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A
especialização desenvolvida na área de saúde, que
chega em certos pontos a parecer exagero, vem formando
uma nova realidade, com a incorporação de novas e até
velhas categorias profissionais no tratamento dos
clientes. Nesse ambiente, a aplicação de apetrechos
tecnológicos já foi suficiente para tornar o
atendimento meio antômato, realçando a necessidade de
re-humanizar a atenção e a gestão. No que se refere
às atividades dos profissionais, essa nova realidade
que se forma parece buscar um ponto de equilíbrio, para
convivência saudável, civilizada e ética entre todas
as categorias da área de saúde.
Uma
das atividades que precisam ser incorporadas com firmeza
nesse ambiente é a psicologia. O trabalho do psicólogo
no hospital é algo que precisa ser normatizado e
efetivado institucionalmente, uma vez que a cada dia
fica mais claro o papel que pode e deve desempenhar
junto à clientela. Muitos momentos importantes do
atendimento hospitalar têm, com certeza, necessidade de
respostas técnicas com a participação do profissional
de psicologia. Desde a natureza dos problemas, que podem
ter origem em fatos anteriores, até a abordagem das
perdas, elaboração do luto e outros acompanhamentos.
O
psicólogo é quem está habilitado e qualificado para
perceber muitas situações e dar respostas no dia-a-dia
do atendimento, pois sabe-se que em muitas ocasiões a
falta de um profissional à altura do questionamento
pode trazer prejuízos à clientela e à imagem da
instituição. É o caso, por exemplo, de uma jovem que
chegou a um hospital de urgência e emergência à
procura da mãe que havia sido atropelada e ao pedir notícia
na recepção foi informada de chofre que a mulher havia
chegado morta. Faltou sensibilidade e organização para
definir no estabelecimento quem seria responsável para
dar notícia sobre a morte dos clientes.
Contrariamente
a esta situação, relataram-nos o exemplo do trabalho
de uma psicóloga na sala de reanimação de um
hospital, onde um senhor idoso em estado terminal
passava por cuidados paliativos na presença da sua
mulher. Chegada a hora da passagem, o homem deu seu último
suspiro e a esposa quis achar que ele havia adormecido.
A profissional indagou tão somente: “você sabia que
o caso dele era muito grave e sem jeito, não era?”. O
simples fato de empregar o verbo no passado de forma tão
sutil já mostra como o trabalho nesses casos precisa
ser algo meticuloso.
Outra
área onde o trabalho do psicólogo é algo
impressionante é a perda, notadamente os casos de morte
dos enfermos, na preparação do espírito dos
familiares e a divulgação da notícia do óbito. É a
psicologia que muda o cenário e apresenta a nova
realidade com toda competência, pois a sociedade e os
profissionais de saúde no geral nunca aceitaram bem a
idéia de conviver com a perda. Embora o hospital seja
um lugar aonde as pessoas morrem, a ânsia de salvar as
vidas findou sendo tão forte a ponto de qualquer morte
ser encarada como uma derrota, mesmo quando se esgotam
todos os recursos médicos e técnicos disponíveis para
o tratamento, a cura e a recuperação do doente.
Como
a presença do psicólogo ainda não é algo
institucionalizado e regulamentado, muitas dessas
tarefas findam nas mãos dos médicos, enfermeiros,
assistentes sociais e outros profissionais, que dão
conta porém de forma não tão qualificada. O trato
dessas questões finda se dando em meio a todas as
outras atividades, correndo o risco de deixar brechas, dúvidas
e questões mal resolvidas.
A necessidade do psicólogo, como de outros
profissionais, precisa ser bem dimensionada dentro dos
hospitais e outros serviços de saúde, para evitar
certas sobrecargas e desequilíbrios. É preciso
estabelecer formal e tecnicamente a quantidade de
profissionais necessários para cada grupo de pessoas
atendidas no serviço. Desde que saúde deixou de ser
definida apenas como “ausência de doença”, são
feitas elucubrações visando estabelecer a nova definição:
bio-psico-social e espiritual. Deixando a parte
espiritual para cada usuário decidir conforme suas crenças,
princípios e culturas, o bio-psico-social é a tarefa
dos profissionais de saúde, a ser desempenhada plena e
satisfatoriamente.
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*Walter
Medeiros é jornalista e advogado em Natal-RN. Autor do
livro “Onde está o atendimento?” Ed. Viena.
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