Poemas de CORDEL

Coletânea de versos de Walter Medeiros e outros cordelistas nordestinos

 

Para entender o Cordel

 

Os internautas que acessam o site Poemas de Cordel vêm apresentando em mensagens enviadas através do e-mail algumas indagações que são de interesse de todos aqueles que se interessam por este assunto. Para contribuir com aqueles que se interessam ou têm necessidade de abordar o tema Cordel nas mais variadas atividades, decidimos elaborar um texto explicativo que veiculamos neste espaço.

Inicialmente, podemos afirmar que Cordel pode ser considerado como uma poesia narrativa, impressa e popular, conforme definem alguns estudiosos. Trata-se de uma poesia que só se manifesta através da escrita. Até porque sua característica mais prática e popular está na forma de expor - que lhe deu o próprio nome – folhetos pendurados em cordéis. Existem rimas feitas de improviso que se assemelham aos poemas de cordel, porém aí já ganham outra conotação: a embolada e outros repentes são exemplos.

Desde o Século XV há registros de folhetos na Alemanha, no Século XVII na Holanda e Portugal, em forma de “folhas volantes” ou “folhas soltas”. Os estudiosos apresentam comprovações desta origem para o Cordel. Ele tem uma importância muito grande para a nossa cultura, pois estimula o dom natural daqueles que fazem rimas populares.

A Internet pode ser utilizada como meio de projetar e dar uma divulgação maior aos cordéis. A única preocupação é manter a forma de rima, a linguagem e a origem. Nesse sentido, recomendamos a leitura do cordel “A peleja do cordel da feira com a Internet”.

Características fundamentais Estaria havendo elitização? Cordel na Universidade Cordel não está morrendo Cordel urbano e elitista Poeta Popular Perspectiva para o cordel Informações jornalísticas Como vender o cordel Atração e interação Jornalismo Popular Cultura popular

Características fundamentais

Para uma poesia ser considerada Literatura de Cordel, as características fundamentais são simplicidade, através do uso de termos compreensíveis, sem necessariamente compor um texto forçado; relato, considerando que a poesia de cordel deve conter uma história; e rima, dentro daqueles estilos tradicionais (preferimos rimar em estrofes de sete versos).

Estaria havendo elitização?

Acreditamos que não esteja havendo elitização do poema de cordel. O que pode estar havendo é a utilização do poema de cordel em lugares aonde anteriormente não era considerado normal ele chegar.

Cordel na Universidade

Acreditamos que está aumentando a preocupação com o estudo do cordel nas universidades. Temos sido procurados por pessoas da área, além de tomar conhecimento, por outros meios, dessa tendência. Consideramos que esses estudos contribuem, sim, para que um maior número de pessoas dentro de nossa sociedade conheça a literatura de cordel.

Cordel não está morrendo

Felizmente o cordel continua cada vez mais saudável. Talvez esteja tomando uma nova roupagem ou contextualização, em decorrência do avanço dos recursos gráficos. Nada impede que o cordel seja impresso em off-set ou em impressoras jato de tinta e laser. Mas a impressão que sempre se teve é que cordel saía sempre da tipografia.

Cordel urbano e elitista

Quando o cordel é estudado, ele é visto sempre como algo do alto da caatinga, para lembrar o saudoso Henfil. O que seriam os poetas urbanos e elitistas? Veja bem. Um bacharel em direito, jornalista profissional, mora numa capital – Natal. Sabem onde ficou o seu passado? Sua infância foi vivida no município de Mata Grande, alto sertão de Alagoas, entre quatro serras. Ali conviveu com carros de boi, assistiu a casamentos na roça, presenciou velórios com inselença, lamparina, candeeiro, fumo de rolo, forró, tudo que tem a ver com maturo ele viveu. Aliado a isso, sempre gostou de fazer rima e até repentes. Mas cresceu e a profissão do seu pai, funcionário do Ministério da Saúde, levou-o de caminhão até Arco-Verde – Pernambuco e de trem para Natal. Nunca perdeu contato com o interior. No seu site tem uma página dedicada a Mata Grande. Será que ele só teria direito de ser cordelista até enquanto morava em Mata Grande, já que foi para um centro urbano? Será que deixou de ser poeta obrigatoriamente por ter escolhido a profissão de jornalista e ter estudado Direito?  

Poeta Popular

Poeta popular é aquele que faz poesia popular, independente do seu grau de instrução. O que não é recomendável é pessoas de nível cultural elevado tentarem transmitir mensagens brejeiras forçando a sua própria natureza. Aí soa meio hipócrita.

Perspectiva para o cordel

O cordel estará presente no futuro. Não acreditamos que será mais ou menos lido. Porém uma variação da sua influência estará relacionada diretamente com a utilização de novas mídias, principalmente a internet, shows e eventos.

Informações jornalísticas

É possível divulgar informações jornalísticas de forma mais criativa através de cordéis, sem que estes percam suas características fundamentais para continuar sendo literatura popular. E também para que não vire jornalismo grotesco e sensacionalista. Trata-se de um forma particular de apresentar a mensagem, que pode ser utilizada. Porém o seu valor estará sempre ligado à inspiração, por mais que seja baseado em informações postas à disposição do autor. Todos os poemas que escrevemos nasceram em momentos determinados pela inspiração, por mais que estivéssemos informados. Acho que na construção do cordel não se pode forçar a barra, pois finda perceptível. Ademais, não é qualquer notícia que deve virar cordel.

Como vender o cordel

Indagado sobre qual a sua opinião sobre outras formas de vender e divulgar o cordel (pela internet ou através de livros, por exemplo) e se a cultura popular neste ponto é ferida, dizemos que as formas são o folheto individualizado, mesmo que através da internet. Não vemos como ferir a cultura popular, pois o terminal do computador já chegou àquela cerca lá do sertão. Chico Buarque cantava numa de suas músicas, que já tinha fliperama em Macau. Agora Macau tem também computador.

Atração e interação

Achamos que se consegue atratividade e interatividade na internet, mesmo considerando que ela sempre terá lixo. A questão é de método para selecionarmos e ganharmos tempo acessando e interagindo apenas com o que tiver importância e valor.

Jornalismo Popular

O jornalismo popular pode contribuir para uma melhor interação entre a cultura popular e nossa sociedade. A idéia de Aldeia Global parece ter se concretizado com a internet, a globalização e outros instrumentos. Mas ao mesmo tempo essa evolução e esse boom parece ter aberto novo campo de trabalho para os antropólogos. Da mesma forma que podemos estar diante do computador sentindo-nos cidadãos do mundo, no momento seguinte podemos nos sentir cidadãos da nossa aldeia comunitária, ao freqüentarmos a quermesse da nossa paróquia. São duas realidades que vivemos simultaneamente. Aí entra o jornalismo popular. Ele tem sua área delimitada e cumpre papel importantíssimo. Sem necessidade de atrito com a grande imprensa, pois cada um tem sua missão.

Cultura popular

Cultura popular pode ser definida como o conjunto de manifestações artísticas, literárias e artesanais das comunidades. Quanto a julgar o que é ou não popular dentro da literatura de cordel, é possível,  sim. Aqui voltamos à primeira apreciação: a simplicidade, o relato e a rima caracterizam o cordel. Qualquer tentativa de forjar poemas denuncia-se por si mesmo, por melhor que seja a intenção de quem o faz.

 

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