Opinião

Ney Lopes de Souza (06.08.2006)

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GUERRA E PAZ                                       

Chocantes as imagens da TV e dos jornais sobre a guerra no Líbano. Escrevo sob o impacto da foto de uma criança macilenta com o corpo resgatado dos escombros.

Como é dura a guerra!

Nós brasileiros não fugimos à regra de guerras e insurreições. A nossa história é pontilhada de fatos chocantes.

Ocorreram cenas de truculência contra os bandeirantes na guerra dos emboabas. Filipe dos Santos foi condenado à morte na revolta de Vila Rica. Enforcado o líder nacionalista Tiradentes, em 1789, na Inconfidência Mineira . Na revolta dos alfaiates (conjuração baiana) a pena capital do enforcamento produziu a cena tétrica do espetamento da cabeça do revoltoso Lucas Dantas no “campo do dique do desterro”, em Salvador. A guerra dos farrapos (Revolução Farroupilha) colocou em risco a unidade nacional e em confronto os exércitos do Império e da República Rio-Grandense.

Na história das revoltas brasileiras ocupa espaço a chamada guerra de Canudos, eternizada por Euclides da Cunha, em seu livro “Os sertões”. Fome, miséria e violência, aliados ao fanatismo religioso, conduziram o nordeste brasileiro (1896) ao conflito civil liderado pelo beato Conselheiro. Após o cerco pelas forças do governo, os seguidores do “beato” morreram de fome e sede. O massacre vitimou homens, mulheres e crianças.

Não se pode esquecer a figura notável do Padre Miguelinho, natalense da gema e batizado em nossa Matriz da Apresentação. Ele participou ativamente da Revolução Pernambucana de 1817. Teve gestos nobres. Na véspera de morrer chamou a irmã para ajudá-lo a queimar os papéis que tinham nomes dos participantes do movimento, dizendo-lhe: “ajuda-me a salvar a vida de milhares de desgraçados”. Foi condenado a morte. Em 1912, o governador Alberto Maranhão deu o nome de Padre Miguelinho ao atual Instituto educacional, que funciona no bairro do alecrim.

Estes episódios mostram que na história das nações há momentos de incerteza, como os de hoje no Líbano, Israel e Oriente Médio. O Hizbollah ocupa o sul do Líbano. Trata-se de uma organização nascida para eliminar Israel e os Estados Unidos. Fortemente armada, recebe a ajuda direta e permanente do Irã, através da Síria. Os seus membros têm sólida formação intelectual e recursos financeiros. O maior contraste é a presença terrorista do Hizbollah no território do Líbano, justamente um dos povos mais pacíficos do planeta. Estes guerrilheiros usam a tática de lançar mísseis de áreas residenciais, hospitais, igrejas localizadas em território libanês. Torna-se, por isto, inevitável que a ação antimíssil de Israel termine atingindo tais áreas e matando civis. Jamais houve organização de guerrilha tão perigosa e difícil de ser combatida.

O mundo sonha com a paz no Oriente Médio. Ninguém deseja que seja verdadeira a exclamação de Glinka, personagem de Tolstoi (Guerra e Paz), ao afirmar que “o inferno deveria ser combatido pelo inferno”, justificando os russos incendiar Moscou, durante a ocupação de Napoleão.

Em todo este quadro, espera-se que Cícero tenha razão ao dizer: “Prefiro a paz mais injusta a mais justa das guerras”.

                                   

ACONTECE

Frase

“Os governantes se preocupam mais com as próximas eleições, do que com as próximas gerações” (Profa. Eleika Bezerra, em entrevista a Inter TV Cabugi, em Natal). Concordo em gênero, número e grau. Daí a proposta do “pacto de governabilidade” no RN, fixando princípios de políticas públicas para os próximos 20 anos, acima dos partidos e dos grupos.

Concurso (I)

Abertas as inscrições para o concurso de Procurador da República (209 vagas, inclusive no RN). As inscrições poderão ser feitas, até 29 deste mês, nas Procuradorias da República dos Estados e Municípios. Exige-se o curso de bacharelado em direito. A primeira avaliação está marcada para 8 de outubro. Maiores informações no site www.pgr.mpf.gov.br .

Telefones

Recente sentença da 37ª vara cível de SP (Processo nº 583.00.2002.165469-0) , em ação ajuizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, determina que as ligações locais de telefones fixos deverão ser detalhadas, em respeito ao direito à informação, previsto no Código de Defesa do Consumidor. O juízo obriga que o detalhamento comece imediatamente, sem necessidade de solicitação do consumidor e de forma gratuita, sob pena de multa diária de R$50.000,00 (cinqüenta mil reais).

O detalhamento

O detalhamento das ligações locais consiste na indicação, nas contas telefônicas, do número do telefone chamado, valor cobrado, tempo de duração da ligação, dia e horário, assim como já acontece nas ligações interurbanas e internacionais.

               

 

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