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A história
do hospital que resolveu fazer humanização
--- Walter Medeiros
Nesta hora iluminada,
De muita reflexão,
Quero chamar atenção
Dessa gente
interessada,
Para uma realidade
Sem dó e sem piedade
Ainda pouco divulgada.
Antes, porém, vou
dizer
De onde veio a idéia:
Não é uma panacéia,
Todos vão
compreender,
Pois na área de saúde
Há algum tempo eu
pude
Muita coisa triste
ver.
Nosso povo ainda pena
Em filas de hospitais;
E sempre sai em
jornais
Alguma indigna cena;
Mas esse antigo
sistema,
Que só traz muito
problema,
Pode ficar bom demais.
Muita coisa tem mudado
Em favor do cidadão,
Desde a Constituição
Ninguém mais fica
calado;
Por isso exige mudança,
E eu tenho esperança
Que mudará este lado.
Aliás, já começou,
E agora vou lhe contar
Coisas de admirar
Que a gente comprovou:
Vou mostrar o hospital
Que humanizou geral
E a situação mudou.
Bastou ter um diretor
Interessado em mudar,
Para a coisa melhorar
E realmente melhorou;
Um melhor atendimento
Apareceu de repente,
Com ajuda do servidor.
E quem ganhou foi o
povo
Que procura o hospital
Quando sofre qualquer
mal
Que o posto diz - não
resolvo;
Recebido com atenção,
Todos gostaram, então,
Daquele estilo novo.
Logo na recepção
É notada a diferença,
Seja qual for a doença
Merece toda atenção;
Logo a partir do
porteiro,
Que traz a maca,
ligeiro,
E atende ao cidadão.
Em seguida ali tem
gente
Para saber o que é
que tem,
E com atenção também
Já resolve de
repente;
Toma logo providência,
Com toda eficiência
E a pessoa vai em
frente.
Não perde tempo com
nada,
O que vale é atender;
Tratamento pra valer,
Não pode levar maçada;
Tem que dar a solução,
Pra nossa população
Não ficar
desamparada.
Parece uma ficção
Aquele belo hospital
Que respeita o cidadão
E trata bem do seu
mal;
Desse jeito, com
certeza,
Essa agradável
surpresa
Vai terminar no
jornal.
O pessoal tá falando
Na tal de humanização
Que usa até canção
E o povo vai se
curando;
É uma grande lição
De amor e emoção,
Que o hospital ta
dando.
Todos ali tratam bem,
Do Porteiro ao
Diretor,
Maqueiro, Carregador,
O Enfermeiro também,
Médico e
Nutricionista,
Junto ao
Laboratorista,
Acabou-se o desdém.
Tem ainda a Secretária,
a Assistente Social,
Psicólogo, que legal,
uma alegria diária,
pois agora o hospital
é um lugar fraternal,
com toda indumentária.
Até as cores mudaram,
Coloriram corredores,
Eu garanto aos
senhores:
Meus olhos não me
enganaram;
Agora até as crianças
Já brincam e fazem
danças,
Pois novos ares
chegaram.
Quando menos se
espera,
Aparecem uns palhaços
Que divertem um pedaço
Como uma linda
quimera;
Sorriem, cantam e dançam,
Trazendo a confiança,
Cada um deles se
esmera.
Os médicos,
atenciosos,
Eu só digo porque vi,
Pois meu nome eu ouvi,
Com essas coisas não
proso,
Até pra mim ele
olhou,
Tanta coisa perguntou,
Eu não sou dos
mentirosos.
Chegando ao laboratório,
Outra surpresa se tem:
Tudo ali é bom também,
Não tem grande falatório;
Fizeram os meus
exames,
Sem precisar de
reclamos,
Ou de algum adjutório.
Beleza, como se diz,
Que pude presenciar,
Eu vi um coral cantar
E fiquei muito feliz;
Era de arrepiar,
Um som tão lindo no
ar,
Do jeito que eu sempre
quis.
É um clima de
alegria,
Por onde a gente
passa,
Não se fala em desgraça,
Nem de noite nem de
dia;
Todos têm o prazer
De cumprir o seu
dever,
É algo que contagia.
Não tem hora pra
visita,
Visita é toda hora;
Menino, homem,
senhora,
É uma coisa bendita;
Os doentes se animam,
E os visitantes primam
Pela ordem que se
dita.
Ninguém fica sem
resposta,
Por mais que vá
perguntar;
Pode até se admirar,
Pois todo mundo ali
gosta
De ajudar quem
necessita:
Que atitude bonita,
Tenho que aqui
registrar.
Outra observação
Que fiz pelo corredor,
Funcionário falador
Nunca tem vez ali não;
Pois do simples
servidor
Ao mais formado
doutor,
Ética é obrigação.
Cada usuário doente,
Que vai ali se tratar,
Só tem mesmo a ganhar
Naquele belo ambiente;
Todos vão lhe
informar
Sobre o que vai se
passar,
Do comum ao diferente.
Se vai p´ruma
cirurgia,
Chega com tranqüilidade,
Sabendo toda a
verdade,
E isso já lhe alivia;
Por isso o resultado
É sempre comemorado
Com bastante alegria.
Até reza que precisa
O doente tem direito;
E sua crença do peito
É sempre obedecida;
Também se não quer
rezar,
Pode se tranqüilizar;
Ninguém lhe dará
batido.
Apesar de tudo isso,
Existe mal entendido
Ou por algum sucedido
Alguém falta ao
compromisso;
Mas nunca fica assim,
Pode recorrer, enfim,
Ao ouvidor de serviço.
E lá na Ouvidoria
Registra reclamação,
Sem qualquer contemplação
Proteção ou
primazia;
E chega com a certeza
De que não será
moleza,
Nem enfrenta correria.
Sentimos no ar justiça,
Que vem de uma decisão
De fazer uma união,
Que só dá boa notícia;
Enxergar esta bondade
Sem fuxico ou
falsidade,
Para mim é uma emoção.
Para entender melhor
O que estava se
passando,
Cheguei logo
perguntando,
Sem piedade nem dó;
E todos me respondiam,
Pois todos ali sabiam
Como numa boca só.
Era a humanização
Que havia ali chegado;
Todo mundo está
ligado
Numa imensa união;
Que vem dando
resultado,
Num tirinete danado
De muita reunião.
A partir dos
diretores,
Houve o envolvimento
Com um claríssimo
intento
De acabar os favores;
Melhorar a qualidade,
Modernizar de verdade,
Apesar de algumas
dores.
Muitas iniciativas
Foram ali encontradas;
Outras já foram
criadas,
Coisa significativa;
Que mudou para melhor,
Motivou numa voz só,
Tudo de bom incentiva.
Há uma expectativa
Nessa humanização:
Sem qualquer contemplação,
Uma coisa muito viva;
Criar uma nova
cultura,
Que garanta à
criatura
O bem prá que
sobreviva.
Eu soube lá na
esquina,
Conversando com alguém,
Que outros hospitais
também
A quem o amor fascina,
Já estão
interessados
Em ter hábitos
mudados,
Igual a este, menina.
Se a gente for olhar
Cada coisa que mudou,
As consultas que
marcou,
E o que deixou de
esperar,
Com o novo
atendimento,
E as visitas de
momento,
Dá vontade de chorar.
Agora tem
até filme
Pra ver na televisão;
Tem a sinalização,
E crachá no peito,
firme,
Tem até recreação,
E gostosa refeição,
Tudo para acudir-me.
Tem muita informação,
E tem muita gentileza,
Atenção, uma beleza,
Tem também compreensão;
E os encaminhamentos:
Sigilo, é outro
tento,
Que é humanização.
A gente vê higiene,
Vê também manutenção,
Uma grande integração,
Não é coisa que se
encene;
São uns atos de
verdade,
Que desprezam a
maldade:
O que vale é a
sirene.
Faltava falar no SUS,
Este gigante sistema,
Um verdadeiro emblema,
que paga a quem faz
jus;
Para atender os
doentes,
De forma inteligente
Foi uma idéia de luz.
Tudo isso é de
direito,
Mas estava desprezado,
Não era humanizado,
Nem na maca nem no
leito;
Vai em frente,
hospital,
Teu futuro é colossal
Faz o povo satisfeito.
FIM
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