|
O POETA
DOS OPRIMIDOS
"O pior é que a
história
Quem escreve é o vencedor" Brecht
--- Medeiros Braga
Bertold Brecht,
dramaturgo,
Poeta de grande valor
Que enfureceu o
verdugo
Com o verso
libertador,
Dedicou toda sua vida
À uma causa aguerrida
Em prol do
trabalhador.
Levou a insatisfação
Onde havia indiferença,
Levantou a insurreição
Onde antes era descrença.
Foi um revolucionário
Que despertou no operário
A sua injusta sentença.
Nascido na Baviera
Há mais de um século
atrás,
Vindo de um berço
austero,
Inconseqüente, voraz,
Bertold Brecht foi
instado
A seguir do mesmo lado
Conservador dos seus
pais.
Era o seu pai um burguês
De forte convicção,
Na fábrica foi um
severo
Gerente de produção;
No lar um vagão sem
trilho
Forçando levar seu
filho
Para a mesma formação.
Puseram-lhe uma
gravata,
Um colete, um palitó,
Pintaram-lhe de
plutocrata,
Mas, tudo isso tão-só,
Determinado, prolixo,
Levou a jogar no lixo
Todo esse status sem dó.
Todas as ordens de práxis
Para oprimir,
explorar,
Foram elas relegadas
Pelo poeta ao enxergar
Que a defesa de sua
clava
Firme, se identificava
Com o clamor popular.
Foi assim que Bertold
Brecht
Desconhecendo o
perigo,
Ao se impor ante
tiranos
Descobriu um novo
abrigo,
E começou com seu
verso,
Por todo imenso
universo
A incomodar o inimigo.
Aos quinze anos de
idade
Em versos, por excelência,
Patrióticos, já
expunha
Da ideologia a tendência
De ser, como humanitário,
Um agente libertário
De denotada incidência.
Tendo vinte e quatro
anos
Chega a ganhar,
genial,
Em "OS TAMBORES
DA NOITE",
Grande peça teatral
O PRÊMIO KLEIST,
imerso,
Já selando com
sucesso
Bom nível
intelectual.
Todos escritos de
Brecht,
Romance, peça,
poesia,
Artigos, crônicas e
críticas
E tudo o mais que
fazia,
No mesmo procedimento,
Expressavam o
sentimento
De justiça e
rebeldia.
No ano de trinta e três
À censura viu-se
envolto
Tendo ele que deixar
Da sua pátria, seu
porto
Por ter da verve que
versa
Escrito a
"ofensiva" peça
"A LENDA DO
SOLDADO MORTO".
Foi a peça
considerada
Um acinte pelos
sensores,
Tendo Brecht que
fugir,
Abandonar seus labores
Para não ser
condenado
Aos campos e
assassinado
Pelos cruéis
transgressores.
Escapando do nazismo
Foi aos Estados
Unidos,
Mas, ali o capitalismo
Deixou-lhe
desiludido...
Julgado, sem prova em
vista,
Como "espião
comunista"
É, injustamente,
punido.
Passou por vários países
Tendo sempre por missão
Educar o povo humilde
Pisado sem compaixão...
E alertar o
"ignorante
Político" para
um instante
Sensato de reflexão.
Condenou a classe média
Pela sua insanidade
E os literatos avessos
Às lutas de
liberdade...
Outros letrados-alteza
"Que abusaram da
beleza
E esconderam a
fealdade."
O poeta ressentindo-se
Ante o vil dominador
De um poder
corrompido,
Proclamou com dessabor
Em desprezível oratória:
"O pior é que a
história
Quem escreve é o
vencedor.
Mais a frente murmurou
Entre as suas reflexões:
"Dos poderosos da
terra
Conhecemos as canções.
Eles sobem, depois
descem,
Clareiam, mas,
escurecem
Como as constelações.
Que nós os
alimentamos
Já não é grande
surpresa...
Que eles subam ou
caiam
Quem é que paga a
despesa?"
O povo é sempre a
corrente:
Move a roda,
eternamente,
É quem forma a
correnteza.
Daí que ele se
entregava
À sua luta incontida,
Transformando cada
palco
Numa trincheira
aguerrida.
Por nunca calar a voz
Quis o seu vil algoz
Por um fim à sua
vida.
Chegou a uma situação
De reação aos seus
atos
Qu' ele em uma reflexão,
Sereno, afirmou
sensato,
Relembrando as
cicatrizes,
Que trocou mais de países
Do que mesmo de
sapato.
Foi Brecht um
socialista
Que fez a condenação
Do modo capitalista
Dos meios de produção
Onde a classe que
produz
Tem por paga a rude
cruz
Da miséria e da
opressão.
Por isso, não
vacilava
Na sua grande missão
De unir o trabalhador,
Fazer a conscientização
Para romper,
relutante,
Ao jugo vil,
humilhante,
Da mais atroz opressão.
Não foi como o
traidor
Que finge ódio ao
burguês,
Se junta aos
trabalhadores
E após, com desfaçatez,
Imune a quaisquer
conflitos,
Rasga todos seus
escritos
E esquece tudo o que
fez.
Brecht não
tergiversou
Na sua ideologia...
Com firmeza
continuou
Em prol do que
defendia.
Por atos em todo
embate
Sempre externou este
vate
Lealdade e rebeldia.
Sofreu por onde
passou,
Mas, se manteve
coerente.
Seu verbo ao
trabalhador
Da lição se fez
semente.
O seu verso planetário,
Por educar o operário,
Ainda incomoda gente.
O caminho inimaginário
Sem lar, sem pátria,
sem hino,
Guarnecido por sicário,
Foi ditando o seu
destino.
Todo um clamor operário
Fazia-o revolucionário
E o mais audaz
peregrino.
Estava sempre
apressado
Para chegar no
"sei onde",
Em algum lugar
olvidado
Onde a justiça se
esconde,.
Ou indagando do abismo
Onde, junto, o
conformismo
Com a miséria se
confunde.
Falou Brecht,
persuasivo,
Aos que esperam sem
lutar:
"Querem que
tigres convidem
Pra seus dentes
arrancar?...
Ou que lobos violentos
Lhes ofereçam
alimentos
Ao invés de os
devorar?
Por isso, nos seus
poemas
Ou nas peças
teatrais,
Conscientizar, como
lema,
Era a luz mais eficaz
A clarear um sistema
De extorsão, de
problema
Para as classes
sociais.
Por vezes se
contentava
Ante a injustiça
crescente
Quando alguém
manifestava
Seu espírito
independente
E passava a conclamar
Todo o seu povo a
lutar
Por um mundo
diferente.
Ante os avanços
saudou
A luta da humanidade
Por justiça social,
Terra, pão e
liberdade,
Por ações
socialistas
Que vêm dos
idealistas
Dentro da sociedade.
Chegou a lançar um método
De laurear lutadores,
Aquele que luta um dia
E que tem os seus
valores,
Outros que lutam,
humanos,
Dias a mais ou mais
anos
E que são bons ou
melhores.
Porém, a láurea
maior,
De justeza indiscutível,
Vai para "aquele
que luta
A vida toda"-que
incrível!...
Para este, com razão,
É dada com a inscrição:
"Você é
imprescindível!!!"
Hoje há crime e
injustiça,
Porém, há muita
revolta,
Bandeira nas praças iça,
Lições há de porta
em porta,
E quando um grito
maior
Clamar um mundo melhor
Há Brecht decerto em
volta.
|