Opinião

Ney Lopes de Souza (02.04.2006)

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A CAIXA DE PANDORA                               

  

            A última segunda, 27 de março, entrou para a história do Brasil. Mais uma vez, um homem do povo, o simples caseiro Francenildo Costa, derruba um líder poderoso da República: Antonio Palocci Filho. O mesmo aconteceu com Collor, derrubado pelas denuncias do motorista Eriberto França (aliás, natural do RN).

            Acompanhei o exercício do poder de Palocci, na condução da economia brasileira. Fomos colegas na Câmara dos Deputados. Sempre teve o estilo “fechadão” e “sisudo”. Faço-lhe justiça nos resultados colhidos no Ministério da Fazenda, embora discorde da taxa de juros.

            Já assisti vários filmes com este enredo. O poder chega premia, envaidece pessoas e desaparece, sem aviso prévio, no caldeirão de crises intermináveis e fatais.

            Antes de Palocci, sofreram o mesmo revés, José Dirceu e Gushiken, ambos da intimidade presidencial. Verdadeiros “donos do poder”, após a posse Lula.

            Recordo o dia 15 de março de 1990. Assisti em Brasília a posse de Fernando Collor na Presidência da Republica, em sessão presidida pelo meu velho amigo, senador Nelson Carneiro. Ao chegar em casa, disse a Abigail: “que homem de sorte, o Collor. Jovem, chega à Presidência. O céu será o seu limite”. Não demorou muito. Em 2 de outubro de 1992, saía escorchado do Palácio do Planalto.

            Em 1993/4 vi o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro, andando o Brasil, auto-suficiente, poderoso, preparando a sua candidatura à Presidência da República pelo PMDB. Meses antes, atingira a glória suprema, quando afirmou “ouvir o clamor das ruas” ao presidir a sessão que afastou Collor do poder. Pouco tempo depois, flagrado no escândalo do Orçamento, vagava pelos corredores do Congresso, pedindo clemência. Certo dia descia num elevador com ele e o deputado José Lourenço, da Bahia. Ibsen dirigiu-se a José Lourenço e solicitou-lhe ajuda. De pronto ouviu a dura resposta: “Não posso Ibsen. Ouvi o clamor das ruas, que deseja vê-lo cassado”. Fiquei chocado ao testemunhar aquele diálogo. No dia 18 de maio de 1994, Ibsen foi cassado com 296 votos a favor, quando eram necessários 252.

            Sou daqueles que acreditam na verdade e na justiça divina, em qualquer circunstância, inclusive na política. Cedo ou tarde surge o julgamento justo – absolvendo ou condenando. Às vezes, até após a morte dos acusados. É necessário, portanto, ter muita prudência e firmeza ao julgar pessoas e fatos políticos. Jamais a prudência dos “mornos”, aqueles que não têm opinião, salvo para obterem vantagens pessoais ao estilo da “lei de Gerson”. Aliás, quando a prudência se confunde com o “meio-termo” deixa de ser virtude e vira esperteza. É como disse Luiz Fernando Veríssimo: “se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias não seriam nublados e os arco-íris não teriam tons cinza”.

            A política hoje se assemelha a uma caixa de Pandora. Aquela lenda, em que a mulher era bela, imortal e com desejo indomável. Chamava-se Pandora, sinônimo de possuir todos os dons do sucesso. Ela se casa com Epimeteu e presenteia-o com um jarro. O esposo ao abrir a caixa do presente, vê-se encoberto por uma nuvem negra, escapando todas as maldições e pragas do planeta.  As mesmas desgraças, que até hoje atormentam a humanidade.

            Em sentido figurado, Palloci, Dirceu, Gushiken, Collor, Ibsen e tantos outros políticos abriram as suas caixas de Pandora. Foram surpreendidos com a avalanche negativa das denuncias, misturadas com o sucesso pessoal, que parecia eterno. O exemplo deles fica como advertência. Sobretudo, para quem se considera acima do bem e do mal e confunde dever com virtude. Ser honesto é dever. Autoproclamar-se honesto como trunfo político é hipocrisia. Estes são verdadeiros sepulcros caiados. Piores, até, do que os verdadeiros culpados.

 

ACONTECE

Maçonaria

            Ney Jr. foi colado no Grau de Mestre Maçom, na última segunda, em Brasília, pelo Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, Sr. Laelso Rodrigues. É grande o entusiasmo de Ney Jr pela Maçonaria, realmente uma instituição que presta relevantes serviços à comunidade e sempre esteve presente nos momentos difíceis da história do Brasil, desde a Independência.

Lançado “OPINIÃO V”

            Lançado o livro “Opinião V”, de minha autoria. São textos desta coluna publicada semanalmente no POTI e GAZETA DO OESTE, além de discursos e estudos sobre o RN e o Brasil. O leitor interessado poderá solicitar, gratuitamente, um exemplar, através do e-mail nl@neylopes.com.br .

Concurso (I)

            Com 325 vagas está aberta inscrição, até o dia 9 próximo, para concurso na Dataprev. Salário inicial: R$ 2.180.00. Informações no fone (061) 3448 0100 ou na Internet: www.cespe.unb.br/concursos/sataprev2006 .

Concurso (II)

            O Ministério da Integração Nacional aceita inscrições para concurso público aberto, até sexta próxima, sendo 75 vagas de nível médio e 6 superior. Os salários iniciais variam de R$ 1.133 a R$ 1.340.00 Informações no telefone 061-3448 0100.

Concurso (III)

            Até 19 deste mês estarão abertas inscrições para concurso público no Ministério da Cultura, sendo 18 vagas de nível médio e 197 de nível superior com salários iniciais de R$ 1.560.00 a R$ 1.768.00. Informações no site  www.concurso.fgv.br/minc06 .

Concurso (IV)

            Com inscrições até o dia 16 deste mês o Serviço de Processamento de Dados (Serpro) abre concurso para analistas com especialização em software básico. O salário inicial é de R$ 3.642. Informações no site www.cespe.unb.br/concursos .

Concurso (V)

            O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) abre concurso para 20 vagas de advogado, 40 de analistas de tecnologia da informação, 5 economistas, 20 engenheiros agrônomos, 2 para engenheiros de segurança do trabalho e 8 para médicos do trabalho. Inscrições através do site www.concursos.acep.org.br , até o próximo dia 19.

 

            

 

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