Opinião

Ney Lopes de Souza (12.02.2006)

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PFL E PSDB

            Caiu definitivamente a verticalização. Dificilmente o STF retirará do Congresso o poder constituinte derivado de promulgar emenda constitucional. O princípio da anualidade eleitoral estaria ferido, se fosse uma lei alterando o processo eleitoral. Emenda constitucional, não. Agora, começa a ferver a política brasileira. No Rio Grande do Norte o senador Garibaldi Filho puxou o cordão em busca de alianças. Admitiu possíveis dissidências, afirmando que isto não é ortodoxo e quem discorde de acordos poderá tomar o rumo próprio (TN em 5.2.06).

            Aliás, em 1978 Agenor Maria, sendo do MDB, se opôs a tentativa de juntar “azeite com água”, quando Aluízio Alves anunciou apoio à ARENA de Dinarte Mariz e Tarcísio Maia. Discordou e mesmo na dissidência elegeu-se deputado federal, em plena revolução. O povo aplaudiu a sua coerência.

            Um fato curioso, exposto numa formulação que abusa do sofisma, partiu do ex-senador Geraldo Melo, quando declarou que não cria dificuldades para a união com o PFL, mas advertiu “como se pode esperar exatamente no nosso Estado, o PFL se coloque em curso de colisão” com o PSDB. “Só uma análise inteiramente desligada da realidade pode admitir isto” – concluiu Geraldo Melo. Tucanos declararam a imprensa o grosseiro e ofensivo argumento, de que JA faria “trama”, ou iria “brigar” com o PSDB estadual, caso aceitasse acordo para o PFL indicar nome na disputa do senado. Esquecem que a decisão de liberar as vagas de vice e senador não é do PFL, mas sim do provável partido aliado.  Aliás, o PSDB-RN pode tranqüilizar-se, porque, ao que sei, o PSB oferece também as duas posições ao PFL.

            O inusitado raciocínio é como se existisse ainda a verticalização, ou seja, a imposição de cima para baixo de coligações entre Partidos, que apóiem o mesmo candidato à Presidência.

POR QUE COLISÃO?   

            Por que considerar “rota de colisão”, o PFL buscar a sua conveniência regional, assegurada no momento brasileiro a todos os grupos? Afinal, a candidatura do senador José Agripino à vice-presidência da República não seria um “dogma”, ao ponto de impedir que o PFL tenha opções livres nas composições estaduais. A indicação de JA não depende da cúpula do PSDB, nem do Diretório Regional-RN, mas sim da Convenção do PFL.  Portanto, não pode haver condicionamentos, nem sugestão prévia de nomes (o que seria interpretado como veto antecipado), até porque a possível aliança PSDB-PFL-PMDB já asseguraria ao PSDB, na hipótese da vitória de Garibaldi Alves, um lugar no Senado, na pessoa do seu suplente, o tucano João Faustino. O PFL elegendo o Senador seria aliado natural do PSDB. Ou existe a premissa de que o PFL não é confiável e por isto o PSDB teria que eleger dois senadores, numa mesma eleição?

            Além do mais, é falso alegar que as forças de oposição estarão obrigatoriamente unidas no país. Senão vejamos: o PSDB caminha em vários Estados para discordar do PFL e subir em palanque contrário como Alagoas e Acre, onde PT e PSDB, antagônicos na disputa presidencial, poderão estar na mesma coligação. Em Sergipe, o PSDB apoiará o prefeito Marcelo Deda do PT contra o governador João Alves, do PFL. No Distrito Federal e na Bahia, o PSDB terá como adversário o PFL. Em São Paulo, o PFL tem candidato próprio e o PSDB não se dispõe a apoiar. No Rio de Janeiro, o PSDB resiste ao candidato do PFL – o potiguar de Ceará Mirim, Eider Dantas – e pode coligar-se até com o PT.

POR QUE SÓ O RN AMARRADO?      

            Por que somente no Rio Grande do Norte, o PFL estaria “amarrado” e proibido de indicar um nome para o Senado?  O PFL agradece o apoio dos tucanos locais à candidatura de JA à vice-presidência e, em qualquer situação, respeitará o Sr. Geraldo Melo, inclusive se ele for candidato a senador pela sua própria legenda, já que lidera as pesquisas.

            O exemplo maior de o Governador assegurar as posições de Vice e Senador ao partido aliado, foi em 2002 em São Paulo, quando se elegeram Geraldo Alkimin (governador do PSDB), Cláudio Lembo (vice) e Romeu Tuma (senador), ambos do PFL.

            Como o senador Garibaldi Alves admitiu dissidências, talvez só reste o caminho, na hipótese de efetivada a aliança, dos discordantes deixarem de votar no candidato a Presidente do PSDB, sob o estranho argumento da “rota de colisão” (!!!!).

 

                                                            ACONTECE

 

Talento potiguar (I)

            Marco Antônio Rocha é um dos mais completos profissionais que conheço, além de excelente caráter. Num período recente, prestou serviços na direção do SENAI-RN. Numa assessoria internacional contribuiu para a consolidação do CIN (Centro Internacional de Negócios) e a criação do Eurocenter, da Fiern. Teve que deixar Natal. Passará a prestar serviços de alto nível no Núcleo de Estudos Estratégicos (NEST) e na área de relações internacionais, na Universidade Federal Fluminense.  O Estado perde muito com a sua ausência.

Esclarecer é bom...

            O PFL do RN não fez acordo político com nenhum grupo local. O líder José Agripino reafirma a disposição de conversar com todos e depois ouvir o Partido. Seguramente, tanto o PMDB, quanto o PSB, admitem claramente composição com o PFL. O senador José Agripino é o nome do partido lançado para governador, que também poderá ser indicado à Vice-Presidência da República.

FUNDEB: grande avanço

            A Câmara já aprovou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), que substituirá o Fundef. A principal alteração foi o piso nacional para os professores, que será definido em lei ordinária. Já existe a estimativa que fique entre R$ 700 a R$ 750.00. A média salarial hoje no nordeste é de R$ 410.00.

 

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