AUTO-HEMOTERAPIA janeiro de 2012

Auto-hemoterapia é uma técnica que combate e cura doenças com a retirada de sangue da veia e aplicação imediata no músculo. Esta terapia vem salvando vidas há mais de cem anos. Este espaço é dedicado à divulgação desta técnica, difundida pelo Dr. Luiz Moura, do RJ.


AUTO-HEMOTERAPIA - INFORMAÇÕES SOBRE A TERAPIA QUE CURA ATRAVÉS DO SANGUE

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14.01.2012

 

Auto-hemoterapia, Dr. Fleming e os antibióticos... (92)

 

Texto: Jorge Martins Cardoso (Médico – CRM 573)

 

Os melhores êxitos obtidos com a terapêutica da excitação registraram-se no reumatismo articular crônico. Bem como nas infecções inespecíficas de curso tórpido e nas dermatoses. É de grande importância a dose e o momento da injeção. Vale mencionar também o seu emprego nas afecções oculares de natureza infecciosa, especialmente na oftalmoblenorréia (conjuntivite de natureza blenorrágica) dos recém-nascidos. Foram registrados também notáveis resultados de tais injeções com fins profiláticos (para evitar as infecções em casos de traumatismos por corpos estranhos).

Esta terapia está indicada quando as defesas orgânicas são insuficientes. Os diversos estimulantes que se injetam no corpo do paciente funcionam segundo a regra biológica fundamental de Arndt-Schulz (a*) de 1898: os estímulos débeis despertam a vitalidade do organismo, os médios a fomentam, os fortes a inibem e os demasiado fortes a eliminam. Assim os estímulos excessivamente fortes fazem com que a célula morra, os estímulos moderados incitam a célula a recuperar o equilíbrio alterado e com isso obter o funcionamento normal. O próprio professor August Bier reconheceu em texto publicado em 1925, que a terapia irritativa de Arndt-Schulz se aproxima da homeopatia fundada por Samuel Hahnemann (1755-1843) (b*), colocando no mesmo nível, pela primeira vez na história da medicina, a doutrina alopática da homeopatia.

Nesse mecanismo desempenha um importante papel a receptividade do indivíduo como também o tipo de enfermidade que o aflige, já que um indivíduo são reage diferente do indivíduo doente. Assim a incorporação parenteral de albuminas estranhas provoca uma reação parecida com a que produzem as infecções agudas: as células aumentam sua atividade, e da mesma maneira os tecidos locais afetados, aumento dos glóbulos vermelhos e brancos e de todas as funções biológicas, do metabolismo e da diurese, enfim o organismo sofre uma alteração, suas defesas e a formação dos anticorpos se ativam.

Como o principal efeito da auto-hemoterapia é o estímulo do Sistema Retículo Endotelial (S. R. E.) esclarecemos que suas principais funções são a limpeza de partículas estranhas ao organismo provenientes do sangue ou dos tecidos (inclusive células neoplásicas), toxinas e outras substâncias tóxicas. Além disso promove a biotransformação e excreção do colesterol, o metabolismo de PROTEÍNAS e a remoção de PROTEÍNAS desnaturadas. Assim respondendo por tantas e tão importantes funções, fácil é de se entender o papel desempenhado pelo Sistema Retículo Endotelial (S. R. E.) no determinismo favorável ou desfavorável de processos mórbidos tão variados como sejam os infecciosos, neoplásicos, degenerativos e auto-imunes.

No Brasil, a auto-hemoterapia também foi introduzida no início do século XX, porque diferentemente dos tempos atuais, os médicos da época avaliavam as experiências realizadas em outros países. O próprio Prof. Miguel Couto (1864-1934), (c*) patrono da medicina brasileira, sabia dos efeitos positivos da injeção de sangue autógeno. Cita inclusive as experiências promovidas por Kitasato (d*) e Behring, (e*) publicada em 1890, relativas à imunidade do tétano. Com o sangue extraído da carótida de um coelho realizou-se as seguintes experiências: dois coelhos receberam na cavidade abdominal uma injeção de 2 e de 3 cc. deste sangue. Vinte e quatro horas depois, estes dois animais e dois outros testemunhas foram inoculados com uma cultura do bacilo do tétano (de Nicolaier) (f*). Os animais testemunhas morreram tetanizados, enquanto que os dois vacinados com seu próprio sangue continuaram sadios. Experiências análogas feitas com o soro sangüíneo do coelho surtiram o mesmo efeito obtido com o próprio sangue. Na época concluiu-se, a partir de inúmeras experiências do mesmo gênero, que o soro sangüíneo dos animais em condições de imunidade contra uma dada moléstia infecciosa, tem propriedades profiláticas e terapêuticas em relação a essa moléstia, sobretudo se os animais forem da mesma espécie.

Sabemos também que o Dr. Jésse Teixeira (g*) promoveu experiências no Hospital de Pronto Socorro com 150 pacientes, seguindo sugestão de seu chefe Dr. Sylvio D’Ávila (h*), a partir de um artigo publicado nos EUA em 1936 por Michael W. Mettenletter (i*), cirurgião de Nova York. A auto-hemoterapia foi aplicada como profilaxia das complicações pulmonares pós-operatórias, que segundo o autor, eram as únicas existentes na época e consideradas da mais alta valia, podendo ser vantajosamente empregada, quer na cirurgia de urgência, quer nos casos em que o doente pode ser preparado.

O próprio pai do Dr. Luiz Moura, Dr. Pedro Moura (j*) já aplicava a vacina de sangue, em 1943, quando ainda era estudante de medicina, e seu pai, chefe da enfermaria da Santa Casa. O próprio Dr. Luiz Moura aplicava na véspera da internação no paciente 10 ml de sangue e cinco dias depois repetia a mesma aplicação. Ele obtinha na época uma das taxas menores de infecção hospitalar.

Entretanto com a descoberta dos antibióticos na década de 40, o uso da auto-hemoterapia foi descontinuado, quando o mais normal seria acrescentar e não substituir. Além do mais os laboratórios que produziam os antibióticos obtinham lucros fabulosos com a venda dos medicamentos e com a auto-hemoterapia não lucravam absolutamente nada...

Pelo que sabemos apenas no Brasil a auto-hemoterapia está proibida. Pelo menos no México, Rússia, Estados Unidos ou Alemanha sabemos que utiliza, ao lado de outros recursos terapêuticos, a vacina do sangue ou como se diz em Portugal, o auto-sangue. Quando Beckenbauer (k*) pendurou as chuteiras, alegou que atribuía seu desempenho físico à auto-hemoterapia. Antes de cada jogo ele fazia uma aplicação de 10 ml. e atribuía a isso tanto a saúde que tinha quanto a resistência física nos jogos. No Brasil, o médico da seleção brasileira, José Luiz Runco (l*) trata lesões, em casos de fraturas de difícil calcificação, há vários anos, com injeções de concentrado de plaquetas extraídas do sangue do paciente, na área da fratura. Na opinião do médico essa técnica não provoca efeito colateral ou causa qualquer tipo de rejeição, já que o sangue é do próprio paciente.

Diante da popularidade que a terapia adquiriu a partir da entrevista do Dr. Luiz Moura, a atitude correta e ética das autoridades médicas, da ANVISA ou dos Conselhos de Medicina, seria solicitar que a universidade brasileira promovesse experiências duplo-cego, com avaliação clínica dos voluntários e, em pouco tempo, teríamos a comprovação científica necessária para apoiar ou negar autenticidade à sua introdução nos sistemas de saúde. Entretanto as autoridades da área médica não podem desconhecer as experiências anteriores, inclusive realizadas em países com maior tradição na área de pesquisa da saúde do que o Brasil. O que nos leva a concluir que se trata na verdade apenas de má fé ou de submissão colonizada a interesses extremamente excusos. (1).

Considerações: 1ª - Na 2ª parte da 2ª versão sobre a gênese da auto-hemoterapia, encontramos mais uma vez as famosas ALBUMINAS (que são PROTEÍNAS), e o famoso Sistema Retículo Endotelial (S. R. E.) ou Sistema Macrofágico de ASCHOFF, que, como o nome diz, está intrinsecamente ligado aos MACRÓFAGOS. 2ª - No presente texto são mencionados os seguintes "personagens": ARNDT, SCHULZ, AUGUSTO BIER, SAMUEL HAHNEMANN, MIGUEL COUTO, KITASATO, BEHRING, NICOLAIER, JÉSSE TEIXEIRA, SYVIO D'ÁVILA, MICHAEL W. METTENLETTER, LUIZ MOURA, PEDRO MOURA, BECKENBAUER e JOSÉ LUIZ RUNCO, totalizando 15 pessoas. (continua).

(a*) - Arndt-Schulz - Rudolf Arndt (1835-1900) - Médico psiquiatra alemão. - Hugo Paul Friedrichs Schulz (1853-1932) - Médico e farmacologista alemão. (b*) - Samuel Hahnemann (1755-1843) - Christian Friedrich Samuel Hahnemann - Médico alemão, fundou a homeopatia em 1779. (c*) - Prof. Miguel Couto (1865-1934) - Miguel de Oliveira Couto - Médico, clínico geral, e político brasileiro. Diplomou-se em 1883 pela Academia Imperial de Medicina. Foi membro-titular da Academia Nacional de Medicina e membro da Academia Brasileira de Letras. Foi deputado na Assembléia Nacional Constituinte de 1934, eleito pelo Distrito Federal. (d*) - Kitasato - Baron Kitasato Shibasaburo (1853-1931) - Médico e bacteriologista japonês. (e*) - Behring - Emil Adolf von Behring (1854-1917) - Médico, cirurgião e microbiologista alemão. Foi o primeiro a ser agraciado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1901. - (f*) - Nicolaier - Arthur Nicolaier (1862-1942) - Médico e cientista alemão. (g*) - Dr. Jésse Teixeira - Médico cirurgião brasileiro. (h*) - Dr. Sylvio D'Ávila - Médico e Chefe do Dr. Jésse Teixeira. (i*) - Michael W. Mettenletter - Médico cirurgião norte-americano. (j*) - Pedro Moura - Médico cirurgião brasileiro. (k*) - Beckenbauer - Franz Anton Beckenbauer - Nasceu em Munique - Alemanha, em 1945. Ex-jogador e ex-técnico da Seleção Alemã de Futebol. É o atual dirigente do Bayer de Munique. (l*) - José Luiz Runco - Médico da Seleção Brasileira de Futebol e médico do Clube de Regatas do Flamengo. (2).

Aracaju, 13 de janeiro de 2012.

Jorge Martins Cardoso - Médico - CRM 573.

 

Fontes: (1) - A prática da auto-hemoterapia no Brasil - Saúde & Lazer - Prof. Douglas Carrara - Antropólogo - 27 de janeiro de 2009. (2) - Dra. Internet, Dr. Google e Dra. Wikipédia.

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