13.04.2011
Quatro anos de uma proibição
injusta
--- Walter Medeiros* –
waltermedeiros@supercabo.com.br
Neste dia 13 de abril de
2011 completam-se quatro anos da publicação de uma das medidas mais
precipitadas, confusas, autoritárias, descabidas e desumanas da história da
saúde no Brasil. Nesta data, quatro anos atrás, surgia a Nota Técnica da Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária)[1] tratando do uso da
auto-hemoterapia e anunciando, de forma ilegal [2], a proibição do uso de uma
técnica que sempre tinha sido usada no país, proporcionando saúde e salvando
vidas, sem causar nenhum problema aos seus usuários.
Auto-hemoterapia é uma técnica que combate e cura
doenças com a retirada de sangue da veia e aplicação imediata no músculo. Esta
terapia foi bastante difundida a partir de 2004, através de um DVD com extensa
entrevista concedida pelo Dr. Luiz Moura, do Rio de Janeiro, que tem sessenta
anos de experiência e sucesso no tratamento dos seus pacientes. A disseminação
da técnica incomodou a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia – SBHH
e a Anvisa, que se precipitaram e passaram a apresentar pronunciamentos
incoerentes a respeito do assunto.
FANTÁSTICO
Em decorrência desses posicionamentos, o FANTÁSTICO
apresentou reportagem no dia 22.04.2007 taxando a auto-hemoterapia de “fraude”,
mas em nenhum momento foi apresentado qualquer elemento sério para assim a
caracterizar. Ao contrário, o que se viu mesmo foi gente mostrando que faz a
auto-hemoterapia e se dá bem. Após o programa, foi realizado um Chat no site do
Fantástico com o presidente da SBHH, Carlos Chiattore, que não conseguiu
esclarecer nada nem apresentou nenhum argumento sério contra a
auto-hemoterapia.[3] Na ocasião, o então presidente do Conselho Federal de
Medicina - CFM, médico Edson Andrade, referiu-se a um colega de profissão, Dr.
Luiz Moura, à época com 82 anos, chamando-o com ênfase de “picareta” e de “mau
caráter” e falando outros absurdos.[4]
Pouco mais de seis meses depois, o Conselho Federal de
Medicina divulgou um parecer sobre a prática da auto-hemoterapia, no qual
mostrava uma séria de dúvidas, mas reagia cegamente à realidade. Era uma
resposta a consulta feita pela Anvisa. O parecer do Conselho diz que a
auto-hemoterapia “pode ser testada com rigor” e admite que há possibilidade de
teste de algumas de suas indicações. Refere-se ainda a indícios de funcionamento
da auto-hemoterapia, no que chama de “casos isolados narrados com
dramaticidade”. O CFM bem que poderia transformar o que chamam de drama em
universo científico. O próprio parecer já apresenta várias questões que podem
ser transformadas em pesquisas científicas. Afirma o parecer que “Muitos
questionamentos poderiam ser feitos à luz das afirmações do Dr. Luiz Moura”. [5]
PARECER SUPERFICIAL
A proibição do uso da auto-hemoterapia pelo CFM tem
bases superficiais, pois o material consultado foram os abstracts disponíveis na
base de dados Medline, que tem 11 milhões de citações e resumos da literatura
médica. Não se deram ao trabalho de ler nenhum dos materiais da base de dados de
forma completa. Ou seja, 180 milhões de brasileiros estão à mercê de um trabalho
incompleto.[6] Ao contrário do que não encontraram ao pesquisar publicações em
inglês, polonês, russo, alemão, chinês, espanhol, francês e italiano, se forem à
base de dados indicada e outras, encontrarão elementos suficientes para não
negar simplesmente. O médico Alex Botsaris escreveu artigo naquela ocasião
afirmando que “não é verdade que essa terapêutica não tenha nenhum fundamento,
nem que não haja nenhum trabalho publicado sobre ela na literatura mundial ou
nacional, como afirma a SBHH”. Ele informa que “Na base de dados Pubmed, do NIH
(Instutito Nacional de Saúde americano), considerada a maior base de dados
médicos do mundo, existem cerca de 106 estudos científicos publicados sobre
auto-hemoterapia, a maioria sendo clínicos.” Segundo ele, “É um numero modesto,
mas mostra que alguma pesquisa já foi realizada.”
Em 2008, o médico Jorge Martins Cardoso escreveu
artigo levantando dúvidas sobre o parecer do CFM, defendendo a investigação
científica [7]. Contraditoriamente, o CFM voltou atrás para permitir o uso da
auto-hemoterapia no procedimento chamado Tampão Sanguíneo Peridural, conforme
dados oficiais da entidade [8]. Outro conceituado médico, Dr. Francisco das
Chagas Rodrigues, da UFRN, considerou a proibição da AHT “uma agressão à arte de
curar” [9]. Muitos outros fatos se sucederam e o Ministério da Saúde continuou
fazendo vistas grossas do assunto. Passa da hora de encarar o problema e
encontrar o caminho para decidir com bases corretas a orientação que deve ser
dada ao assunto, ouvindo todas as partes interessadas. [10]
MINISTRO
Já em 26.01.2011, o Exmo. Sr. Ministro da Saúde,
Alexandre Padilha, usou o twitter para afirmar que “auto-hemoterapia não está
incluída nas normas do Ministério da Saúde, por não ter o reconhecimento da
comunidade científica”. Em respostas, mostramos que esta pode ser a oportunidade
do Ministério passar a tratar corretamente o assunto, através dos
encaminhamentos oficiais de discussão pública, inclusive com a possibilidade de
adoção como prática no Sistema Único de Saúde - SUS. Aproveitamos para relembrar
que essa informação do Ministério é baseada no mesmo parecer do CFM que foi
questionado desde os primeiros momentos da sua publicação.
O ministro Alexandre Padilha perde a oportunidade de
tratar do assunto com a ótica da sociedade, que precisa de uma resposta para os
seus problemas de saúde e acredita que esta resposta pode estar na
auto-hemoterapia. Mesmo não tendo ainda o alegado reconhecimento da comunidade
científica, até hoje ninguém foi capaz de afirmar com seriedade que a
auto-hemoterapia não funcionaria. Ao contrário: todas as evidências apontam para
comprovar que ela é capaz de curar ou ajudar na cura de inúmeras doenças, de
acne a câncer.
“PRECAUÇÃO”
A divulgação de extensa matéria sobre auto-hemoterapia
no Domingo Espetacular da TV Record no dia 30.01.2011, foi vista como algo que
pode abrir o caminho para mudança na postura do Conselho Federal de Medicina e
Ministério da Saúde. Assim defendem médicos que assistiram à matéria e acreditam
que o momento exige uma decisão sobre a pesquisa do assunto no âmbito da
medicina. O programa apresentou vários casos de pessoas que se cuidam e obtém
sucesso com auto-hemoterapia, enquanto os médicos que discordaram do uso não
apresentaram qualquer justificativa nem comprovação do que alegaram. [11]
Embora nunca tenha feito citação do princípio de
administração pública, quase quatro anos depois da publicação da Nota Técnica, a
Anvisa, que proibiu no uso da auto-hemoterapia antes de receber o Parecer do
CFM, alega que se baseou no princípio da precaução. E informa, depois de várias
solicitações do Senador Eduardo Suplicy, que
nada tem a obstar à realização de pesquisas sobre
auto-hemoterapia, embora não crie nenhuma facilidade naquilo que seria também
sua obrigação legal. Como se sabe nos meios jurídicos e administrativos, o
princípio da precaução não pode nem deve ser empregado de forma autoritária, mas
exige participação e diálogo com os interessados, o que não foi realizado em
nenhuma circunstância pela Anvisa. Ademais, nada foi mostrado que ateste a
alegada falta de comprovação científica da auto-hemoterapia. Apenas, de forma
estranha, apareceu a nota proibindo um procedimento médico que era utilizado
havia mais de cem anos no mundo inteiro e no Brasil havia mais de sessenta anos,
sem qualquer queixa concreta de algum mal resultante da sua aplicação.
PERGUNTAS SEM RESPOSTAS
Intercedendo pelos usuários e defensores da técnica, o
Senador Eduardo Suplicy apresentou à Anvisa, ao CFM e ao Ministro da Saúde 57
perguntas que lhe foram enviadas para esclarecer a proibição, que é considerada
ilegal, mas sempre recebe como resposta que tudo se baseia no Parecer do CFM,
aquele mesmo que foi contestado por Deus e o mundo. Uma das questões destaca:
“Por quê não estimula o debate do assunto entre os médicos? Se não é um método
terapêutico pseudocientífico, pois pode ser testada com rigor, se há
possibilidades a comprovar e existem até indícios admitidos, por quê não
estimular o seu teste, o seu estudo, a sua pesquisa?”[12]
Agora em 29 de março, o CFM instalou a Câmara Técnica
de Hematologia, incluindo o tema auto-hemoterapia entre os assuntos a serem
desenvolvidos nas suas atividades. Diante dessa nova realidade, é importante
observar que o tema “Auto-hemoterapia” não estaria em pauta se não houvesse algo
importante a considerar, no qual milhões de pessoas são partes interessadas e o
CFM não poderia continuar ignorando este fato. Com esta nova postura do
Conselho, é possível que a solução do problema esteja sendo encaminhada.
Certamente o primeiro passo poderá ser a leitura do parecer da entidade sobre o
assunto, uma vez que esperamos que este trabalho seja realizado de forma
qualificada, científica e ética, respeitando as expectativas de milhões de
cidadãos que usam, precisam e clamam por uma solução para seus problemas de
saúde.
*Jornalista
---
Leia mais sobre o assunto no site “Auto-hemoterapia,
meu sangue me cura” –
www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia.htm
[1] Uma proibição ilegal -
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia-legis.htm
[2] Justiça pela auto-hemoterapia -
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia-jus.htm
[3] “Fraude” forjada -
http://www.rnsites.com.br/artigo_Natal_RN_02.htm
[4] O médico baixou o nível -
http://www.rnsites.com.br/artigo_Natal_RN_01.htm
[5] Auto-hemoterapia, uma questão de pesquisa -
http://www.rnsites.com.br/artigo_Natal_RN_04.htm
[6] Superficialidade no parecer do CFM –
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia-abstracts.htm
[7] Médico levanta dúvida sobre parecer do CFM –
http://www.rnsites.com.br/autohemoterapia-se.htm
[8] CFM volta atrás para permitir auto-hemoterapia com
tampão –
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia-tsp.htm
[9] Proibição da auto-hemoterapia é uma agressão à
arte de curar –
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia-rodrigues.htm
[10] Parecer do CFM, na íntegra
http://www.portalmedico.org.br/pareceres/cfm/2007/12_2007.htm
[11] CFM e SBHH não têm argumentos contra
auto-hemoterapia –
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia-domingo_espetacular.htm
[12] CFM deve respostas ao Senador Eduardo Suplicy –
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia-suplicy3.html