Poemas de CORDEL

Coletânea de versos de Walter Medeiros e outros cordelistas nordestinos

 

MANIFESTO EM DEFESA DA LITERATURA DE CORDEL

Carta do Juazeiro do Norte - Ceará  (03,  04  e  05 de outubro de 2005)

A literatura de Cordel nordestina faz parte do patrimônio nacional, tendo chegado ate nós através do colonizador sendo desenvolvida no Nordeste, onde foi recriada, mostrando a riqueza e diversidade cultural de um povo sofrido e explorado, mas através da voz dos poetas populares e da bravura dos vendedores de folhetos souberam honrar esta arte milenar da oralidade e da escrita popular.

Nós, poetas e pesquisadores, adiante subscritos, participantes do “I Encontro Sesc Cordel – Romaria dos Versos”, na cidade do Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, nos dias 03, 04 e 05 de outubro de 2005, resolvemos nos manifestar contra omissões e lacunas institucionais que tanto prejudicam esses autores e suas obras, sendo assim requeremos das autoridades municipais, estaduais e federais a quem endereçamos as seguintes propostas:

1 - Que o Cordel seja levado pelos órgãos estaduais para as escolas publicas, universidades e outras instituições afins, para ser estudado de forma sistemática e permanente, bem como preservado em coleções em suas respectivas bibliotecas;

2 – Que as instituições publicas ou privadas deverão facilitar e estimular a participação dos poetas e pesquisadores nos seminários, encontros e congressos que versem sobre literatura;

3 - Que o parlamento nacional apresente lei para regulamentação da profissão de poetas populares, com todos os benefícios da lei de previdência social;

4 – Que as instituições financeiras, principalmente as ligadas ao setor publico, apõem e financiem produções de Literatura de Cordel, incluindo projetos individuais ou coletivos de parte de associações ligadas aos poetas populares;

5 – Que seja assegurado os mesmos direitos de igualdade nas apresentações de  projetos junto aos fundos de incentivo fiscais e leis municipal, estadual e federal, levando-se em conta a descriminação que sofre o poeta de bancada, diante de sua simplicidade e falta de estrutura para uma melhor elaboração e apresentação de seus projetos;

 6 – Que seja elaborado um programa urgente de editoração e distribuição de Folhetos por parte de governos e instituições culturais afins, para que a produção do Cordel se mantenha sempre vivo;

7 - Que seja instituído o dia QUATRO DE MARÇO, oficialmente, e pela via de anteprojeto de lei, após consulta prévia a todas as instituições e pessoas ligadas ao tema, numa justa homenagem ao pai da literatura de Cordel, o  poeta paraibano Leandro Gomes de Barros, nascido em 04 de março de 1865, no município de Pombal;

8 – Que sejam observados e respeitados os direitos autorais dos poetas populares, através do Ministério Publico, Procuradorias e outros órgãos de Justiça com punições de acordo com a lei vigente de direitos autorais;

9 – Que seja criado pelo MEC um cadastro nacional permanentemente atualizado dos poetas e pesquisadores da Literatura de Cordel, criando bancos de dados com o objetivo de facilitar o acesso dos estudiosos do assunto;

10 – que sejam inseridos nos temas transversais dos conteúdos programas pedagógicos inserindo o Cordel na grade curricular, levando em consideração a qualidade e respeito às regras básicas da Literatura de Cordel;

11 - Que seja promovido anualmente, pelas secretárias de cultura o reconhecimento dos Mestres do Cordel, conceito este já inserido às outras categorias  da cultura popular;

12 – Criar uma revista dedicada ao Cordel, a nível nacional, e Boletins Informativos, a nível, de cada Unidade da Federação, para promoção e divulgação de eventos afins, com participação e patrocínio do empresariado local;

13 – Criar uma Agenda de Eventos Anuais, em datas permanentes, a ser  inserida no calendário turístico de cada cidade ou Estado, para divulgar ações do tipo: cantorias, lançamentos de livros, folhetos, premiações, concursos, festivais, feiras, encontros, seminários, bienais de Cordel e outros eventos afins, que poderiam, inclusive, agregar outros itens da nossa cultura popular como a música, a pintura (xilogravura), a dança, a culinária, a escultura e o artesanato de modo geral;

14 – Adoção de políticas de incentivo ao Cordel, a começar por privilegiar o seu uso a partir da utilização de Folhetos em campanhas governamentais, de combate e de informações de interesse publico, como, por exemplo: vacinação de crianças e idosos, AIDS, DENGUE, Diabetes, Hanseníase, Pressão Arterial, Colesterol, Saneamento, Higiene Bucal, Desnutrição Infantil,Alimentação e Nutrição, Tabagismo, Alcoolismo, Educação no Trânsito, Educação de Adultos;

15 – A s Universidades, a exemplo de algumas experiências bem sucedidas, poderiam criar, em suas estruturas, Núcleos de Estudos de Literatura de Cordel; Estes núcleos ficariam encarregados, dentre outras responsabilidades, de manter o Núcleo Central do Ministério da Cultura, devidamente informado sobre todos os estudos e ações por eles desenvolvidos.

De posse desses dados, o Núcleo Central teria condições de preservar o acervo de publicações e estudos sobre Cordel, e estabelecer a integração e a divulgação daquelas informações para todo o país;

16 – Agendar um encontro com representantes do governo (Ministério da Cultura) e da comunidade envolvida com a cultura popular especialmente a Literatura de Cordel, com vistas a levantar o primeiro diagnóstico e criar condições para estabelecer um programa de ações sobre as questões aqui arroladas.   Que  este  Manifesto  seja  lido  e  amplamente divulgado nos diversos veículo imprensa deste país.

Assinam este documento:

Irani Medeiros, Guaipuan Vieira, Gutenberg Costa, Bule-Bule, Antônio Barreto, Carlos Joel, Vânia Freitas, Fanka Santos, Cleydson Monteiro, Arlene Holanda, Maria do Rosário, William Brito, Jozenir Lacerda, Daniel Walker, Abraão Batista, Pedro Bandeira , João Bandeira,Jesus Sindauex,Hélio Ferraz, Salete Maria Silva,Cícero Amorim, Ione Severo, Hildênia Onias Sousa, José Lourenço, João Dantas, José Costa Leite, Antônio Lucena , Manoel Monteiro, Marcelo Soares, Antônio Américo de Medeiros, Rodrigo Apolinário,Francisco Campos, Francisco Diniz e Varneci Nascimento.

 

 

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