestesistas, uma vez que o “tampão sangüíneo peridural” nada
mais é do que uma espécie de auto-hemoterapia utilizada durante cirurgias.
Mais grave ainda é que este procedimento foi comentado no Parecer do CFM,
porém numa tentativa de desqualificá-lo. A nota de esclarecimento do CFM foi
publicada também no site da Sociedade Brasileira de Anestesiologia.
JUSTIÇA
Mostramos em
artigo anterior que o estado em que se encontra hoje a questão do uso da
auto-hemoterapia no Brasil proporciona uma forte visão do autoritarismo, do
abuso do poder e da força arbitrária. Fazia mais de cem anos que a técnica
era permitida e usada por médicos para curar ou ajudar na cura de inúmeras
doenças, mas de repente foi proibida devido a uma interpretação errônea que
vem prejudicando a população brasileira inteira. Durante todo aquele tempo
de uso, não existiu nenhum registro de algum mal que pudesse ter dela
decorrido. Mas estranhamente, sem que tivesse ocorrido qualquer fato que
justificasse, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, de forma
injusta e confusa, criou um clima de proibição.
A confusão
jurídica na ANVISA é grande, pois pedimos esclarecimentos sobre a
auto-hemoterapia junto àquele órgão, para saber se havia sido proibida ou
não, e responderam com duas informações contraditórias. Primeiro, que o
assunto ainda estava sendo analisado; depois, que estava, sim, proibida
através da Nota Técnica, que era anterior àquela outra informação. Acontece
que Nota Técnica não tem poder de proibir nenhum procedimento. Mas apesar
disso os médicos temem punições e não aplicam oficialmente a técnica, embora
seja grande e crescente o número de profissionais que defendem a
auto-hemoterapia e criticam a decisão drástica, inesperada e desumana do CFM.
Resta agora os cidadãos procurarem a Justiça, para garantir seus direitos à
vida e à saúde.
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