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23.12.2009
EM BUSCA DE UM AMIGO
--- Walter Medeiros –
waltermedeiros@supercabo.com.br
Vésperas do Natal, lembranças aflorando, vontade de
rever amigos que fomos encontrando através dos anos.
Amigos do Tirol, de quando moramos na Alberto Maranhão,
em frente ao sítio onde hoje é o condomínio Jardim Tirol;
da Praça Augusto Leite; do Externato Saturnino, onde
fizemos o Admissão ao Ginásio em 1966; do Grupo Escolar
Monsenhor Calazans Pinheiro, onde estudei em 1965; do
Grupo Áurea Barros, do meu primário, em 1963/64, da
Escola Industrial Federal do Rio Grande do Norte, onde
estudamos de 1967 a 1970; da avenida Rafael Fernandes,
onde moramos desde o tempo que se chamava Campo Santo,
de 1965 a 1972; e de tantos outros lugares onde vivi,
estudei, trabalhei.
Entre tantos, lembrei de um amigo cuja última vez que
encontrei faz muitos anos, tocava num evento da Igreja
do Candelária. Aí recorri à Internet, para
reencontrá-lo. Ademaci Barbosa, músico, com dedicação
extrema ao seu trabalho, à sua família e às comunidades,
um missionário. Sempre conversamos muito, mas a
geografia da cidade findou fazendo com que passássemos a
nos encontrar muito esporadicamente. A Internet, no
entanto, proporciona também a possibilidade de obtermos
mais informações sobre as pessoas que se dispõem a
divulgá-las. Assim fiquei sabendo que Ademaci nasceu em
Ituiutaba, Minas Gerais e aos quatro anos veio para o
Rio Grande do Norte, terra dos seus pais.
Morou na rua Benjamim Constrant, exatamente no período
em que nos conhecemos, na convivência com o Professor
Saturnino que, além de ensinar as matérias mostrava as
atualidades nas revistas e jornais que sempre conduzia.
Lembro dele também como marinheiro, que foi. Depois o
encontrei como funcionário da EMSERV (Empresa de
Serviços de Vigilância), em serviços administrativos. A
EMSERV funcionava onde hoje é a Delegacia Regional do
Trabalho e onde eu também trabalhava, coincidentemente,
no escritório do Dr. Paulo Viveiros.
Em sua atividade artística, naquele tempo o meu amigo já
procurava divulgar seu trabalho como compositor e foi
até o Rio de Janeiro, mostrando suas músicas nas
igrejas. Chegou a encontrar com Roberto Carlos, a quem
entregou em mãos algumas de suas composições românticas.
Fez na época um concurso do Bandern, passou e logo foi
chamado para trabalhar na agencia de Patú, onde ficou
três anos também trabalhando na igreja e fazendo missões
nos povoados, sítio e fazendas. Depois foi transferido
Macau onde também desenvolveu intensa atividade
musical. Depois foi transferido para agencia de São
Tomé, Ceará-Mirim (lembro que me chamou uma vez para
ser jurado em um programa de auditório que promoveu no
Ginásio Esportivo) e, finalmente, Natal.
Está também na Internet que Ademaci deixou o BANDERN
para viver dedicado à fé, à música e às missões,
formando a banda Arco-Ìris. Irrequieto, fez concurso
para professor do estado, passou e foi lotado na escola
Isabel Gondim, para lecionar Química, Educação Artística
e Matemática. Na paróquia sagrada família ele assumiu as
missas com a Pastoral da Música, dando aulas de música e
cultivando grande amizade com o padre Campos, também
compositor. Ele introduziu nas igrejas os ritmos dos
instrumentos e teclado, onde antes só se usava órgão.
Quanta informação, não? E tem muito mais, se
continuarmos a busca, o suficiente para entender melhor
o ser humano humilde e digno com quem convivi naquele
período de escola primária e anos vibrantes da
adolescência. Tratou-se de uma leitura muito
emocionante, rever as fotos e encontrar informações
sobre o amigo de tantos momentos. Naturalmente fui
buscar a forma de reencontrar pessoalmente aquele amigo.
Ao final, o mais surpreendente e chocante: Ademaci
Barbosa de Moura, que nasceu em 1951, morreu em março de
2006. Senti, então, uma sensação de perda muito grande;
é como se tivesse perdido um irmão.
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* Walter Medeiros é jornalista profissional
** Vermelho
Leia mais sobre o assunto no link
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia.htm
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*Walter
Medeiros é jornalista e bacharel em Direito em Natal-RN. Autor dos
livros “Onde está o atendimento?” Ed. Viena,
"Abelardo, o alcoólatra"
( http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap009Abelardo.htm
) e "Humanização nos Serviços de Saúde",
Ed. Minelli, 2008.
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