Os
internautas que acessam o site Poemas de Cordel vêm
apresentando em mensagens enviadas através do e-mail algumas
indagações que são de interesse de todos aqueles que se
interessam por este assunto. Para contribuir com aqueles que
se interessam ou têm necessidade de abordar o tema Cordel nas
mais variadas atividades, decidimos elaborar um texto
explicativo que veiculamos neste espaço.
Inicialmente,
podemos afirmar que Cordel pode ser considerado como uma
poesia narrativa, impressa e popular, conforme definem alguns
estudiosos. Trata-se de uma poesia que só se manifesta através
da escrita. Até porque sua característica mais prática e
popular está na forma de expor - que lhe deu o próprio nome
– folhetos pendurados em cordéis. Existem rimas feitas de
improviso que se assemelham aos poemas de cordel, porém aí já
ganham outra conotação: a embolada e outros repentes são
exemplos.
Desde
o Século XV há registros de folhetos na Alemanha, no Século
XVII na Holanda e Portugal, em forma de “folhas volantes”
ou “folhas soltas”. Os estudiosos apresentam comprovações
desta origem para o Cordel. Ele tem uma importância muito
grande para a nossa cultura, pois estimula o dom natural
daqueles que fazem rimas populares.
A
Internet pode ser utilizada como meio de projetar e dar uma
divulgação maior aos cordéis. A única preocupação é
manter a forma de rima, a linguagem e a origem. Nesse sentido,
recomendamos a leitura do cordel “A peleja do cordel da
feira com a Internet”.
Características
fundamentais Estaria havendo
elitização? Cordel na
Universidade Cordel não está morrendo
Cordel urbano e elitista Poeta
Popular Perspectiva para o cordel
Informações jornalísticas Como
vender o cordel Atração e interação
Jornalismo Popular Cultura
popular
Para
uma poesia ser considerada Literatura de Cordel, as características
fundamentais são simplicidade, através do uso de termos
compreensíveis, sem necessariamente compor um texto forçado;
relato, considerando que a poesia de cordel deve conter uma
história; e rima, dentro daqueles estilos tradicionais
(preferimos rimar em estrofes de sete versos).
Acreditamos
que não esteja havendo elitização do poema de cordel. O que
pode estar havendo é a utilização do poema de cordel em
lugares aonde anteriormente não era considerado normal ele
chegar.
Acreditamos
que está aumentando a preocupação com o estudo do cordel
nas universidades. Temos sido procurados por pessoas da área,
além de tomar conhecimento, por outros meios, dessa tendência.
Consideramos que esses estudos contribuem, sim, para que um
maior número de pessoas dentro de nossa sociedade conheça a
literatura de cordel.
Cordel
não está morrendo
Felizmente
o cordel continua cada vez mais saudável. Talvez esteja
tomando uma nova roupagem ou contextualização, em decorrência
do avanço dos recursos gráficos. Nada impede que o cordel
seja impresso em off-set ou em impressoras jato de tinta e
laser. Mas a impressão que sempre se teve é que cordel saía
sempre da tipografia.
Cordel
urbano e elitista
Quando
o cordel é estudado, ele é visto sempre como algo do alto da
caatinga, para lembrar o saudoso Henfil. O que seriam os
poetas urbanos e elitistas? Veja bem. Um bacharel em direito,
jornalista profissional, mora numa capital – Natal. Sabem
onde ficou o seu passado? Sua infância foi vivida no município
de Mata Grande, alto sertão de Alagoas, entre quatro serras.
Ali conviveu com carros de boi, assistiu a casamentos na roça,
presenciou velórios com inselença, lamparina, candeeiro,
fumo de rolo, forró, tudo que tem a ver com maturo ele viveu.
Aliado a isso, sempre gostou de fazer rima e até repentes.
Mas cresceu e a profissão do seu pai, funcionário do Ministério
da Saúde, levou-o de caminhão até Arco-Verde – Pernambuco
e de trem para Natal. Nunca perdeu contato com o interior. No
seu site tem uma página dedicada a Mata Grande. Será que ele
só teria direito de ser cordelista até enquanto morava em
Mata Grande, já que foi para um centro urbano? Será que
deixou de ser poeta obrigatoriamente por ter escolhido a
profissão de jornalista e ter estudado Direito?
Poeta
popular é aquele que faz poesia popular, independente do seu
grau de instrução. O que não é recomendável é pessoas de
nível cultural elevado tentarem transmitir mensagens
brejeiras forçando a sua própria natureza. Aí soa meio hipócrita.
Perspectiva
para o cordel
O
cordel estará presente no futuro. Não acreditamos que será
mais ou menos lido. Porém uma variação da sua influência
estará relacionada diretamente com a utilização de novas mídias,
principalmente a internet, shows e eventos.
É
possível divulgar informações jornalísticas de forma mais
criativa através de cordéis, sem que estes percam suas
características fundamentais para continuar sendo literatura
popular. E também para que não vire jornalismo grotesco e
sensacionalista. Trata-se de um forma particular de apresentar
a mensagem, que pode ser utilizada. Porém o seu valor estará
sempre ligado à inspiração, por mais que seja baseado em
informações postas à disposição do autor. Todos os poemas
que escrevemos nasceram em momentos determinados pela inspiração,
por mais que estivéssemos informados. Acho que na construção
do cordel não se pode forçar a barra, pois finda perceptível.
Ademais, não é qualquer notícia que deve virar cordel.
Como
vender o cordel
Indagado
sobre qual a sua opinião sobre outras formas de vender e
divulgar o cordel (pela internet ou através de livros, por
exemplo) e se a cultura popular neste ponto é ferida, dizemos
que as formas são o folheto individualizado, mesmo que através
da internet. Não vemos como ferir a cultura popular, pois o
terminal do computador já chegou àquela cerca lá do sertão.
Chico Buarque cantava numa de suas músicas, que já tinha
fliperama em Macau. Agora Macau tem também computador.
Achamos
que se consegue atratividade e interatividade na internet,
mesmo considerando que ela sempre terá lixo. A questão é de
método para selecionarmos e ganharmos tempo acessando e
interagindo apenas com o que tiver importância e valor.
O
jornalismo popular pode contribuir para uma melhor interação
entre a cultura popular e nossa sociedade. A idéia de Aldeia
Global parece ter se concretizado com a internet, a globalização
e outros instrumentos. Mas ao mesmo tempo essa evolução e
esse boom parece ter aberto novo campo de trabalho para os
antropólogos. Da mesma forma que podemos estar diante do
computador sentindo-nos cidadãos do mundo, no momento
seguinte podemos nos sentir cidadãos da nossa aldeia comunitária,
ao freqüentarmos a quermesse da nossa paróquia. São duas
realidades que vivemos simultaneamente. Aí entra o jornalismo
popular. Ele tem sua área delimitada e cumpre papel importantíssimo.
Sem necessidade de atrito com a grande imprensa, pois cada um
tem sua missão.
Cultura
popular pode ser definida como o conjunto de manifestações
artísticas, literárias e artesanais das comunidades. Quanto
a julgar o que é ou não popular dentro da literatura de
cordel, é possível, sim.
Aqui voltamos à primeira apreciação: a simplicidade, o
relato e a rima caracterizam o cordel. Qualquer tentativa de
forjar poemas denuncia-se por si mesmo, por melhor que seja a
intenção de quem o faz.