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TRAPÉZIO
E TRAPEZISTA
A justiça eleitoral concluiu, praticamente, o
processo eleitoral de 2006. Leio e ouço análises e
profecias para o futuro. Pontos de vista de quem por
mera ousadia ou erro grosseiro pensa conhecer os
meandros da vida pública. Agem como alguém que dá a
receita para um jogador comportar-se na hora do
escanteio e fazer o gol, sem nunca ter jogado futebol. A
política exige ver as coisas como elas são e não como
se deseja que sejam.
Comentou-se que o PFL no RN acabou, porque a
maioria dos prefeitos votou com a Governadora, no último
pleito. Em que pese o inegável peso eleitoral dos
prefeitos, se eles assegurassem vitórias por si só,
Fernando Bezerra teria sido eleito Senador da República
em 2006. E não foi. Ganhou Rosalba.
Ninguém se aposenta, nem morre na política. A
morte política só existe com a morte biológica.
Collor, Ibsen Pinheiro e o próprio Lula (perdeu quatro
vezes – três para Presidente e uma para governador de
SP) estão aí para provar a regra. No Rio Grande do
Norte, em 1962, Dinarte Mariz era tido como derrotado.
Aluízio liderava com força total as massas populares.
No auge do prestígio de Aluízio, Dinarte ganhou
a eleição para o Senado.
Em 1982, Aluízio recém anistiado, candidatou-se
a governador contra o jovem prefeito de Natal José
Agripino. Perdeu por mais de 100 mil votos. Dizia-se:
“Aluízio aposentou-se politicamente”. Anos depois
– em 1986- elegeu, com a sua inegável liderança,
Geraldo Melo governador do Estado, que fora
vice-governador de Lavoisier Maia, ambos biônicos,
nomeados pela Revolução de 64.Não ficou aí. Aluízio
foi Ministro de Estado duas vezes e deputado federal.
. Em 1990, Garibaldi Filho com meia dúzia de
prefeitos derrotou para o Senado da República o
deputado Carlos Alberto com quase a totalidade das
lideranças estaduais, inclusive do senador José
Agripino.
Em 1994 a atual Governadora do Estado amargou o
último lugar como candidata ao Governo. Perdeu para
Fernando Mineiro, do PT. Depois – em 1996-, de novo
com o apoio da família Maia, origem histórica da sua
vida pública, elegeu-se prefeita de Natal, pela segunda
vez, derrotando a atual deputada Fátima Bezerra, sua
então ferrenha adversária.
Em 2002 se os apoios municipais valessem a atual
governadora não teria chegado ao primeiro turno. No
segundo turno, com o apoio do PFL, ganhou por maioria de
quase 40% dos votos. Agora, em 2006, mesmo com todo o
aparato da máquina pública alcançou pouco mais de 4%
de maioria no Estado. Comparando 2002 com 2006 a queda
percentual de votos é considerável.
Como, diante dessa realidade eleitoral, alguém
pode dizer que no RN fulano é líder e outros estão
afastados definitivamente da política? Mera idiotice,
ou desejo de bajular e agradar os vencedores,
prestando-lhes um grande desserviço.
É cedo para afirmar que a última eleição
brasileira revelou novas lideranças. Pode-se dizer que
foram revelados alguns mágicos de Oz na política,
semelhantes àquele personagem da literatura infantil do
americano Lyman Frank Baum, quando a pequenina Dorothy
perdida na tempestade – a exemplo das multidões
famintas - buscou a ajuda dos poderes do mágico de Oz,
na cidade das esmeraldas. Após algum tempo, ela
descobriu que aquele mágico, aparentemente solidário,
nada mais era do que um farsante. Enganava as pessoas.
Fingia possuir poderes, que aprendera num circo, onde
trabalhara. Dorothy salvou-se com o seu próprio esforço,
simbolizando que as derrotas ou o perigo não destroem
as pessoas.
As vitórias eleitorais não são suficientes
para formar líderes, nem para exterminar os adversários.
Tudo porque, continua atual o conselho do ex-ministro
Mario Henrique Simonsen: “o mal de certos trapezistas é pensarem que podem voar sem o trapézio”.
ACONTECE
Ato histórico
Co-presidi, quarta última, em Bruxelas, na Bélgica,
juntamente com o deputado espanhol Josep Borell –
Presidente do Parlamento Europeu – a cerimônia histórica
para a América Latina e Europa de instalação oficial
da “Assembléia Parlamentar
Euro-Latino-Americana”.
Certamente, a maior vitória do meu mandato, à frente
do Parlatino, que termina em 8 de dezembro próximo. Na
ocasião, falei e lembrei a proximidade geográfica do
Rio Grande do Norte com o continente europeu, colocando
no debate político e econômico da Assembléia recém
criada uma “zona de livre comércio euro-latina”, ao
lado do futuro Aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Panamá e Chile já
entraram nessa disputa. Como até agora só eu tenho
falado pelo RN, quem irá me substituir? Ou, o nosso
destino será perder a chance, mais uma vez, em troca de
negócios para poucos?
Grande Natal
Ao citar o potencial do “Grande
Natal” para uma zona econômica especial repeti o
que já fizera em abril passado, durante a III
Reunião dos Parlamentos de Integração Regional,
realizada em Bregenz (Áustria). Depois, na IV Cúpula
de Chefes de Estado e de Governo da União Européia, América
Latina e Caribe e ratificada pela I Cúpula Mundial de
Parlamentos da Integração Regional, realizada na
Cidade de Guatemala em junho. Deixarei o Parlatino e
temporariamente a vida pública. Temo pelo
aproveitamento futuro do aeroporto de São Gonçalo do
Amarante. Lutarei com as forças que me restarem. Sempre
por mais empregos e oportunidades para o nosso povo –
o que somente será possível com a criação da zona
econômica especial pelo Governo Federal e estadual. O
contrário será subaproveitamento com a simples
privatização e construção de um aeroporto
cidade, industria ou porto seco, em São Gonçalo do
Amarante, igual a tantos que já existem no país,
inclusive no Ceará.
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