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21.07.2007
Amigo também erra
--- Walter Medeiros *
A organização de subsídios para uma palestra sobre
“Qualidade no Atendimento” a convite da UnP me levou a
refletir sobre o respeito que deve ser dispensado ao
cliente por todo o pessoal da empresa, no momento da
venda. Veio à mente o caso de um conhecido médico bem
sucedido e de família abastada, que anualmente troca de
carro, o mesmo ocorrendo com sua mulher, também médica,
os filhos e uma cunhada. O fato é que ele quem faz as
transações com os carros.
Apesar de ser pessoa bem situada, não se trata de figura
muito presente na mídia nem conhecida pelo grande
público. Sem qualquer “besteira” ele escolhe os dias que
mais lhe convêm para ir às lojas com os respectivos
carros a negociar. Discrição é outra qualidade sua,
tanto que sempre chega com simplicidade, bermuda, camisa
simples, sandálias franciscanas. Já chegou a ser
esnobado por vendedores que não lhe deram nenhuma
atenção, certamente por conta daquela estúpida presunção
de que quem tem dinheiro precisa andar sempre super
arrumado.
São situações assim que precisam ser observadas pelas
pessoas que querem exercer a profissão de vendedor. Tal
descaso quase sempre significa perda do cliente, que vai
em busca de quem lhe dê atenção e respeite como pessoa,
seja qual for o seu traje e a sua aparência. Vendas que
não se recuperam e prejudicam os negócios, em tempos
como esse em que vivemos, de concorrência acirrada e, se
não de escassez de recursos, de multiplicação de
negócios, o que provoca as mesmas dificuldades para quem
deseja avolumar suas vendas.
Mas aquela reflexão me trouxe outra lembrança, de fato
bem recente, da mesma natureza. Uma pessoa próxima
estava com um dinheiro de uma indenização disponível
para adquirir uma moto zero quilômetro e me pediu ajuda
na compra. Providenciei uma pesquisa rápida e próximo do
dia em que iríamos cair em campo para fechar o negócio
encontrei um amigo que trabalha na área e pedi que me
ajudasse, informando preços do veículo que desejávamos,
pois daríamos a preferência a ele.
Pois ele marcou para eu lhe telefonar três dias depois,
às 15:00 horas. Era como se tivesse algo em vista.
Aguardamos e na terça-feira, hora marcada, fiz a
ligação:
--- Quero falar com Xis.
--- Aguarde um instante, por favor. (A desavisada deixou
o som do telefone para mim e interfonou) Xis, é Walter,
você não pode atender não, né?
Claro que não era a primeira vez que passava por algo
assim. Mas ele atendeu.
--- Amigo, eu ligo para você em quinze minutos.
--- Certo. Aguardo.
Depois de esperar até o outro dia, resolvemos seguir o
rumo oferecido por aquela pesquisa. Fomos à loja que
oferecia melhores condições, compramos a moto e nosso
colega pagou à vista. E saiu feliz da vida.
O amigo encontrou comigo numa reunião comum, falamos
rapidamente sobre assuntos da pauta, mas aquela ligação
prometida para quinze minutos ele ainda não fez. A
última vez que o vi ele estava bem na foto, em
reportagem numa revista que mostrava como estão se
desenvolvendo os seus negócios. O danado é que ele tem
aquilo que chamam por aí de “lábia de vendedor”. Isso
faz parte do nosso ambiente. Há pessoas que dispersam a
atenção e acabam levando a profissão aos trancos e
barrancos. Talvez não cheguem a atingir a perfeição, mas
não deve ser problema. Haja vista aquela máxima tão
certa para ele, do cantor Zeca Pagodinho: “Deixa a vida
me levar”. Vida, leva ele…
---
*Walter
Medeiros é jornalista e advogado em Natal-RN. Autor dos
livros “Onde está o atendimento?” Ed. Viena e
"Abelardo, o alcoólatra" ( http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap009Abelardo.htm
).
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