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Ano de 1958 – Com treze
anos e na época em que menino usava calça curta
acompanhei, em Natal, as andanças do candidato a
deputado federal Aluízio Alves, quando promovia os
mini-comícios “um
amigo em cada rua”. Nasci em família partidária
da UDN e ele teve os votos familiares em várias eleições.
Ano
de 1959 – Comecei a trabalhar como revisor,
repórter e colunista (“Um
fato em foco”) na Tribuna do Norte, jornal de Aluízio
Alves. Praticamente não tive infância e adolescência.
Iniciei-me na luta pela sobrevivência muito cedo. A
lealdade familiar a Aluízio valeu-me aquela
oportunidade, graças à intervenção de Teófilo
Lopes, líder udenista em Barcelona.
Ano
de 1960 – Ocorreu a separação das águas.
Aluízio deixou a UDN e se candidata, em dissidência,
à Governador do Estado. Mesmo sem ainda votar (tinha 15
anos) segui a orientação familiar, que apoiou o
deputado Djalma Marinho, candidato de Dinarte à sucessão
governamental. Fui demitido da TN. Hélio Vasconcelos
– chefe da Casa Civil de Dinarte – convidou-me para
presidir o comitê estudantil da campanha. Passei o mês
de julho (férias escolares) hospedado em Caicó, na
casa do Dr. João Araújo, esposo de minha prima Hilda.
Aglutinei jovens adeptos de Djalma e realizamos na região
comícios em cidades, vilas e distritos.
Um episódio singular ocorreu em plena efervescência
da campanha, no dia 11 de agosto de 1960. Programei no
cinema Rex – no Grande Ponto – um evento de jovens
em homenagem a Djalma Marinho. Por coincidência, ao
sairmos aproximou-se o “caminhão da esperança”
(versão potiguar do que Lacerda, Raul Brunini e Afonso
Arinos já haviam usado em campanhas no Rio de Janeiro).
Naquele dia era o aniversário de Aluízio.
Formou-se tumulto com o encontro casual das duas facções.
Quando já me afastava do local fui atingido por uma
pedrada a altura do olho esquerdo. Sangrou muito e por
pouco não perdi a visão. O clima foi muito tenso
durante a campanha de 60.
Aluízio
Governador – Como repórter acompanhei o governo
de Aluízio. O traço principal de sua administração,
ao meu ver, era a criatividade, através de uma visão
acentuada de mundo. Ele se antecipou à globalização.
Três exemplos provam isto: Aluízio viajou a Israel e
observou um país sem água até para beber, mas que
mantinha bem sucedido programa de irrigação. Retornou
e criou a CASOL – a primeira empresa de perfuração
de poços do RN. Outro exemplo foram às visitas
sucessivas que fez a Washington DC, em busca de
interessar o Governo Kennedy, através da Aliança para
o Progresso, num programa de alfabetização de adultos
no RN. Conseguiu êxito. Nesta experiência pioneira o
professor Paulo Freire implantou o seu método, em
Angicos. Ajudaram a viabilizar a iniciativa de Aluízio,
os jornalistas Jaime Dantas – conterrâneo que durante
25 anos foi correspondente da revista “Times” no
Brasil e o primeiro brasileiro a presidir o Clube de
Imprensa estrangeiro “Overseas
press Club - e Calazans Fernandes, natural de
Marcelino Vieira e competente Secretário de Educação
(SECERN) do Governo estadual.
Outro fato: visitou e acompanhou no Chile a criação
e a evolução da CEPAL (Comissão Econômica para a América
Latina e o Caribe), cujo secretário geral era Raul
Prebisch, economista de visão global e que iria
revolucionar a estratégia latino-americana de
desenvolvimento. Mandou vários jovens potiguares –
formados ou não – para cursos intensivos na CEPAL e
criou a CED (Comissão Estadual de Desenvolvimento). Com
isto, introduziu o planejamento estatal no RN. Até
hoje, a chamada geração “cepalista” presta serviços
ao nosso Estado.
Quando atualmente defendo, com unhas e dentes, a
criação de mais de cinqüenta mil empregos no RN,
através de lei federal que crie uma “área de livre
comércio” na região metropolitana de Natal, ao lado
do futuro Aeroporto de São Gonçalo do Amarante e vejo
a mediocridade daqueles que não dão sequer ouvidos aos
meus apelos, imagino a falta que faz ao Rio Grande do
Norte a mentalidade avançada que Aluízio,
inegavelmente, teve na década de 60.
Aluízio faleceu, em Natal, no último dia 6. Fui
sempre seu adversário. Nunca estivemos juntos numa
campanha política, até porque discordei de alguns dos
seus métodos de tratamento aos adversários. Porém,
presto-lhe a homenagem póstuma pela visão global e
moderna que implantou no Estado, anos depois seguida na
mesma intensidade pelo governador Cortez Pereira. Ambos
provaram, que os empregos e oportunidades surgem da
criatividade competente do administrador público e
nunca das tetas, já tão exploradas do Governo, ou das
“jogadas” de PPP’s e companhia limitada,
ardilosamente montadas apenas para usufruir vantagens em
curto prazo, ou empréstimos subsidiados, mesmo que isto
signifique prejuízos para os pobres e desempregados.
Os exemplos do passado deveriam ser seguidos no
presente. Mas não estão sendo...
SER
MÃE
Hoje, o dia das Mães.
Coelho Neto expressa o verdadeiro sentimento de
“ser mãe”.
E é com trechos da sua poesia, que homenageio a mãe
potiguar
Ser
mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.
Ser mãe é ser um
anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!
Todo o bem que a mãe
goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!
Ser mãe é andar
chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!
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