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08.06.2010
TV, BOMBRIL E SAÚDE MENTAL
--- Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br
A telinha da TV apresenta coisas surpreendentes, outras nem
tanto e muitas de triste destino. A cada dia os que precisam, os que gostam e
até quem não precisa ou não gosta assiste uma mutação horrorosa na programação,
cheia de clichês batidos. Há novidades, mas a maioria delas vem sempre em
detrimento do que poderíamos esperar de mais sadio. Assim, só dá para relembrar
algumas passagens artísticas, como aquelas do cantor que dizia: “Tá todo mundo
louco, oba!”, do apresentador que confessava: “Vim prá confundir, não prá
explicar” ou daquele outro que afirmava: “a televisão é uma máquina de fazer doido”.
Resgatando uma saudosa lembrança da professora Nadja Cardoso,
ensinando Jornalismo Comparado, imagino um cotejamento entre uma edição do
Jornal Nacional de hoje com outra de vinte anos atrás. Com certeza o percentual
de matérias sobre ocorrências policias hoje é bem maior. E não acredito que
seja por conta do simples aumento da violência; trata-se da baixa qualidade
decorrente da briga pela audiência. O Jornal Nacional recebeu um tom de “Aqui e
Agora”. O pior é que a mesma tonalidade chega paulatinamente ao Fantástico,
ensangüentando as noites de domingo.
Mas pelas ondas (coisa que agora soa meio antigo) ou pelos
cabos da TV nos chegam coisas inusitadas, a exemplo do técnico e jogadores da Seleção
Brasileira fazendo propaganda de bebida alcoólica, uma das coisas menos
saudáveis já vistas desde que a chamada mídia televisiva chegou ao Brasil.
Estas propagandas me fazem lembrar aquele hospital do Governo do Estado, em
Natal – o Maria Alice Fernandes, que foi terceirizado por uns anos e seus
administradores resolveram fazer uma propaganda mostrando a qualidade dos
equipamentos e o funcionamento do órgão. Lembram qual foi o apelo? “Nem parece
hospital público”. Ou seja, o contribuinte, através do governo, pagou para
falarem mal de seus hospitais na TV.
Agora tenho aqui em meu birô algo incomum. Uma esponja Bom
Bril – “Esponja multiuso para limpeza pesada (esponja plurienpleo para limpeza
pesada), antibactéria (contra las bactérias)”, com as dimensões 110mmx75mmx22mm”.
A embalagem diz: “É bom. É da Bombril (Es Bueno. Es de Bombril).”. Explica
mais: “Esponja de limpeza de alta qualidade antibactéria ( Esponja de limpeza
de alta calidad contra La s bactérias). Fala ainda na composição: espuma de
poliuretano, bactericida e fibra sintética com material abrasivo. E trata do modo de usar, explicando: “lado verde para limpeza mais difícil em
superfícies resistentes e lado amarelo para limpeza de superfícies delicadas.
Diante de tudo isso, gostaria de entender a mensagem
publicitária da Bombril falando mal de todas as esponjas de limpeza,
apresentando todos os danos que podem provocar ao meio-ambiente e às pessoas. Tendo
em vista que sei bem a origem dessa esponja que tenho em mãos, adquirida no
Supermercado Nordestão, não quero, nem de longe, achar que possa tratar-se de
alguma sabotagem, que alguém teria produzido uma esponja com a marca Bombril e
colocado clandestina ou enviesadamente nas prateleiras do supermercado. Desta
forma, estou com uma rara interrogação. Aguardo Os próximos passos de Carlinhos
Moreno na TV. Ele começou mostrando Bombril, a palha de aço e a esponja (do
concorrente?). Agora diz que aconselharam tirar a esponja. Qual será a próxima
novidade? E olhe que não estamos em 1º de abril.
*Jornalista
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