Opinião

Ney Lopes de Souza (05.03.2006)

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A GANGORRA DE 2006

                               

            O futuro da economia pesará muito na disputa presidencial, já polarizada entre PSDB e PT..   

            A partir da redemocratização em 1985 os rumos econômicos influíram decisivamente no processo eleitoral. O país viveu decepções sucessivas com os planos Cruzado, Cruzado II, Bresser, Verão, Collor e os efeitos danosos de uma “moratória nacionalista(!!!)”,  que tornou a inflação galopante.

            Ministro da Fazenda, no final do Governo Itamar, Fernando Henrique lançou o Plano Real e terminou Presidente da República, no primeiro turno. Com ele, o PSDB cresceu. O partido nascera de dissidências no período da constituinte, através de posições de Mário Covas, Franco Montoro, José Serra e outros.

            Como em política a sorte influi muito, FHC e o PSDB escaparam por um triz de caírem na mesma vala fatídica, que destruiu Collor. O senador Jorge Bornhausen, quando era ministro de Collor, propôs aliança com o PSDB para sustentar o governo. Tudo consistia na nomeação de FHC para Ministro das Relações Exteriores e Tasso Jereissati para a indústria e comércio de Collor. O convite somente não foi aceito pelo “veto” de Mario Covas.

REELEIÇÃO & ALIANÇA QUEBRADA 

            FHC foi reeleito com dificuldades. Lula chegou perto. Mais uma vez, a economia teve papel relevante. O Plano Real sofrera quedas, por força das crises da Tailândia e da Rússia e o Presidente perigava perder. A salvação foi à nomeação para o Banco Central de Armínio Fraga, que implantou mudanças lúcidas e de efeito rápido.

            A partir de 2001, a aliança que sustentava o governo FHC começou a romper. Tudo culminou com o “flagrante preparado” montado contra Roseana Sarney, candidata do PFL.  O “escândalo” afastou-a da disputa, quando já superava Lula nas pesquisas e tinha chances reais de eleger-se a primeira mulher Presidente do Brasil.

COMO FICARÁ 2006? 

Dois fatores poderão influir, decisivamente, no resultado final de 3 de outubro: a preservação da unidade das oposições e o “carisma” do Presidente Lula.

            O “fogo amigo” entre Serra e Alkimin terá que ser apagado, o quanto antes. Em política, estas situações, quanto prolongadas, deixam mágoas, rastros negativos insuperáveis e terminam influindo no resultado eleitoral. Apoiar sem entusiasmo, às vezes é melhor não apoiar.

            O Presidente Lula, sacudido por violenta crise ética, consegue manter-se relativamente incólume. As oposições perderam a oportunidade do “impeachment”, na hora em que Duda Mendonça confessou como recebeu o pagamento do “marketing” presidencial. O Presidente habilmente separa o PT da sua pessoa e leva o assistencialismo oficial ao “povão”. Na hora de votar, o eleitor poderá olhar mais para o próprio bolso, do que para as denuncias do mensalão e a crise moral. Ninguém duvide.

            Não há, ainda, previsão de vitorioso, ou, derrotado. A eleição será uma “gangorra”, com altos e baixos. Como o Congresso Nacional não foi capaz de fazer a reforma político partidária, o eleitor poderá fazê-la, através do voto livre. Queira Deus que isto aconteça. Somente assim existirão esperanças de que ganhem os melhores....

 

ACONTECE  

Talento potiguar

            Valéria Oliveira cantora potiguar consagrada no Japão.  Ela acaba de lançar naquele país, com recorde de vendas, o CD “Imbalança”. A produção é do japonês Kasuo Yoshida. Valéria, com voz doce e segura, canta MPB e faz incursões na música nordestina. O Brasil e, sobretudo, a sua terra precisam prestigiar essa voz potiguar, que o Japão há anos já aplaude.

Dívida rural

            Justifica-se verdadeira “cruzada parlamentar” no Congresso Nacional para derrubar o anunciado veto presidencial, ao projeto de lei já aprovado na Câmara e no Senado, que repactua dívidas oriundas de operações de crédito rural, contratadas até dezembro de 2000, na área de atuação da Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene).

A proposta

            A proposta é justa, considerando as condições atípicas do Nordeste, onde o índice de inadimplência é de 40% dos financiamentos rurais e o produto bruto interno da região vem caindo desde 1990. Pelo projeto aprovado, haverá um prazo de 25 anos para amortização, incluídos quatro anos de carência. O pagamento em dia terá o incentivo do desconto de 3% sobre o saldo devedor.

Inclusão social

            A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, desde 1964, realiza a Campanha da Fraternidade, durante a quaresma, que começou na última quarta feira de cinzas. Neste ano, o assunto em pauta será “A Fraternidade e os portadores de necessidades especiais” e o lema, “Levanta-te e vem para o meio”. Além da inclusão social, dando emprego aos milhões de indivíduos que possuem uma deficiência física, as cidades têm que providenciar a acessibilidade dos mesmos em Bancos, áreas de lazer, formação profissional, projetos culturais, escolas, aparelhos ortopédicos, etc.

 

COLUNAS ANTERIORES:

ERRO SEM PERDÃO  (05.02.2006)

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