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POLÍTICA
TEM LÓGICA?
Quando
acaba uma eleição surgem as mais diferentes interpretações
sobre quem ganhou e quem perdeu. Haverá lógica numa
disputa eleitoral?
Nas
minhas dúvidas gosto de ouvir pessoas humildes.
Conversei com um cidadão de poucas letras. Ele me
disse: “essa tal de lógica na política é procurar o
fio de uma meada e não encontrar nunca”. Na prática,
o nosso filósofo aplicou a máxima de Robert Louis
Stevenson, de que “a política é talvez a única
atividade para qual nenhuma preparação é considerada
necessária”.
Estou
convencido de que nem tudo está perdido. Em vários
Estados brasileiros, a cada eleição surgem exemplos de
mudanças e oportunidades dadas aos melhores com o cidadão
assumindo o papel de ator principal da democracia.
Cito
casos eleitorais concretos, no presente e no passado,
onde os vitoriosos, mesmo não sendo estreantes venceram
pela vida pregressa, competência, criatividade e
propostas. Perde a lógica da tradição e do abuso de
poder. Ganha à lógica da eficiência, participação
cidadã e serviço prestado.
Em
agosto passado encontrei a deputada Yeda Crucius no plenário
da Câmara. Perguntei-lhe como estava a sua luta como
candidata a governadora do Rio Grande do Sul.
Respondeu-me que era difícil, mas o seu Estado tinha a
marca de oferecer oportunidades a quem tinha melhores idéias,
independente de partido ou tradição. No final, ela
ganhou. Em eleições passadas o mesmo ocorreu com o
bancário Olívio Dutra, o advogado de classe média
Germano Rigotto, o trabalhista Alceu Collares e outros.
Observando
os nossos vizinhos do nordeste constatamos
historicamente situações semelhantes. Na Paraíba,
alcançaram o governo profissionais liberais como Tarcísio
Buriti, Antonio Mariz, José Maranhão e Ronaldo Cunha
Lima. No Ceará, Tasso Jereissati venceu as poderosas
lideranças de Virgilio Távora, Adauto Bezerra e César
Cals. No Piauí, reelegeu-se Wellington Dias. Antes,
chegaram ao poder com a marca da mudança Alberto Silva
e Mão Santa. Em Alagoas, há anos o filho de um
sargento da Polícia, Divaldo Suruagy foi “zebra”
eleitoral. Depois dele Ronaldo Lessa teve a mesma
característica. Em Pernambuco - terra dos senhores de
engenho - superaram barreiras Miguel Arraes, Joaquim
Francisco, Roberto Magalhães e Jarbas Vasconcelos,
todos simples profissionais liberais. Em Sergipe, o
governador João Alves quebrou a dominação da “família
Franco”. Em outubro passado ganhou a eleição um
humilde bancário, Marcelo Deda. Na Bahia, ACM perdeu
para Waldir Pires. Depois voltou ao poder e foi
derrotado agora por Jacques Wagner, que já tivera dois
insucessos na disputa para governador. Ainda na Bahia,
João Durval chega ao Senado, após quase 20 anos de
derrotas sucessivas. Era considerado “carta fora do
baralho”.
A
lógica política está condicionada as circunstâncias
de cada eleição. A senadora Ana Júlia perdeu por
larga margem, em 2004, para prefeita de Belém. Ganhou
em 2006 para governadora do Pará. O senador Saturnino
Brito perdeu certa vez para vereador do Rio de Janeiro.
Ganhou a eleição seguinte para o Senado.
A
democracia se fortalece com as oportunidades ampliadas.
A lógica na política somente existe, quando prevalece
a consciente participação popular. Tal participação
não ocorrendo, a tendência é a vitória da lei da
vantagem (Lei de Gerson) e daqueles que herdam poderosas
tradições. Nestes casos cabe lembrar ao cidadão-eleitor,
aquela expressão de John Donne, no final de filme
famoso: depois “não perguntem por quem os sinos
dobram. Eles sempre dobram por ti”.
ACONTECE
A
propósito
Órgão
da imprensa natalense divulgou o meu afastamento da política.
Não declarei isto e nem digo que “dessa água não
beberei”. Apenas, no momento, não tenho nenhum
projeto político para o futuro. Continuo, todavia, na
vida pública. Irei advogar em Natal e em Brasília,
juntamente com o meu filho Ney Jr.
Talentos
potiguares
O
senador recém eleito pelo Amazonas, Alfredo Nascimento
e a advogada Estefânia Viveiros, reeleita em Brasília
presidente da OAB-DF são dois talentos potiguares, que
venceram fora do Estado. E por isto orgulham todos os
seus conterrâneos.
Salve
o América
Grande
vitória a do América FC, o meu time de coração desde
a infância. Já fui Conselheiro do Clube. Mais
expressiva do que a classificação foi a altivez de
jogar de cabeça erguida no “Mineirão” lotado e
empatar o jogo, mesmo com a visível má vontade de
alguns comentaristas esportivos sulistas.
“IN
MEMORIAM”
O
RN perde dois homens vitoriosos. Cada qual na sua
atividade.
Padre
Vilela, pároco de Candelária, sacerdote virtuoso,
humano, prestativo. Poucos atingiram o grau de respeito
que ele teve na sua comunidade. Tudo conquistado pelo
cumprimento exemplar do dever sacerdotal.
David
Cunha – “o Espanta”. Um lutador. Acreditou no
seu talento. Superou barreiras como humorista.
Justamente, quando começava a subir os degraus da fama
nacional partiu para a Eternidade. Seja feita a vontade
de Deus. Aqui na terra, prestamos as homenagens devidas
ao seu talento de extraordinário artista.
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