Poemas de CORDEL

Coletânea de versos de Walter Medeiros e outros cordelistas nordestinos

 

Para os encantados de Hiroshima

 

--- Walter Medeiros 

 

Muita coisa nesta vida

Me causa indignação

Mas não tem comparação

Com a bomba explodida

Numa grande agressão

Contra aquela nação

Que já estava vencida.

 

Eu agora, nessa rima

Quero homenagear

O povo de um lugar

Que a humanidade estima

Pois soube se levantar

E o grande mal superar

Salve a linda Hiroshima!

 

Aquela bomba assassina

Que matou gente inocente

Não foi o suficiente

Naquela carnificina

Pois outra bomba potente

Explodiu uma pouco à frente

Foi Nagazaki em ruína. 

 

Pelo sertão brasileiro

Terra de muito calor

Imaginamos a dor

Daquele povo guerreiro

Em dias de tanto horror

O americano acabou

Fazendo um grande cinzeiro. 

 

A bomba de Hiroshima

Num raio de onze mil metros

Matou mulheres e fetos

Idoso e jovem menina

Derrubou todos os tetos

E animais e insetos

Pelas ruas e esquinas.

 

Mas pra ter a dimensão

Do que o povo passou

Quando a bomba chegou

Jogada pelo avião

Basta dizer que passou

De seis mil graus o fervor

Do imenso caldeirão.

 

Quando o calor atingia

Qualquer coisa ou pessoa

Pode crer que não é loa

Nem conversa de vigia,

Como um raio que voa

No respingo da garoa

Tudo no lugar sumia.

 

Não tinha contemplação

A bomba que arrasava

Tudo por onde passava

Pior que um furacão

Quando a bomba tocava

A coisa se tansformava

Pela desintegração.

 

É muito triste saber

Que antes de atacar

Daria pra evitar

O que ia acontecer

Nada ia ameaçar

A guerra ia terminar

O agressor ia vencer.

 

Mais triste é ver agora

Que ao falar daquele caso

Que não se deu por acaso

Eles marcaram a hora

Pois com todo aquele arraso

Que destruiu até vaso

Tem gente que não deplora

 

O povo americano,

Que sofreu com o terror

Ainda não se conformou

Com o ataque insano

Que Nova Iorque abalou

E tanta gente matou

A maioria paisano.

 

Mas a bomba de Hiroshima

Arrasou dez vezes mais

Levou os filhos dos pais

Mulher, idoso, menina,

Agora pelos jornais

Dizem que não foi demais

Aquela carnificina

 

É mesmo de lamentar

Que o povo americano

Tenha espírito tirano

E uma ânsia de matar

Pois ainda apóia o plano

No sexagésimo ano

Só falta querer louvar.

 

Durante anos seguidos

Uma certa simpatia

Pelo americano havia

Pois eles tinham vencido

O mundo da tirania

Que nos ameaçaria

Caso não fosse contido.

 

Mas depois o mundo viu

Que o império americano

Era um poço de engano

Que muita terra invadiu.

E vive a cada ano

Seguindo de plano em plano

O domínio com ardil.

 

Desde o Vietnã

E outras guerras criadas

Deixam nações arrasadas

Como uma coisa vã

Cidades bombardeadas

Pessoas assassinadas

Desfazendo cada clã.

 

Veja o Afeganistão,

Que destruíram completo

Não escapou nenhum teto

Mulçumano ou cristão

Comportamento incorreto

Isso eles fazem direto

É simplesmente agressão.

 

Bin Laden queria achar

Nas montanhas do país

Isso é o que Bush diz

Para se justificar

Fica um povo infeliz

Sofrido e nada diz

Para não se complicar.

 

No Iraque foi pior,

Armaram Saddan Hussein,

Diziam que era do bem

Mas depois deixaram só.

Pois quando não mais convém

Não respeitam mais ninguém

Querem transformar em pó.

 

Inventaram uma mentira

Para fazer nova guerra

Até na sagrada terra

O povo de Bush atira

Não se sabe quando encerra

E muita gente se ferra

Porque em tudo ele mira.

 

Sessenta anos passados

Naquela terra nipônica

Onde uma bomba atômica

Deixou tudo esfacelado

Foi a mais triste dinâmica

De uma guerra histriônica

Que já se viu relatado.

 

É preciso enfrentar

Este poderio malvado

Que não escolhe o lado

Mais justo para lutar

Pois o povo ameaçado

Reage e mata soldado

Querendo se libertar.

 

Cada um de Hiroshima

Que com a bomba tombou

Eu acho que se encantou

Como numa pantomima

Mas aquilo que passou

O mundo todo mudou

De maneira cerebrina.

 

Hiroshima nunca mais

Vietnã também não

Nem o Afeganistão

Vamos ver o que se faz

Precisamos de ação

Para buscarmos então

Um novo mundo de paz. 

 

FIM

 

 

  

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