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Os
melhores êxitos obtidos com a
terapêutica da excitação
registraram-se no reumatismo
articular crônico. Bem como nas
infecções inespecíficas de curso
tórpido e nas dermatoses. É de
grande importância a dose e o
momento da injeção. Vale
mencionar também o seu emprego
nas afecções oculares de
natureza infecciosa,
especialmente na
oftalmoblenorréia (conjuntivite
de natureza blenorrágica) dos
recém-nascidos. Foram
registrados também notáveis
resultados de tais injeções com
fins profiláticos (para evitar
as infecções em casos de
traumatismos por corpos
estranhos).
Esta
terapia está indicada quando as
defesas orgânicas são
insuficientes. Os diversos
estimulantes que se injetam no
corpo do paciente funcionam
segundo a regra biológica
fundamental de Arndt-Schulz (a*)
de 1898: os estímulos débeis
despertam a vitalidade do
organismo, os médios a fomentam,
os fortes a inibem e os
demasiado fortes a eliminam.
Assim os estímulos
excessivamente fortes fazem com
que a célula morra, os estímulos
moderados incitam a célula a
recuperar o equilíbrio alterado
e com isso obter o funcionamento
normal. O próprio professor
August Bier reconheceu em
texto publicado em 1925, que a
terapia irritativa de
Arndt-Schulz se aproxima da
homeopatia fundada por Samuel
Hahnemann (1755-1843) (b*),
colocando no mesmo nível, pela
primeira vez na história da
medicina, a doutrina alopática
da homeopatia.
Nesse
mecanismo desempenha um
importante papel a receptividade
do indivíduo como também o tipo
de enfermidade que o aflige, já
que um indivíduo são reage
diferente do indivíduo doente.
Assim a incorporação parenteral
de albuminas estranhas
provoca uma reação parecida com
a que produzem as infecções
agudas: as células aumentam sua
atividade, e da mesma maneira os
tecidos locais afetados,
aumento dos glóbulos vermelhos e
brancos e de todas as
funções biológicas, do
metabolismo e da diurese, enfim
o organismo sofre uma alteração,
suas defesas e a formação dos
anticorpos se ativam.
Como o
principal efeito da
auto-hemoterapia é o estímulo do
Sistema Retículo Endotelial
(S. R. E.) esclarecemos que
suas principais funções são a
limpeza de partículas estranhas
ao organismo provenientes do
sangue ou dos tecidos (inclusive
células neoplásicas), toxinas e
outras substâncias tóxicas. Além
disso promove a biotransformação
e excreção do colesterol, o
metabolismo de PROTEÍNAS e a
remoção de PROTEÍNAS
desnaturadas. Assim respondendo
por tantas e tão importantes
funções, fácil é de se entender
o papel desempenhado pelo
Sistema Retículo Endotelial (S.
R. E.) no determinismo
favorável ou desfavorável de
processos mórbidos tão variados
como sejam os infecciosos,
neoplásicos, degenerativos e
auto-imunes.
No
Brasil, a auto-hemoterapia
também foi introduzida no início
do século XX, porque
diferentemente dos tempos
atuais, os médicos da época
avaliavam as experiências
realizadas em outros países. O
próprio Prof. Miguel Couto
(1864-1934), (c*) patrono da
medicina brasileira, sabia dos
efeitos positivos da injeção
de sangue autógeno. Cita
inclusive as experiências
promovidas por Kitasato (d*)
e Behring, (e*) publicada em
1890, relativas à imunidade do
tétano. Com o sangue extraído da
carótida de um coelho
realizou-se as seguintes
experiências: dois coelhos
receberam na cavidade abdominal
uma injeção de 2 e de 3 cc.
deste sangue. Vinte e quatro
horas depois, estes dois animais
e dois outros testemunhas foram
inoculados com uma cultura do
bacilo do tétano (de
Nicolaier) (f*). Os animais
testemunhas morreram
tetanizados, enquanto que os
dois vacinados com seu
próprio sangue continuaram
sadios. Experiências análogas
feitas com o soro sangüíneo do
coelho surtiram o mesmo efeito
obtido com o próprio sangue. Na
época concluiu-se, a partir de
inúmeras experiências do mesmo
gênero, que o soro sangüíneo dos
animais em condições de
imunidade contra uma dada
moléstia infecciosa, tem
propriedades profiláticas e
terapêuticas em relação a essa
moléstia, sobretudo se os
animais forem da mesma espécie.
Sabemos também que o Dr.
Jésse Teixeira (g*) promoveu
experiências no Hospital de
Pronto Socorro com 150
pacientes, seguindo sugestão de
seu chefe Dr. Sylvio D’Ávila
(h*), a partir de um artigo
publicado nos EUA em 1936 por
Michael W. Mettenletter
(i*), cirurgião de Nova York. A
auto-hemoterapia foi aplicada
como profilaxia das complicações
pulmonares pós-operatórias, que
segundo o autor, eram as únicas
existentes na época e
consideradas da mais alta valia,
podendo ser vantajosamente
empregada, quer na cirurgia de
urgência, quer nos casos em que
o doente pode ser preparado.
O
próprio pai do Dr. Luiz Moura,
Dr. Pedro Moura (j*) já
aplicava a vacina de sangue, em
1943, quando ainda era estudante
de medicina, e seu pai, chefe da
enfermaria da Santa Casa. O
próprio Dr. Luiz Moura aplicava
na véspera da internação no
paciente 10 ml de sangue e cinco
dias depois repetia a mesma
aplicação. Ele obtinha na época
uma das taxas menores de
infecção hospitalar.
Entretanto com a descoberta dos
antibióticos na década de 40, o
uso da auto-hemoterapia foi
descontinuado, quando o mais
normal seria acrescentar e não
substituir. Além do mais os
laboratórios que produziam os
antibióticos obtinham lucros
fabulosos com a venda dos
medicamentos e com a
auto-hemoterapia não lucravam
absolutamente nada...
Pelo
que sabemos apenas no Brasil a
auto-hemoterapia está proibida.
Pelo menos no México, Rússia,
Estados Unidos ou Alemanha
sabemos que utiliza, ao lado de
outros recursos terapêuticos, a
vacina do sangue ou como
se diz em Portugal, o
auto-sangue. Quando
Beckenbauer (k*) pendurou as
chuteiras, alegou que atribuía
seu desempenho físico à
auto-hemoterapia. Antes de cada
jogo ele fazia uma aplicação de
10 ml. e atribuía a isso tanto a
saúde que tinha quanto a
resistência física nos jogos. No
Brasil, o médico da seleção
brasileira, José Luiz Runco
(l*) trata lesões, em casos
de fraturas de difícil
calcificação, há vários anos,
com injeções de concentrado de
plaquetas extraídas do sangue do
paciente, na área da fratura. Na
opinião do médico essa técnica
não provoca efeito colateral ou
causa qualquer tipo de rejeição,
já que o sangue é do próprio
paciente.
Diante
da popularidade que a terapia
adquiriu a partir da entrevista
do Dr. Luiz Moura, a atitude
correta e ética das autoridades
médicas, da ANVISA ou dos
Conselhos de Medicina, seria
solicitar que a universidade
brasileira promovesse
experiências duplo-cego, com
avaliação clínica dos
voluntários e, em pouco tempo,
teríamos a comprovação
científica necessária para
apoiar ou negar autenticidade à
sua introdução nos sistemas de
saúde. Entretanto as autoridades
da área médica não podem
desconhecer as experiências
anteriores, inclusive realizadas
em países com maior tradição na
área de pesquisa da saúde do que
o Brasil. O que nos leva a
concluir que se trata na verdade
apenas de má fé ou de submissão
colonizada a interesses
extremamente excusos. (1).
Considerações: 1ª - Na 2ª parte
da 2ª versão sobre a gênese da
auto-hemoterapia, encontramos
mais uma vez as famosas
ALBUMINAS (que são PROTEÍNAS), e
o famoso Sistema Retículo
Endotelial (S. R. E.) ou Sistema
Macrofágico de ASCHOFF, que,
como o nome diz, está
intrinsecamente ligado aos
MACRÓFAGOS. 2ª - No presente
texto são mencionados os
seguintes "personagens": ARNDT,
SCHULZ, AUGUSTO BIER, SAMUEL
HAHNEMANN, MIGUEL COUTO,
KITASATO, BEHRING, NICOLAIER,
JÉSSE TEIXEIRA, SYVIO D'ÁVILA,
MICHAEL W. METTENLETTER, LUIZ
MOURA, PEDRO MOURA, BECKENBAUER
e JOSÉ LUIZ RUNCO, totalizando
15 pessoas. (continua).
(a*) -
Arndt-Schulz - Rudolf Arndt
(1835-1900) - Médico psiquiatra
alemão. - Hugo Paul Friedrichs
Schulz (1853-1932) - Médico e
farmacologista alemão. (b*) -
Samuel Hahnemann (1755-1843) -
Christian Friedrich Samuel
Hahnemann - Médico alemão,
fundou a homeopatia em 1779.
(c*) - Prof. Miguel Couto
(1865-1934) - Miguel de Oliveira
Couto - Médico, clínico geral, e
político brasileiro. Diplomou-se
em 1883 pela Academia Imperial
de Medicina. Foi membro-titular
da Academia Nacional de Medicina
e membro da Academia Brasileira
de Letras. Foi deputado na
Assembléia Nacional Constituinte
de 1934, eleito pelo Distrito
Federal. (d*) - Kitasato - Baron
Kitasato Shibasaburo (1853-1931)
- Médico e bacteriologista
japonês. (e*) - Behring - Emil
Adolf von Behring (1854-1917) -
Médico, cirurgião e
microbiologista alemão. Foi o
primeiro a ser agraciado com o
Nobel de Fisiologia ou Medicina
em 1901. - (f*) - Nicolaier -
Arthur Nicolaier (1862-1942) -
Médico e cientista alemão. (g*)
- Dr. Jésse Teixeira - Médico
cirurgião brasileiro. (h*) - Dr.
Sylvio D'Ávila - Médico e Chefe
do Dr. Jésse Teixeira. (i*) -
Michael W. Mettenletter - Médico
cirurgião norte-americano. (j*)
- Pedro Moura - Médico cirurgião
brasileiro. (k*) - Beckenbauer -
Franz Anton Beckenbauer - Nasceu
em Munique - Alemanha, em 1945.
Ex-jogador e ex-técnico da
Seleção Alemã de Futebol. É o
atual dirigente do Bayer de
Munique. (l*) - José Luiz Runco
- Médico da Seleção Brasileira
de Futebol e médico do Clube de
Regatas do Flamengo. (2).
Aracaju, 13 de janeiro de 2012.
Jorge
Martins Cardoso - Médico - CRM
573.
Fontes: (1) - A prática da
auto-hemoterapia no Brasil -
Saúde & Lazer - Prof. Douglas
Carrara - Antropólogo - 27 de
janeiro de 2009. (2) - Dra.
Internet, Dr. Google e Dra.
Wikipédia.
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