Opinião

Ney Lopes de Souza (03.12.2006)

E-MAIL 


        

POLÍTICA TEM LÓGICA?

Quando acaba uma eleição surgem as mais diferentes interpretações sobre quem ganhou e quem perdeu. Haverá lógica numa disputa eleitoral?

Nas minhas dúvidas gosto de ouvir pessoas humildes. Conversei com um cidadão de poucas letras. Ele me disse: “essa tal de lógica na política é procurar o fio de uma meada e não encontrar nunca”. Na prática, o nosso filósofo aplicou a máxima de Robert Louis Stevenson, de que “a política é talvez a única atividade para qual nenhuma preparação é considerada necessária”.

Estou convencido de que nem tudo está perdido. Em vários Estados brasileiros, a cada eleição surgem exemplos de mudanças e oportunidades dadas aos melhores com o cidadão assumindo o papel de ator principal da democracia.    

Cito casos eleitorais concretos, no presente e no passado, onde os vitoriosos, mesmo não sendo estreantes venceram pela vida pregressa, competência, criatividade e propostas. Perde a lógica da tradição e do abuso de poder. Ganha à lógica da eficiência, participação cidadã e serviço prestado.

Em agosto passado encontrei a deputada Yeda Crucius no plenário da Câmara. Perguntei-lhe como estava a sua luta como candidata a governadora do Rio Grande do Sul. Respondeu-me que era difícil, mas o seu Estado tinha a marca de oferecer oportunidades a quem tinha melhores idéias, independente de partido ou tradição. No final, ela ganhou. Em eleições passadas o mesmo ocorreu com o bancário Olívio Dutra, o advogado de classe média Germano Rigotto, o trabalhista Alceu Collares e outros.

Observando os nossos vizinhos do nordeste constatamos historicamente situações semelhantes. Na Paraíba, alcançaram o governo profissionais liberais como Tarcísio Buriti, Antonio Mariz, José Maranhão e Ronaldo Cunha Lima. No Ceará, Tasso Jereissati venceu as poderosas lideranças de Virgilio Távora, Adauto Bezerra e César Cals. No Piauí, reelegeu-se Wellington Dias. Antes, chegaram ao poder com a marca da mudança Alberto Silva e Mão Santa. Em Alagoas, há anos o filho de um sargento da Polícia, Divaldo Suruagy foi “zebra” eleitoral. Depois dele Ronaldo Lessa teve a mesma característica. Em Pernambuco - terra dos senhores de engenho - superaram barreiras Miguel Arraes, Joaquim Francisco, Roberto Magalhães e Jarbas Vasconcelos, todos simples profissionais liberais. Em Sergipe, o governador João Alves quebrou a dominação da “família Franco”. Em outubro passado ganhou a eleição um humilde bancário, Marcelo Deda. Na Bahia, ACM perdeu para Waldir Pires. Depois voltou ao poder e foi derrotado agora por Jacques Wagner, que já tivera dois insucessos na disputa para governador. Ainda na Bahia, João Durval chega ao Senado, após quase 20 anos de derrotas sucessivas. Era considerado “carta fora do baralho”.

A lógica política está condicionada as circunstâncias de cada eleição. A senadora Ana Júlia perdeu por larga margem, em 2004, para prefeita de Belém. Ganhou em 2006 para governadora do Pará. O senador Saturnino Brito perdeu certa vez para vereador do Rio de Janeiro. Ganhou a eleição seguinte para o Senado.

A democracia se fortalece com as oportunidades ampliadas. A lógica na política somente existe, quando prevalece a consciente participação popular. Tal participação não ocorrendo, a tendência é a vitória da lei da vantagem (Lei de Gerson) e daqueles que herdam poderosas tradições. Nestes casos cabe lembrar ao cidadão-eleitor, aquela expressão de John Donne, no final de filme famoso: depois “não perguntem por quem os sinos dobram. Eles sempre dobram por ti”.                                               

ACONTECE

A propósito

Órgão da imprensa natalense divulgou o meu afastamento da política. Não declarei isto e nem digo que “dessa água não beberei”. Apenas, no momento, não tenho nenhum projeto político para o futuro. Continuo, todavia, na vida pública. Irei advogar em Natal e em Brasília, juntamente com o meu filho Ney Jr.

Talentos potiguares

O senador recém eleito pelo Amazonas, Alfredo Nascimento e a advogada Estefânia Viveiros, reeleita em Brasília presidente da OAB-DF são dois talentos potiguares, que venceram fora do Estado. E por isto orgulham todos os seus conterrâneos.

Salve o América

Grande vitória a do América FC, o meu time de coração desde a infância. Já fui Conselheiro do Clube. Mais expressiva do que a classificação foi a altivez de jogar de cabeça erguida no “Mineirão” lotado e empatar o jogo, mesmo com a visível má vontade de alguns comentaristas esportivos sulistas.

“IN MEMORIAM”

O RN perde dois homens vitoriosos. Cada qual na sua atividade.

Padre Vilela, pároco de Candelária, sacerdote virtuoso, humano, prestativo. Poucos atingiram o grau de respeito que ele teve na sua comunidade. Tudo conquistado pelo cumprimento exemplar do dever sacerdotal.

David Cunha – “o Espanta”. Um lutador. Acreditou no seu talento. Superou barreiras como humorista. Justamente, quando começava a subir os degraus da fama nacional partiu para a Eternidade. Seja feita a vontade de Deus. Aqui na terra, prestamos as homenagens devidas ao seu talento de extraordinário artista.

 

 

COLUNAS ANTERIORES:

A REPUTAÇÃO HOJE EM DIA

ACREDITE, SE QUISER

TRAPÉZIO E TRAPEZISTA

ELEIÇÃO E REELEIÇÃO

A MÃE DE MÃE LUIZA

SOBRE ÉTICA E VERDADE

OLHO ABERTO

BRASIL E BOLÍVIA

BRASIL ATRÁS DA ÁFRICA

NÓS E A CHINA

A OFENSA NA IMPRENSA

A TURMA DA LIBERDADE

SANGUESSUGAS E MENSALEIROS

ADEUS BULHA

GUERRA E PAZ

DIREITOS HUMANOS DE QUEM?

O “TSUNAMI” DE 2006

ZIDANE: HERÓI OU VILÃO?

A LIÇÃO DE 1958 (09.07.2006)

OBRIGADO AO RN (02.07.2006)

A HORA DO TUDO OU NADA (25.06.2006)

FUTEBOL E OPORTUNIDADES (18.06.2006)

ELEIÇÃO INSEGURA (11.06.2006)

CARTA AO MEU NETO (04.06.2006)

COM A PALAVRA, O ELEITOR (28.05.2006)

RN LEMBRADO AOS "GRANDES" (21.05.2006)

LEMBRANDO ALUÍZIO (14.05.2006)

VOTAR EM MENSALEIROS (07.05.2006)

DIREITOS DO TRABALHADOR (30.04.2006)

A HORA DO TUDO OU NADA (23.04.2006)

A CAIXA DE PANDORA (02.04.2006)

A CLÁUSULA DE BARREIRA (26.03.2006)

NOVO E VELHO NA POLÍTICA (19.03.2006)

A GALINHA E OS ÓVOS (12.03.2006)

A GANGORRA DE 2006 (05.03.2006)

EMPREGADO DOMÉSTICO (26.02.2006)

COLIGAÇÃO: GANHAR O QUÊ? (19.02.2006)

PFL E PSDB (12.02.2006)

ERRO SEM PERDÃO  (05.02.2006)

 

 

TOPO

MENU

INDIQUE SITES

CIDADES DO RN

FALE CONOSCO