Poemas de CORDEL

Coletânea de versos de Walter Medeiros e outros cordelistas nordestinos

 

O destino do Padre que foi guiado pela Mão de Deus

 

--- Walter Medeiros

 

A Mão de Deus tem poder,

Ninguém queira duvidar,

Nunca precisa provar,

Pois qualquer um pode ver.

Agora eu vou narrar

Coisa de admirar;

É verdade, pode crer.

 

Em um momento divino,

Do século que passou,

A humanidade ganhou

Em Toro um belo menino.

Que vigário se tornou

Um cristão cheio de amor

Cumprindo honroso destino.

 

Ele tinha uma missão,

E da Itália partiu;

Mudou-se para o Brasil

Para fazer pregação.

Muita gente ele uniu,

A todo povo serviu

Com muita dedicação.

 

Era um homem admirável,

Que se doava inteiro;

Não fazia por dinheiro,

Socorria o miserável;

Mulher, homem, escoteiro,

Natalense ou estrangeiro

Ele sempre amparava.

 

Viveu uma bela vida,

De luta e dignidade;

Amado em toda a cidade

Estava sempre na lida.

Defendeu a liberdade,

Fazendo a caridade

Em nossa Nação sofrida.

 

Tinha o mais alto astral,

Estava sempre de bem;

Nunca fez qualquer desdém

Na Itália ou em Natal.

Quando dizia amém,

Todos sentiam além

Do que seria normal.

 

Sempre clamou por justiça,

Em muitas ocasiões;

Criticava os vilões

Nas conversas e na Missa.

Mostrava as emoções

Durante os seus sermões;

Era um homem sem preguiça.

 

Na sua comunidade

Tratava todos igual;

Combatia todo mal,

Primava pela verdade.

Nunca quis ser maioral;

Mostrava seu natural,

Mas era celebridade.

 

Mãe Luiza, sua Igreja,

Chora pela sua ida;

Comunidade sofrida,

Mas a ninguém apedreja,

Mudou muito a sua vida

Com pessoa tão querida

Onde quer que agora esteja.

 

Vigilante, sapateiro,

Encanador, jornalista,

Empregado ou bolsista,

Professor, juiz, padeiro,

Choram de doer a vista,

Não esconde nem despista

A morte do companheiro.

 

Como fez o seu pastor

Na Galiléia, em andanças,

Ela amou as crianças

E aos idosos honrou;

Não fez a maior bonança,

Mas uma grande esperança

No mundo ele plantou.

 

No Espaço Solidário

Que criou em Mãe Luiza

Sempre passará a brisa

Para os seus legatários;

Ali ele se eterniza,

Pois vestia a camisa

De feitos igualitários.

 

A síntese de uma vida

De glória com seus irmãos

Veio pelas suas mãos

E precisa ser cumprida.

Agora os guardiões

Levarão suas lições

Com emoção bem sentida.

 

Em busca da segurança

Ele foi ao seminário

E desfiou um rosário

Mostrando a liderança;

Um completo inventário

Mostrou para um diário

Para o bem das crianças.

 

Prá escola funcionar,

Prá ter policiamento,

Dizia seu pensamento:

Tinham que participar

Bodegueiro e sargento,

Todo mundo a contento

Tinha que colaborar.

 

Criticava quem vendia

Cachaça para criança,

Defendia uma aliança

Que já se fortalecia;

Pela arte, pela dança,

Por gestos de confiança

Trabalhava todo dia.

 

O amigo viajou

E nunca mais vai voltar;

Têm de se conformar

E fazer grande louvor.

Sempre irão lhe amar

E lá onde ele está

Será novo protetor.

 

Existe uma certeza

Nesse momento de dor.

Coisa que ele falou

Tinha uma grande tristeza:

Pelo que presenciou

No bairro que tanto amou

Que atendia com presteza.

 

Lamentava a violência,

Mesmo assim aconselhava

Para quem lhe perguntava

Com a sua consciência.

A quem reivindicava

Sua razão não tirava

Mas pedia paciência.

 

Sua fala era uma arte

Naquele som estrangeiro

Era como um brasileiro

Levando um estandarte

Dizia como um roteiro

Que para cobrar, primeiro

Fizessem a sua parte.

 

Ele sempre viverá

Na memória de Natal

A TV, rádio e jornal

Nunca se esquecerá

Deste dia tão fatal

Triste, fora do normal,

Para lhe homenagear.

 

FIM

 

  

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