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20.09.2007
Estupidez contumaz
--- Walter Medeiros
Uma cliente escolhe vários artigos para comprar em um
magazine, coloca na cesta e leva ao caixa. No caixa,
percebe que o preço registrado é diferente do que está
na prateleira e mostra à funcionária. Rispidamente o
caixa responde que a cliente está errada. Estabelece-se,
então, o clima de tensão que nenhum estabelecimento
comercial devia desejar ou admitir, mas que naquela loja
parece ser natural. Em vista da insistência da cliente,
o caixa chama uma fiscal, que também demonstra
descompostura. Informada sobre o erro na etiqueta do
preço, diz estupidamente que não está ali para trocar
preço de mercadoria. Pior ainda, completamente por fora
da motivação da cliente, afirma que se for por conta de
centavos pode corrigir.
Abalada, porém mantendo o controle necessário à
situação, a cliente explica novamente que o interesse
maior deveria ser da loja corrigir aqueles erros, bem
como queria achar que as funcionárias fariam parte da
empresa e teriam interesse em evitar problemas. A
fiscal, de forma descontrolada, se retirou deixando a
cliente falando sozinha. Ela perguntou por três vezes ao
caixa o nome da colega e sentiu a clara intenção de
preservar a prática nociva própria e da colega. Mais uma
vez tratou a cliente com rispidez e má educação, ao
ordenar que pusesse as mercadorias no caixa devagar e
sem fazer barulho. Teve ainda a petulância de afirmar
por várias vezes que os produtos não pertenciam à
cliente, pois ela ainda não havia pago. A nossa amiga
não se via somente na qualidade de cliente, mas também
de ser humano, e exigia respeito e bom trato.
Mais surpresas estariam por vir. Inconformada com aquele
atendimento tão estúpido – ela não queria acreditar no
que estava acontecendo - anunciou que iria procurar o
gerente para apresentar queixa. Pois bem: como que
envolvida numa certeza de que nada aconteceria mesmo que
a reclamação fosse apresentada, a senhora do caixa
empunhou o crachá, dizendo para o salão inteiro: “Meu
nome é Edjane e o da fiscal é Jaíra; pode fazer a
denúncia que desejar”. Diante do gerente, de nome
Inácio, a cliente foi atendida de forma gentil e
atenciosa. Ele pediu desculpas, o que naturalmente não
satisfaz a uma pessoa que passou por tanto
constrangimento e maus tratos. Teve de ir mais longe,
apresentar reclamação na ouvidoria da loja, a fim de
preservar os seus direitos de consumidora e de cidadã ao
tratamento digno.
Não é o primeiro nem o segundo caso que nos chega
relatando ocorrências naquelas lojas. Mas chama atenção
pela desqualificação demonstrada pelos funcionários,
aliada ao sarcasmo de quem trata um cliente como inimigo
em tempos nos quais se vive tão acirrada concorrência.
Mais grave ainda o primarismo e vulgaridade - caso não
tenha sido mesmo propósito consciente de fazer chacota –
ao tentar fazer um gesto de cidadania adotado pela
cliente aparentar uma simples preocupação apenas com
alguns centavos a mais na conta. Ainda se fosse por
conta de centavos a mais, aquelas funcionárias não
teriam o direito de agir daquela forma em seu local de
trabalho. Triste do ambiente de trabalho que conta com
pessoas como aquelas!
---
*Walter
Medeiros é jornalista e bacharel em Direito em Natal-RN. Autor dos
livros “Onde está o atendimento?” Ed. Viena e
"Abelardo, o alcoólatra"
( http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap009Abelardo.htm
).
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