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Medicina
e arte
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Walter Medeiros*
O
Teatro Sandoval Wanderley irradiava algo além do que
estava acostumado a fazer, naquela segunda-feira, 11 de
dezembro de 2006. Depois das 18:00 h, começava uma
movimentação de pessoas, predominantemente jovens, com
apetrechos e bagagens variados, alguns deles deixando
denotar tratar-se de instrumentos musicais. Havia um
misto de falatório, aflição, expectativa, ânsia,
correria, enquanto as arquibancadas iam se enchendo de
gente. Havia de tudo: de doutores a tipos populares
daqueles que se encontram em todos os lugares, parece
que enviados pela natureza para assegurar uma demonstração
completa das formas humanas de viver ou sobreviver.
Em
frente ao palco, vários microfones e cadeiras à espera
das pessoas. No fundo, um telão com micros e notebooks
formando uma parafernália cinematográfica. Do alto,
iluminadores sinalizavam com a garantia de que haveria
uma movimentação teatral de luzes. Todo mundo
conversava naquela penumbra que deixava no ar a
expectativa de um espetáculo nunca visto. Era mesmo um
clima de estréia que dominava aquele salão que já
guardava tantas lembranças durante sua trajetória
vitoriosa.
O
professor responsável pela cadeira de Medicina e Arte
vai ao microfone e anuncia o início da atividade:
alunos de diversos períodos do Curso de Medicina
apresentariam seus trabalhos da forma mais criativa que
tivessem encontrado. Mostrava que medicina não seria
apenas a relação do médico com o “paciente” ou da
doença com as possibilidades de cura. Havia algo além
sendo resgatado, lembrando que a medicina deve ser
exercida por seres humanos, com técnica e tecnologia,
porém com algo mais que precisa atravessar todos os
tempos – a sensibilidade.
E
vieram as apresentações. Um grupo mostra músicas,
para reforçar a idéia de que estudante de medicina e médico
também têm seus momentos de descontração, comemoração
e afeto. Outro encena um poema de Victor Hugo. Mais um
traz um cordel sobre o hospital que resolveu fazer
humanização; um sobre certa doença que aterroriza as
populações e muitos outros temas vão sendo passados
pelos trejeitos jovens de moças e rapazes que têm a
felicidade de fazer parte daquele ambiente.
Vem
ainda um filme sobre um tratamento difícil e cujo
sucesso tem um significado praticamente milagroso; uma
exposição sobre o livro que decupa a obra de Leonardo
da Vinci no teto da Capela Cistina, assegurando que
aquele gênio da arte transmitiu através da sua pintura
um verdadeiro tratado de anatomia; e uma estudante que
canta “Pressentimento” com belíssima voz, da mesma
forma que o MPB-4 fazia trinta anos atrás na radiola do
CA de Medicina ou no Teatro Alberto Maranhão.
Seguiram-se
homenagens a professores e colegas, realçando as relações
de amizade e carinho construídas durante o dia-a-dia do
curso. Ao final de três horas de espetáculo, uma
grande certeza: a de que os hospitais de amanhã serão
melhores que os de hoje, por terem em seus quadros todos
aqueles futuros médicos.
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*Walter
Medeiros é jornalista e advogado em Natal-RN. Autor dos
livros “Onde está o atendimento?” Ed. Viena e
"Abelardo, o alcoólatra" ( http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap009Abelardo.htm
).
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